Netinho e anabolizantes: entenda polêmica com médico que tratou o cantor
Uso de "bomba" em 2013 teria desencadeado problemas de saúde graves no artista. Médico acusado levou o caso à justiça
A morte do cantor Netinho, nesta terça-feira (13), em decorrência de um linfoma não Hodgkin, voltou a chamar atenção para uma das grandes polêmicas que marcaram a vida do artista: as acusações feitas por ele contra o médico Mohamad Barakat, a quem responsabilizou por problemas de saúde sérios que enfrentou em 2013.
Segundo Netinho, o profissional teria receitado o uso de anabolizantes como parte de um tratamento de reposição hormonal. O artista atribuiu as crises enfrentadas na época às substâncias que, de acordo com seu próprio relato, teriam sido utilizadas sem que ele fosse devidamente conscientizado sobre os perigos.
Anos mais tarde, Barakat processaria Netinho alegando danos morais. O cantor chegou a ser impedido temporariamente de falar publicamente sobre o caso, mas acabou não precisando indenizar o médico.
Relembre a polêmica.
Trocas de acusações entre Netinho e Barakat
Netinho ficou próximo da morte em abril de 2013, quando foi diagnosticado com tumores no fígado. Durante o procedimento para a biópsia hepática, o artista acabou sofrendo uma hemorragia severa, levando a um longo ciclo de tratamentos e internações.
Embora as alterações no fígado tenham se revelado benignas, ao longo daquele ano Netinho também enfrentou uma infecção generalizada e três acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
A longa reabilitação fez o artista passar quatro meses internado, até agosto daquele ano. No começo de 2014, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, Netinho falou pela primeira vez dos problemas de saúde e relatou que eles teriam sido causados pelo uso de anabolizantes.
Na época, embora tenha dito que as substâncias foram vendidas pelo médico que o atendeu, o cantor não chegou a nomear o profissional. Foi apenas em 2016 que, dizendo-se munido de provas, Netinho trouxe a público o nome de Mohamad Barakat.
Acusações contra o médico não eram novas: em 2013, antes mesmo de Netinho falar sobre o caso, uma matéria da Veja São Paulo já havia citado o médico como um daqueles que “receitam bombas” na cidade. O então repórter Sérgio Ruiz Luz relatava, no texto, que recebeu a indicação de anabolizantes após um exame de sangue medindo os níveis de testosterona, em uma consulta de apenas meia hora.
O Dr. Barakat viraria réu em uma ação do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) em 2016, como consequência de uma sindicância aberta após a reportagem da revista.
Especificamente em relação ao caso de Netinho, a defesa do médico apontava a distância temporal entre a indicação das substâncias e a internação do artista, alegando ser impossível estabelecer uma causalidade entre os problemas de saúde e o tratamento. Em 2018, após ficar impedido de falar sobre o caso, a Justiça entendeu que o cantor não precisaria indenizar o médico.
Anos após a polêmica, Mohamad Barakat segue em situação regular junto ao Conselho Federal de Medicina (CFM), registrado sob o CRM 68874/SP. Seu cadastro hoje informa que ele não tem especialidade registrada.
A morte de Netinho e a relação entre câncer e anabolizantes
O problema de saúde que levou à morte de Netinho, mais de uma década depois da polêmica, foi um linfoma não Hodgkin do tipo B. O câncer atinge o sistema linfático e, no caso do artista, originou-se nos linfócitos B, um dos tipos de glóbulos brancos que atuam na defesa do organismo.
A maioria dos linfomas surge de forma espontânea, sem uma causa determinada. Não existe comprovação de que os problemas de saúde enfrentados pelo artista em 2013 tenham qualquer relação com a doença mais recente, que só foi diagnosticada em 2025.
O uso de testosterona em doses suprafisiológicas pode estimular o crescimento de tumores de próstata latentes e, em longo prazo, elevar o risco de câncer de fígado.







