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Comer alho cru ajuda a sua saúde? Entenda melhor essa historia

Alimento é repleto de compostos interessantes para o bom funcionamento do corpo, mas não é remédio

Por Thiago Müller 2 out 2025, 16h48 | Atualizado em 5 jun 2026, 06h40
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Alho é uma ótima pedida para a sua saúde. Só não vale exagerar nas promessas (Fernañdo Prado/Unsplash)
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Consumido (e estudado) praticamente no mundo todo, o alho possui propriedades interessantes. Além de temperar a comida, ele é rico em cálcio, potássio e selênio, contando ainda com vitamina C e as do complexo B.

Não para por aí: o alho é repleto de antioxidantes, como os polifenóis. São moléculas que se combinam com os radicais livres do corpo e ajudam a reduzir o risco de uma série de problemas de saúde crônicos e até alguns tipos de câncer.

Com tantas vantagens em potencial, não é de surpreender que a sabedoria popular atribua benefícios ainda maiores ao consumo do alho cru, algo que causa reservas em muita gente em função dos conhecidos efeitos dele em gerar mau hálito. De fato, a atividade antioxidante do alho cru é maior do que a da sua versão cozida, mas o assunto é complexo: são muitas promessas feitas em torno do alimento, que não deve ser encarado como uma panaceia.

+Leia também: Para candidíase, gripe… Quais benefícios do alho são confirmados pela ciência?

Alho tem benefícios de sobra, mas não é milagroso

O alho possui ação anti-inflamatória, antimicrobiana, imunomoduladora, cardioprotetora, hepatoprotetora e antidiabética. É até fácil se perder em tantos nomes. Mas a maioria dos resultados mais promissores vem de estudos com ratos: em seres humanos, todos os benefícios são muito mais modestos ou sequer confirmados.

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Embora também se fale em diminuição do colesterol, consumir alho cru diariamente não tem benefícios clinicamente consideráveis quando se trata de diminuição do LDL – chamado popularmente de “colesterol ruim” – no sangue. Suplementos à base do alimento também não demonstraram essa eficácia toda.

Alguns estudos clínicos sugerem que o consumo de alho pode estar associado a melhoras em marcadores de risco cardiovascular relacionados à hipertensão, como redução dos níveis de lipídio ou manutenção dos níveis de açúcar ou ainda ações anti-inflamatórias. O alho também é bastante investigado pelas propriedades antitumorais, em relação à proteção contra câncer de estômago e cólon.

No entanto, essas pesquisas ainda esbarram em limitações: é difícil estabelecer um controle adequado para avaliar o impacto de outras diferenças que vão além do próprio alho, como uma dieta balanceada de modo geral e a presença de fatores de risco externos.

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Outro ponto a considerar é que há pouca biodisponibilidade das substâncias benéficas do alho. Em geral, os estudos utilizam esses compostos extraídos do alimento e em concentrações muito maiores do que você encontraria na versão in natura. Ou seja: apesar de ser um alimento saudável que merece entrar na rotina, não dá para cravar que o alho cru fará tudo aquilo que os entusiastas prometem.

E sobre o suplemento de alho?

Os benefícios são normalmente atribuídos à alicina, que pode ser responsável pela característica anti-inflamatória, além de também conferir ao alimento a capacidade antioxidante. E, embora o alho seja bastante estudado, assim como seus benefícios, a maioria dos suplementos comerciais não têm quantidades relevantes do composto.

Além disso, os diversos compostos no alho atuam sinergicamente e, juntos, podem impactar a dimensão dos benefícios. Por outro lado, selecionar um único composto pode não resultar em efeito algum, especialmente quando a ciência não tem certeza sobre como funcionam os mecanismos de ação e interação entre eles.

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Vale também uma ressalva: normalmente, o alho é considerado perfeitamente seguro, mas algumas pessoas podem sofrer irritações gástricas, desconforto gastrointestinal e odor corporal quando o consomem em altas doses, então vale ficar de olho se esse alimento produz algum efeito indesejado no seu caso.

Já em relação à suplementação, as evidências de segurança e eficácia são muito mais fracas, e os efeitos colaterais não são totalmente mapeados. Na dúvida, prefira sempre a versão natural.

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