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Doenças psiquiátricas causariam problemas cardiovasculares

Além de prejudicarem a saúde mental, disfunções como esquizofrenia e depressão afetam o coração

Por Ana Luísa Moraes - 18 May 2017, 13h38

A comunidade científica já sabe que pessoas com distúrbios mentais severos vivem de dez a 15 anos a menos do que a população em geral. Mas por quê? Um estudo da King’s College London, na Inglaterra, coloca os problemas cardíacos e os derrames como grandes culpados por isso.

Segundo o levantamento, pacientes com depressão, esquizofrenia ou transtorno bipolar têm risco 78% aumentado de desenvolver doenças cardiovasculares em longo prazo. Elas também apresentam uma probabilidade 85% maior de morrer desses problemas do que outros indivíduos de mesma idade.

A pesquisa é a maior já realizada sobre o assunto: foram analisados 92 estudos de quatro continentes, o que somou 16 países diferentes. Essas investigações somam, ao total, mais de 116 milhões de participantes.

O que está por trás desse elo

Os especialistas britânicos argumentam que o uso de antipsicóticos está associado a um maior índice de massa corporal entre os pacientes psiquiátricos, o que ajudaria a justificar suas descobertas. De acordo com médicos da Universidade de Melbourne, na Austrália, esses dois fatores de fato podem estar ligados.

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Em uma avaliação de 2011, eles apontaram que aqueles que usaram determinados medicamentos para perturbações na cabeça tiveram um acréscimo de até 12% no peso em apenas seis meses. Esses achados reforçam a importância de os profissionais ficarem atentos a todos os possíveis efeitos colaterais dos  remédios.

Além disso, especula-se que certos distúrbios podem prejudicar a incorporação de hábitos equilibrados — que envolvem exercício físico, alimentação balanceada, sono adequado e pouco estresse. É plausível ainda que depressão, bipolaridade e afins dificultem a adesão a eventuais tratamentos contra hipertensão, diabete, colesterol alto…

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“Pessoas com doenças mentais severas morrem muito mais cedo do que aqueles sem os transtornos.”, disse Brendon Stubbs, que participou da pesquisa da King’s College, em um comunicado. “Mas a maioria desses óbitos prematuros podem ser evitados com cuidados que priorizam mudanças no estilo de vida e a prescrição cautelosa de antipsicóticos”, finaliza.

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