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Morre Patrick Stewart: entenda o Alzheimer e a demência com corpos de Lewy

Conhecido por interpretar Jean-Luc Picard, em Star Trek, e Professor Xavier, em X-Men, ator britânico faleceu nesta quinta-feira (29)

Por Redação VEJA Saúde 29 out 2026, 18h48 | Atualizado em 29 out 2026, 21h17
Patrick Stewart, ator britânico, sorrindo levemente, com a cabeça calva e barba rala grisalha, vestindo blazer verde-escuro e camisa branca, em fundo preto
Patrick Stewart marcou gerações com personagens da cultura geek. (Magnific/Magnific)
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Morreu, aos 86 anos, o ator britânico Patrick Stewart, que se tornou um ícone da ficção científica ao interpretar personagens como o capitão Jean-Luc Picard, na franquia Star Trek, e o Professor Xavier, em X-Men.

O óbito foi confirmado nesta quinta-feira, 29, por sua porta-voz Kelly Bush Novak. 

A causa da morte não foi revelada, mas, segundo Novak, o artista vinha em uma “jornada” com os diagnósticos de demência com corpos de Lewy e doença de Alzheimer.

As duas são condições neurodegenerativas progressivas que afetam o funcionamento do cérebro e podem comprometer a memória, o raciocínio, o comportamento e a autonomia.

Embora tenham características distintas, elas podem coexistir na mesma pessoa. A seguir, entenda o que caracteriza cada uma.

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Demência com corpos de Lewy

A demência com corpos de Lewy é a segunda principal causa de demência neurodegenerativa, ficando atrás apenas da doença de Alzheimer.

A condição está associada ao acúmulo anormal de uma proteína chamada alfa-sinucleína nos neurônios, as células responsáveis pela transmissão de informações no sistema nervoso.

Esses depósitos, conhecidos como corpos de Lewy, dão nome ao quadro — e também estão relacionados à doença de Parkinson.

Em condições normais, a alfa-sinucleína participa do funcionamento dos neurônios, especialmente dos processos envolvidos na comunicação entre essas células.

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Na doença, porém, a proteína se agrega de maneira anormal, formando estruturas que prejudicam o funcionamento celular e contribuem para a degeneração de circuitos cerebrais.

O que a doença provoca?

Os efeitos da demência com corpos de Lewy vão além da memória. Uma de suas características mais marcantes são as oscilações de atenção e lucidez.

Uma pessoa com o quadro pode parecer alerta e conversar normalmente em um momento e, pouco depois, apresentar confusão, sonolência ou dificuldade para acompanhar uma conversa.

Outro sinal característico são as alucinações visuais recorrentes. O paciente pode enxergar pessoas, crianças ou animais que não estão presentes. As imagens podem parecer tão reais que é difícil convencê-lo de que aquilo que viu não estava ali.

A doença também pode afetar os movimentos, provocando rigidez muscular, lentidão, tremores, passos curtos e dificuldade para manter o equilíbrio. Essas manifestações são semelhantes às observadas na doença de Parkinson.

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O sono é outra peça importante desse quadro. Algumas pessoas apresentam o chamado distúrbio comportamental do sono REM, condição em que indivíduos falam, gritam ou movimentam os braços e as pernas enquanto dormem, como se estivessem encenando o que acontece no mundo dos sonhos.

Quais são as causas?

Ainda não se sabe exatamente por que a alfa-sinucleína passa a se acumular de maneira anormal no cérebro. Mas acredita-se que a doença resulte de uma combinação de fatores biológicos, genéticos e relacionados ao envelhecimento.

No entanto, ainda que determinadas variantes genéticas possam aumentar o risco, a maioria dos casos não é diretamente herdada dos pais.

Além disso, a idade avançada é um dos principais fatores associados à doença, mas ela não é uma consequência inevitável do envelhecimento.

Também não há evidências de que a condição seja causada, por exemplo, por falta de estímulo intelectual, estresse ou algum comportamento específico. Até o momento, também não existe uma estratégia comprovada capaz de prevenir todos os casos.

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Qual é a diferença entre demência com corpos de Lewy e Alzheimer?

A doença de Alzheimer é a principal causa de demência no mundo e também provoca uma deterioração progressiva das funções cerebrais.

Diferentemente da demência com corpos de Lewy, ela está associada a alterações no processamento e no acúmulo de proteínas, especialmente a beta-amiloide e a tau, que contribuem para danos às conexões entre os neurônios e para a perda progressiva dessas células.

Além disso, a grande diferença entre as duas condições está nas alterações cerebrais envolvidas e nos sintomas que costumam aparecer primeiro.

No Alzheimer, a dificuldade para guardar informações recentes e lembrar acontecimentos costuma ser uma das manifestações iniciais mais evidentes.

Já na demência com corpos de Lewy, a memória também pode ser afetada, mas nem sempre é o principal problema no início. Podem chamar mais atenção as tais oscilações de atenção e lucidez, as alucinações visuais e os distúrbios do sono, por exemplo.

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Com a progressão do Alzheimer, as dificuldades cognitivas podem comprometer cada vez mais a autonomia, prejudicando atividades como preparar refeições, administrar dinheiro, tomar banho e se vestir. A evolução ocorre ao longo de anos, mas o ritmo e a intensidade dos sintomas variam de pessoa para pessoa.

Apesar das diferenças, os quadros não são mutuamente excludentes. Uma pessoa pode apresentar alterações cerebrais características das duas doenças, o que torna a avaliação clínica ainda mais importante.

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