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Calmantes naturais realmente ajudam a aplacar ansiedade?

Mesmo sem tratar a causa de fundo, compostos bioativos presentes em plantas medicinais induzem efeitos de relaxamento

Por Vicenti Ciotta
16 mar 2026, 17h37 •
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Maracujá é uma das plantas conhecidas por seus efeitos relaxantes (jcomp/Freepik)
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  • O maracujá é muito recomendado para aqueles que buscam “acalmar os nervos” antes de alguma situação que gere ansiedade, segundo o conhecimento popular. E a ciência confirma isso: apesar de não curarem, plantas medicinais podem exercer um efeito relaxante e ajudar em situações pontuais, sempre como complemento ao tratamento psicológico ou psiquiátrico, sem substituí-los.

    Os chamados calmantes naturais possuem compostos bioativos que interagem com o sistema nervoso central, potencializando o relaxamento ou inibindo estímulos nervosos. Estas interações promovem sensações de alívio e de redução do estresse.

    O que é a ansiedade?

    A ansiedade é algo natural ao ser humano, mas começa a preocupar quando passa a ser intensa ou persistente. Nestes casos, pode comprometer o bem-estar e as relações sociais.

    As principais manifestações são com os sentimentos de medo, insegurança, apreensão e preocupação excessiva em situações interpretadas como ameaçadoras, mesmo sem perigo real. Em casos graves, aparecem sintomas físicos, como taquicardia e dispneia (falta de ar).

    Tratamentos convencionais para distúrbios leves e moderados incluem psicoterapia. Casos graves, por sua vez, podem exigir medicamentos controlados, como ansiolíticos e antidepressivos.

    Apesar da eficácia comprovada, a preocupação com o uso desses fármacos faz com que muitos pacientes recorram primeiro aos calmantes naturais, acreditando que seus efeitos colaterais são mais brandos.

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    No entanto, vale reforçar: plantas medicinais até podem oferecer um alívio pontual, mas não tratam a causa de fundo e não vão resolver casos intensos e persistentes que exigiriam medicamentos. Elas são sempre um complemento.

    Confira algumas opções que podem ajudar.

    Maracujá

    O maracujá já é popularmente conhecido como um tranquilizante natural. A ciência comprova seus efeitos calmantes e indica que pode ser usado para alívio da ansiedade. As flores, folhas, raízes e caules da planta são usadas com esse objetivo, o fruto nem tanto. Na verdade, o suco em si é o que menos ajuda quem quer se acalmar!).

    Sob o nome científico de Passiflora incarnata, ele tem compostos bioativos que atuam no sistema nervoso central na promoção de efeitos sedativos e ansiolíticos. Sua atividade se concentra na potencialização do neurotransmissor ácido gama-aminobutírico, responsável por controlar a velocidade das informações emitidas pelas células nervosas no cérebro.

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    Segundo pesquisas, o extrato do maracujá pode ser aplicado para tratamento de ansiedade, principalmente em pacientes com estresse agudo. Suas propriedades também o tornam um aliado para reduzir insônia e sintomas de abstinência.

    Valeriana

    Com o nome científico de Valeriana officinalis, a principal parte da planta utilizada contra ansiedade é um caule subterrâneo que armazena nutrientes importantes, chamado de rizoma, e suas raízes secas.

    No caso da valeriana, os efeitos ansiolíticos e sedativos são provenientes do ácido valerêncio disponível na planta. No cérebro, ele evita a degradação do neurotransmissor GABA (ácido gama-aminobutírico), fazendo com que efeitos inibitórios entre células nervosas tenham maior duração.

    Estudos feitos com o extrato da valeriana indicam efeitos na redução da ansiedade e melhoras na qualidade do sono – duração total e diminuição da sonolência durante o dia.

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    Erva-cidreira

    Geralmente, a parte utilizada para fins medicinais são as folhas, utilizadas como base para chás, principalmente. As descobertas científicas até o momento alegam que a planta possui efeitos ansiolíticos, podendo ser usada contra sintomas leves de ansiedade.

    Sua função no cérebro é parecida com a valeriana: as substância bioativas inibem a quebra do GABA, elevando os níveis do neurotransmissor. Essa ação possibilita o relaxamento. A Melissa officinalis também possui compostos fenólicos e óleos essenciais com propriedades sedativas, antioxidantes e anti-inflamatórias.

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