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Sinais de depressão e ansiedade dobraram em jovens na pandemia, diz estudo

Uma revisão de pesquisas estimou o impacto da crise do coronavírus na infância e adolescência

Por Priscila Carvalho, da Agência Einstein* Atualizado em 17 ago 2021, 09h48 - Publicado em 16 ago 2021, 12h02

Uma revisão recente de 29 pesquisas concluiu que os sintomas de ansiedade e depressão entre crianças e adolescentes dobraram após o início da pandemia de coronavírus. O trabalho, que reuniu dados de 80 879 jovens com 18 anos ou menos de diversos países, foi publicado no respeitado periódico científico JAMA Pediatrics.

Antes da pandemia, levantamentos sugeriam que sintomas depressivos eram comuns a 12,9% desse grupo. Já durante a crise do coronavírus, essa taxa subiu para 25,2%. Os sinais ansiosos por sua vez, aumentaram de 11,6% para 20,5%. E o índice tendia a ser maior conforme o avanço da pandemia.

Só é importante destacar que sintomas depressivos ou ansiosos não são sinônimo de depressão ou transtorno de ansiedade generalizada. Esse diagnóstico depende de vários critérios, e é individualizado.

Na revisão, os pesquisadores sugerem que a falta de convívio social, o aumento do estresse na família e a limitação de certas atividades estão entre as hipóteses para a piora no bem-estar mental. Eles pedem para que instituições e governos implementem medidas para impedir eventuais avanços de doenças psiquiátricas na infância e adolescência. E, claro, que façam de tudo para conter os casos de Covid-19.

“Todos nós estamos cansados. Já são quase dois anos de uma mudança brusca na rotina”, afirma Milena Fernandes, neuropsicóloga da ViBe Saúde, que tem especialização pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo.

A médica da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Camilla Pereira Alves, ressalta que as manifestações da depressão entre os jovens têm suas particularidades: “Nas crianças, é comum observar irritação, ou uma birra mais intensa, que é confundida com má criação. Isso precisa ser observado”, exemplifica.

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Em adolescentes, depressão e ansiedade formam um conjunto de sentimentos ainda mais complexo — é nessa fase que se constrói uma identidade e a convivência com os pares. Mau humor, alterações de sono, agressão verbal e desinteresse por atividades cotidianas podem sugerir problemas. Principalmente se prolongados, merecem atenção dos responsáveis. Um especialista ajuda bastante nesse cenário.

Em todas as fases de vida, tristeza, melancolia e choro frequente também sinalizam condições psiquiátricas.

Tratamento adequado

Individualização é palavra de ordem no atendimento a pacientes com depressão e ansiedade, independentemente da faixa etária. “O ideal é procurar um profissional de saúde mental para direcionar a estratégia, que envolve acompanhamento psicológico e, muitas vezes, medicamentos”, ressalta Camilla.

Conforme o quadro vai se estabilizando, os especialistas ajudam a ajustar a rotina, com foco na promoção do bem-estar. “Mudanças de hábito são importantes. Elas incluem uma alimentação saudável, a prática de atividade física e a valorização do sono”, conclui a psiquiatra. Negar o problema, por outro lado, costuma ser extremamente deletério.

*Esse texto foi originalmente publicado na Agência Einstein.

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