Tipos de câncer de mama: veja quais são e entenda as diferenças entre eles
Médicas explicam o que é avaliado no diagnóstico que afeta 78 mil mulheres anualmente e reforçam a importância do tratamento individualizado
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), 78 mil novos casos de câncer de mama serão diagnosticados no Brasil a cada ano até 2028.
Ele, porém, não é uma doença única. Trata-se de um conjunto de diferentes tumores que podem aparecer nas mamas, cujas particularidades precisam ser bem compreendidas pelos médicos, pois são elas que definem o tratamento mais adequado a cada caso.
Na hora de fechar o diagnóstico, os especialistas avaliam o grau de agressividade da doença (se ela tende a evoluir lenta ou rapidamente), se ela responde a certos estímulos (como hormônios e proteínas), se há influência de mutações genéticas e o quão localizado ou disseminado está o quadro, entre outros detalhes.
“As mulheres chegam ao consultório cheias de dúvidas, angústias e medo, pensando que correm risco de morte iminente por terem câncer. Mas hoje há estratégias que aumentam muito a sobrevida e as chances de cura da doença — principalmente quando o diagnóstico é precoce”, tranquiliza a oncologista Sabrina Chagas, do Oncologia D’Or, no Rio de Janeiro (RJ). “Para isso, o olhar precisa ser individualizado.”
A seguir, entenda o que é levado em consideração no diagnóstico e quais são os tipos mais comuns e raros da doença.
Como é feito o diagnóstico?
Geralmente, os casos da doença são rastreados durante exames de imagem, sendo o principal deles a mamografia. “Ela é feita com um equipamento de raio-X projetado para visualizar estruturas e lesões muito pequenas com alto grau de detalhamento”, descreve a médica radiologista Flora Finguerman, coordenadora de Imagem em Mama da Dasa.
A especialista explica que a mama é composta pelos tecidos glandular, gorduroso e conjuntivo, que possuem densidades muito semelhantes. “Quando o mamógrafo comprime a mama, o equipamento ajuda a separar e espalhar esses tecidos, permitindo que o radiologista identifique e diferencie o tecido normal de nódulos benignos ou tumores de até mesmo poucos milímetros”, detalha.
A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) orienta que toda mulher realize a mamografia anualmente a partir dos 40 anos. Desde 2025, o exame pode ser realizado a partir desta idade pelo Sistema Único de Saúde, mediante solicitação médica e decisão compartilhada pelo profissional da saúde e a paciente.
Pela imagem, os médicos conseguem deduzir se o tumor tem mais características benignas ou malignas, mas o diagnóstico só é fechado mesmo após a biópsia, que dá “nome e sobrenome” ao tumor.
“O resultado da biópsia é dividido em duas partes: o anatomopatológico [que analisa a estrutura e composição das células do tumor] e a imuno-histoquímica. Esse último é o que confere o tal ‘sobrenome’ do tumor, com base na análise de receptores hormonais e uma proteína chamada HER2”, explica a oncologista Marina Sahade Gonçalves, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
O tratamento é personalizado com base nesses critérios.
O que é avaliado?
Segundo as especialistas, o câncer é avaliado conforme suas características clínicas, anatômicas e moleculares — informações que só são confirmadas após a biópsia.
No processo, é averiguada a invasividade do tumor, ou seja, se ele está bem localizado (in situ) ou se é infiltrante, se tem a capacidade de infiltrar por outros tecidos.
Também é classificado o estadiamento, ou seja, o quão disseminada pelo corpo está a doença — os linfonodos ou gânglios axilares foram atingidos? Há tumores em outros órgãos? Exames de imagem, como a própria mamografia e testes complementares como o ultrassom de abdômen, tomografias, cintilografia óssea ou PET-CT oncológico, podem dar essas respostas.
Além disso, são avaliadas a presença de receptores para estrogênio e progesterona (que preveem a resposta à hormonioterapia), se o tumor expressa a proteína HER2 (importante para definição do melhor tratamento) e a velocidade com a qual as células cancerígenas se multiplicam (definida pelo índice Ki-67).
Dessa forma, o tumor pode ser positivo para o receptor de estrogênio (RE+), o receptor de progesterona (RP+) ou para ambos. Isso indica que o bloqueio hormonal deve ser parte do tratamento, porque os hormônios podem estar sendo usados como “combustível” para os tumores.
Outro “motor” para os cânceres pode ser a proteína HER2. Ela está fica localizada na membrana das nossas células e, quando presente em quantidade normal, atua na regulação da divisão celular. Alguns tumores podem ser HER2+, ou seja, apresentam essa proteína em excesso. Isso está associado a um padrão de crescimento mais rápido e agressivo do que os tumores HER2-.
Em caso de HER2+, o tratamento inclui o uso de terapias-alvo, isto é, medicamentos (como anticorpos monoclonais, anticorpos-droga conjugados e inibidores de tirosina quinase) que bloqueiam a expressão da proteína, combatem o avanço do tumor.
Analisados todos os fatores, a equipe médica identifica o subtipo do câncer de mama (como o luminal A, luminal B, HER2 positivo ou triplo-negativo) para definir um tratamento completamente individualizado.
Tipos mais comuns de câncer de mama
Os principais nomes que você pode ouvir no diagnóstico são estes:
Carcinoma ductal: Tumor localizado nos ductos de leite, que pode ser in situ ou invasivo. Chega a corresponder a 80% dos casos, em algumas populações.
Carcinoma lobular: Tumores localizados nos lóbulos, ou seja, nas glândulas onde o leite é produzido. Também pode ser in situ ou invasivo.
Triplo-negativo: Podem surgir em diversas estruturas da mama, o diferencial é que eles não possuem receptores de estrogênio nem progesterona, e não expressam a proteína HER2. Sendo assim, a hormonioterapia não é uma opção de tratamento, mas o tumor pode ser combatido com outras estratégias.
Entre os tipos mais raros, que correspondem a até 5% dos casos, destacam-se o câncer de mama inflamatório, caracterizado pela ausência de tumor e presença de inflamação do tecido mamário (inclusive da pele, que fica com um aspecto de casca de laranja).
Na Doença de Paget, o câncer atinge principalmente o mamilo e a aréola. Além disso, a mama também pode sofrer com sarcomas, cânceres que se desenvolvem nos tecidos de sustentação e conjuntivos do corpo.







