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Varicocele: o que é, sintomas, tratamento e quando causa infertilidade

Entenda a condição que afeta as veias do saco escrotal e é a principal causa de infertilidade masculina

Por Layla Shasta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 out 2026, 15h47
Dois ovos brancos com veias vermelhas pintadas, simulando testículos, sobre um tecido jeans azul escuro, com a costura central da calça visível
Varicoceles são alterações nos testículos semelhantes às varizes. (Imagem ilustrativa gerada com apoio de Inteligência Artificial/Veja Saúde)
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Muito parecida com as varizes que surgem nas pernas, a varicocele é uma dilatação anormal das veias que ficam dentro do saco escrotal, a bolsa de pele que envolve os testículos.

Considerada comum, ela ocorre em aproximadamente 15% de todos os homens e não costuma causar sintomas.

No entanto, em alguns casos, podem surgir dor na região, redução no tamanho dos testículos e veias dilatadas perceptíveis ao toque e à vista.

Além disso, a condição preocupa porque é a causa mais comum de infertilidade masculina, chegando a ser encontrada em até 40% dos homens inférteis, segundo estudos.

Para entender o que acontece, vale conhecer um pouco da anatomia e do funcionamento da circulação sanguínea nessa região.

Como se forma uma varicocele?

Ao redor dos testículos e do cordão espermático — estrutura que conecta cada testículo ao abdômen e contém vasos sanguíneos, nervos e o ducto que transporta os espermatozoides — existe uma rede de pequenas veias chamada plexo pampiniforme.

Essa rede tem duas funções importantes: drenar o sangue dos testículos e ajudar a regular sua temperatura. Isso é relevante especialmente porque a produção de espermatozoides depende de uma temperatura ligeiramente inferior à do restante do corpo.

Em condições normais, o sangue circula por essas veias e depois volta em direção ao coração, contando com a ajuda de válvulas no interior dos vasos que ajudam a impedir que ele retorne no sentido contrário pela ação da gravidade.

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Quando esse processo fica prejudicado, porém, o sangue pode se acumular nas veias, que se dilatam e ficam tortuosas. Essa alteração caracteriza a varicocele.

Isso pode ocorrer por falhas no funcionamento das válvulas ou por características anatômicas da circulação venosa do paciente.

“Consequentemente, o sangue circula com menor velocidade, dilatando as veias e causando aumento da temperatura testicular”, resume Carlo Passerotti, urologista e chefe do Centro Especializado em Urologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Isso pode elevar a pressão dentro dos vasos e alterar o ambiente ao redor dos testículos, com possíveis impactos sobre sua função.

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Sinais e sintomas

A varicocele geralmente ocorre no lado esquerdo do escroto e, muitas vezes, não apresenta sinais ou sintomas. Aliás, geralmente, o quadro passa despercebido ao longo da vida e não causa problemas de fertilidade.

Entre os sinais, é comum que, na adolescência, o paciente se queixe do aumento de um dos testículos. “Ele vê um volume maior na bolsa testicular e nota que está aumentado em relação ao outro lado”, diz o médico.

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Outros sintomas incluem dor ou desconforto, acompanhados de sensação de peso no escroto, que tendem a piorar quando a pessoa fica em pé, e um conjunto de veias dilatadas que pode dar à bolsa escrotal uma aparência semelhante à de um saco de minhocas.

Diagnóstico

O diagnóstico geralmente começa com uma consulta ao urologista.

No consultório, o médico examina a região do saco escrotal, com o paciente em pé e deitado, e pode pedir que ele faça a chamada manobra de Valsalva, que consiste em fazer força como se fosse evacuar, aumentando temporariamente a pressão dentro do abdômen.

Esse procedimento pode tornar as veias dilatadas mais perceptíveis.

Além disso, o médico pode solicitar uma ultrassonografia com Doppler quando o exame físico não é conclusivo, há suspeita de outra condição ou é necessário avaliar melhor a circulação sanguínea.

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Depois dos testes, a varicocele pode ser classificada em graus:

  • Grau I: é percebida principalmente durante a manobra de Valsalva, pela palpação;
  • Grau II: pode ser identificada pela palpação mesmo sem a manobra;
  • Grau III: as veias dilatadas são visíveis e palpáveis.

Se houver preocupação com a fertilidade, o espermograma pode ajudar a avaliar a concentração, a motilidade e a morfologia dos espermatozoides. Outros exames, incluindo dosagens hormonais, podem ser indicados conforme o caso.

Como a varicocele pode afetar a fertilidade?

Ainda não existe uma explicação única para a relação entre varicocele e fertilidade. Mas há diversas teorias.

Segundo Passerotti, uma das causas possíveis é o aumento da temperatura no testículo decorrente do problema na circulação sanguínea.

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Para ter ideia, o urologista explica que o órgão fica “fora do corpo” do homem justamente porque precisa de uma temperatura um a dois graus menor do que o restante do organismo. 

“E uma das teorias é a de que o aumento da temperatura lesa as células da região”, diz o médico. Acredita-se que a destruição das células libere fragmentos de proteínas no sangue que levam à produção de anticorpos no corpo para atacá-los.

“Com isso, é como se o corpo atacasse o testículo e impedisse que ele funcionasse normalmente, comprometendo a fertilidade”, comenta.

Mas é importante reforçar que ter varicocele não significa ser infértil. Muitos homens com a condição conseguem ter filhos naturalmente.

Quadro afeta os níveis de testosterona?

É possível que sim. A varicocele pode causar três problemas principais: além da infertilidade e das dores, também pode ocorrer diminuição da produção de testosterona pelos testículos.

Segundo explica Passerotti, isso acontece porque o aumento da temperatura e as alterações na circulação sanguínea também podem prejudicar o funcionamento das células responsáveis por produzir esse hormônio.

A varicocele pode ser prevenida?

Não existe uma estratégia comprovada para prevenir a varicocele. Como seu desenvolvimento está relacionado à anatomia e ao funcionamento da circulação venosa, ela não é simplesmente consequência de exercícios físicos, relações sexuais, masturbação ou falta de higiene.

Medidas como usar roupas mais confortáveis e evitar atividades que agravem a dor podem aliviar os sintomas, mas não corrigem a varicocele.

Tratamento

A varicocele geralmente não precisa de tratamento. A maior parte dos homens pode apenas fazer acompanhamento. No caso dos adolescentes, o médico monitora o crescimento dos testículos ao longo do tempo.

Em caso de dor relevante, atrofias ou problemas de fertilidade, pode ser feita uma cirurgia chamada varicocelectomia.

O procedimento consiste em fechar ou interromper a circulação nas veias dilatadas que estão causando o problema. Assim, o sangue passa a seguir por outras veias saudáveis.

A cirurgia convencional para tratar a varicocele é feita por meio de uma pequena incisão na região da virilha ou na parte inferior do abdômen, dependendo da técnica utilizada.

Outra alternativa é a embolização, procedimento minimamente invasivo que não exige uma incisão cirúrgica na região do escroto.

Por meio de uma pequena punção na pele, geralmente na virilha ou no pescoço, o médico introduz um cateter — tubo fino e flexível — em um vaso sanguíneo e o conduz até as veias afetadas.

 

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