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Boreout: o que é a “síndrome do tédio” no trabalho, oposta ao burnout

Problema não é considerado uma doença, mas pode abalar a saúde mental por sua relação com autoestima baixa e sensação de falta de sentido no emprego

Por Maurício Brum 10 ago 2026, 10h41
Homem barbudo de óculos e camisa verde-clara, apoiando o rosto na mão, escreve em um caderno enquanto uma mulher trabalha ao fundo em um escritório moderno com post-its na parede
Frustração com falta de desafios e subutilização no trabalho são sintomas definidores do boreout (Vitaly Gariev/Magnific)
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Boreout: o que é a “síndrome do tédio” no trabalho, oposta ao burnout Priorizar nos meus resultados Google

A essa altura, todo mundo já ouviu falar de burnout, doença ocupacional relacionada ao excesso de carga e pressão no trabalho. Mas bem menos gente ouviu falar do “oposto” desse problema: o boreout, uma suposta síndrome que seria causada pelo tédio e pela falta de estímulos suficientes no contexto laboral.

Embora não seja novo, o termo começou a ganhar tração recentemente, impulsionado por pessoas que relatam frustração com rotinas repetitivas e pouco desafiadoras.

Para quem sofre com burnout, a noção até tem sido encarada como piada: será verdade que alguém pode se incomodar por não ter tanta cobrança assim no lugar onde trabalha?

Entenda melhor o que é, afinal, o tal boreout.

É possível ficar mal por estar entediado no trabalho?

Pode ser que isso surpreenda muitas pessoas que gostariam de uma rotina menos estressante, mas a resposta é sim! Diferentes estudos ao redor do mundo têm demonstrado que, dependendo do contexto, muitos trabalhadores relatam sentimentos psicologicamente negativos relacionados a um trabalho com poucas demandas.

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Mas vale não se deixar levar pelo “bore” de boreout: não é só o tédio que está entre as reclamações de quem diz sofrer com esse problema. As pessoas que se sentem nessa situação relatam também uma sensação de falta de sentido naquilo que fazem e pouca perspectiva de crescimento na carreira, enxergando-se como estagnadas.

Um dos trabalhos mais robustos da área, feito em 2021 na França, compilou questionários de mais de 500 trabalhadores tentando entender as razões para o boreout no país. A pesquisa estabeleceu quatro eixos por trás da “síndrome”: sensação de que a carga de trabalho era insuficiente, falta de estímulos no emprego, sentimento de culpa relacionado ao trabalho, e incompatibilidade entre os valores pessoais e a própria realidade laboral.

Apesar dos avanços em pesquisas na área, o boreout ainda engatinha na comparação com o burnout quando o assunto são estudos científicos sobre o problema.

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Boreout x burnout: entenda as diferenças

Os dois são definidos como “opostos”. Mas o que isso significa?

Como ocorre

  • Burnout Relacionado ao excesso de exigências no trabalho, com uma rotina estressante marcada por muitas demandas e pressão.
  • Boreout – Falta de estímulo no trabalho, com sensação de realização de tarefas sem sentido ou subutilização no contexto laboral.
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Sintomas típicos

  • Burnout – Exaustão, insônia, ansiedade, despersonalização e queda de desempenho no trabalho.
  • Boreout – Tédio, culpa, baixa autoestima, depressão e apatia.

Consequências no trabalho

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  • Burnout – O problema está associado a um maior risco de afastamento do trabalho mediante atestado médico.
  • Boreout – Estudos indicam que pessoas que sentem ter a “síndrome” apresentam mais intenção de sair do emprego do que trabalhadores satisfeitos. No entanto, a falta de um diagnóstico formal torna menos provável o afastamento por licença médica.

Reconhecimento científico e médico

  • Burnout – Descrito originalmente na década de 1970, tem um histórico mais extenso de pesquisas por trás do conceito e foi reconhecido no CID-11 em 2022.
  • Boreout – Conceito muito mais recente, cunhado já no século 21, conta com menos trabalhos buscando entender o fenômeno. Ainda não é (e provavelmente não será) um diagnóstico reconhecido oficialmente.
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