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Chás para baixar pressão? Antes de tomar, saiba o que diz a ciência

Apesar dos benefícios potenciais, infusões devem ser usadas com cautela e não podem substituir tratamentos médicos

Por Eduardo Barcelos
14 fev 2026, 05h00 •
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Compostos presentes em alguns chás podem contribuir para a regulação da pressão (rawpixel.com/Freepik)
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  • O consumo de chás costuma ser indicado como uma estratégia para controlar a pressão alta. Embora algumas infusões tenham potencial de ajudar, nenhuma delas deve ser usada isoladamente: elas não substituem nem superam os efeitos de um tratamento indicado pelo médico e de adequações no estilo de vida para baixar a pressão.

    A hipertensão ocorre quando a força do sangue contra as paredes dos vasos sanguíneos se mantém consistentemente alta, aumentando o risco de complicações cardiovasculares graves. Doenças como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca figuram, atualmente, entre as principais causas de morte no mundo.

    O tratamento da hipertensão envolve mudanças no estilo de vida, com destaque para a alimentação, a prática de atividades físicas e, quando necessário, o uso de medicamentos. Se você já faz tudo isso, alguns chás de fato podem dar uma forcinha (modesta) a mais – conheça os principais.

    Chás que podem ajudar

    O chá pode ser parte de uma dieta saudável focada em manter a saúde cardiovascular. Componentes presentes na Camellia sinensis (a planta por trás do “chá verdadeiro”, que rende o chá preto, verde e outros) são estudados por sua contribuição para o relaxamento dos vasos sanguíneos, reduzindo processos inflamatórios relacionados à pressão arterial.

    Ainda assim, os efeitos do consumo da bebida variam conforme a genética, hábitos alimentares e tipo ou quantidade de chá ingeridos pela pessoa. Por essas diferenças, os resultados observados ao longo da história não são consistentes ou universais: o que dá certo para outra pessoa não necessariamente terá o mesmo efeito no seu corpo.

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    Os benefícios do chá derivado da Camellia sinensis estão relacionados, em grande parte, à presença de polifenóis, especialmente os flavonoides, que exercem um papel importante na saúde cardiovascular. Essas substâncias atuam em diferentes mecanismos do organismo, contribuindo para a regulação da pressão arterial.

    O chá verde costuma ser uma opção preferida para controle da hipertensão, inclusive na comparação com outros produtos da Camellia sinensis, como o chá preto (que acaba sendo menos usado nesse tipo de situação em função de seu teor de cafeína). Ele ainda é rico em catequinas, compostos bioativos relacionados a benefícios cardiovasculares, que incluem o manejo da pressão elevada.

    Infusões com outras plantas também são estudadas por seu potencial no controle da pressão. O chá de hibisco, por exemplo, contém antocianinas e polifenóis, associados à dilatação dos vasos sanguíneos.

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    O chá de folha de oliveira também possui compostos que podem auxiliar na regulação da hipertensão, como oleuropeína e hidroxitirosol. E a camomila, por sua vez, é conhecida por suas propriedades calmantes e pode contribuir, ainda que de forma indireta, para a redução da pressão alta.

    Como prevenir a pressão alta (de verdade)

    Mais do que recorrer aos chás, porém, o controle da pressão alta passa por outras adequações. As estratégias de prevenção e tratamento podem variar de acordo com o nível da hipertensão. Em muitos casos, mudanças no estilo de vida são suficientes para auxiliar na redução da pressão arterial elevada.

    Entre as principais recomendações está a adoção de uma dieta direcionada à saúde do coração. As frutas, nesse caso, se destacam por serem ricas em fibras, vitaminas, minerais e compostos antioxidantes e anti-inflamatórios que contribuem para a proteção cardiovascular, sendo especialmente benéficas as frutas cítricas.

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    proteínas magras, como peixes e frutos do mar, são uma rica fonte de gorduras ômegas-3 e, ao lado de grãos integrais, também estão associados à melhora na saúde do coração. Soma-se a isso o aumento da atividade física, com a meta de ao menos 150 minutos semanais de exercícios moderados, além da interrupção do tabagismo, da limitação do consumo de álcool e do manejo do estresse.

    Quando essas medidas não são suficientes, o profissional de saúde pode indicar o uso de medicamentos para o controle da hipertensão. Entre eles estão os betabloqueadores, os diuréticos, os inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA) e os bloqueadores do receptor de angiotensina II, que atuam principalmente na redução de contração dos vasos sanguíneos e na diminuição da pressão arterial.

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