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Leite cru? Nem pensar!

A versão que sai direto da vaca está longe de ser mais benéfica, como ainda insistem alguns cidadãos

Por Thaís Manarini 21 abr 2020, 11h43

Ao analisarem 102 amostras de leite cru armazenadas em tanques de propriedades rurais, pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, concluíram: não dá nem para cogitar tomar a bebida dessa maneira.

Uma das autoras da análise, a veterinária Maria Izabel Merino de Medeiros, informa que 58 amostras continham a bactéria Staphylococcus aureus — foram identificados 76 tipos diferentes dela. “A presença desse micro-organismo pode representar um risco à saúde do consumidor”, alerta.

Para piorar, outros testes revelaram um perfil elevado de resistência a 12 antibióticos. “Infelizmente, em algumas regiões ainda se acredita que o leite cru comercializado na informalidade possui mais benefícios do que o pasteurizado e inspecionado”, lamenta Maria Izabel. É hora de entender que isso é mito.

  • Tratar o leite é essencial

    Conheça os dois tipos de processos térmicos que eliminam bactérias perigosas

    Pasteurização: há a rápida, que aquece a bebida de 72 até 75 °C durante 15 a 20 segundos. Na lenta, o leite esquenta de 62 a 65 °C por 30 minutos. Seja qual for a opção, ele deve ser refrigerado depois.

    UHT: aqui, o leite é submetido a uma temperatura altíssima — de 130 a 150 °C por três a cinco segundos. Por isso, ele pode ficar fora da geladeira e possui prazo de validade maior que o pasteurizado.

    Ferver ou não: eis a questão

    Independentemente do tipo comprado — pasteurizado ou UHT —, a fervura em casa é desnecessária. Afinal, todos os micro-organismos potencialmente maléficos já foram eliminados do leite durante o processamento térmico na fábrica. “Em ambos os casos, o produto está seguro para o consumo”, informa a veterinária da Apta.

    E os queijos de leite cru?

    “Os cuidados na produção devem ser redobrados”, afirma Maria Izabel. Segundo a pesquisadora, é preciso garantir controle sanitário do rebanho, higiene na ordenha e técnicas corretas de fabricação desses queijos. “No caso dos curados, tem que respeitar o tempo mínimo de cura para que as bactérias lácteas eliminem as patogênicas no processo”, exemplifica.

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