Oferta Relâmpago: Saúde por apenas 9,90

Morte em piscina: especialistas analisam causas e alertam sobre mistura de produtos químicos

Entenda os principais erros cometidos no tratamento de piscinas

Por Layla Shasta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
11 fev 2026, 12h12 •
c4-gym-sao-lucas
Polícia investiga que produto foi usado na água (C4 Gym/Divulgação)
Continua após publicidade
  • A Polícia Civil de São Paulo investiga a morte da professora Juliana Faustino, de 27 anos, após nadar em uma piscina de academia na Zona Leste da capital. Segundo a apuração, a vítima faleceu por intoxicação.

    De acordo com o delegado que conduz o caso, acredita-se que uma combinação de químicos tenha sido manipulada próxima ao local onde acontecia a aula de natação, liberando um gás tóxico que causou asfixia nos alunos.

    A hipótese da polícia é de que a toxina tenha sido liberada enquanto o tratador da piscina — contratado, na verdade, como manobrista da academia — combinava o uso de desinfetante à base de cloro, para a limpeza da água, e outro produto, ainda não identificado. Outras cinco pessoas, incluindo o marido de Juliana, também foram afetadas.

    Embora sejam chamados popularmente de “cloro”, os produtos usados para tratamento de piscinas, assim como a água sanitária, são, na verdade, desinfetantes à base deste elemento químico. Os produtos usados pelos “piscineiros” contêm, geralmente, compostos como o hipoclorito de cálcio, um pó branco com teor de cloro ativo de 65% a 70%.

    O cloro em si é um gás considerado tóxico. Sob condições adequadas, esses produtos se decompõem lentamente, liberando o gás cloro em pequenas quantidades, suficientes para combater micro-organismos. No entanto, se usados em excesso ou em contato com determinadas condições de acidez e temperatura da água, podem ocasionar uma alta liberação de gás. Isso torna o ambiente tóxico e tem efeitos nocivos, chegando a ser fatal.

    “Em baixas concentrações, ele é um poderoso desinfetante. Mas se for gerado em ambiente fechado, tende a se acumular na superfície em concentrações elevadas, o que é extremamente perigoso”, explica o químico Flávio Vichi, professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP).

    Continua após a publicidade

    +Leia também: Carvão ativado ajuda contra intoxicação (mas não serve para limpar dentes)

    O que pode ter acontecido em São Paulo?

    O engenheiro de aquicultura Vinícius Teixeira dos Reis, professor e diretor da empresa Piscina Fácil, explica que os principais produtos usados para tratar piscinas são os derivados de cloro, como o hipoclorito de sódio e de cálcio, e os regulares de pH geralmente uma solução de ácido clorídrico , para ajuste da acidez da água.

    Qualquer um desses dois produtos usado em excesso pode levar à liberação do gás cloro, que é corrosivo e asfixiante. Esse fenômeno é, ainda, favorecido pelas temperaturas mais altas das piscinas aquecidas, caso do equipamento da academia paulista.

    Além disso, para Reis, existem outras duas regras básicas ensinadas nos cursos para tratadores de piscina: nunca adicionar água a um produto (e sim o produto à água) e nunca misturar produtos químicos.

    A regra de não fazer misturas vale, inclusive, para os tipos de cloro entre si, como unir dicloro e hipoclorito de cálcio em um mesmo recipiente. “É o erro mais comum observado na prática, o que pode resultar em reações violentas”, explica Reis.

    Continua após a publicidade

    Diante desses cuidados necessários, Vicchi destaca que tudo indica que, em São Paulo, houve a seguinte combinação de fatores:

    • Manuseio de produto químico por uma pessoa sem conhecimento técnico;
    • Uso excessivo de hipoclorito de sódio, que torna a água mais alcalina;
    • Uso excessivo do regulador de pH, levando à produção de grande quantidade de gás cloro;
    • Piscina aquecida, o que acelera a reação;
    • Piscina em ambiente fechado, sem exposição ao sol, que destrói as moléculas de gás cloro, e com ventilação inadequada;

    Quem garante a segurança de uma piscina coletiva?

    Piscinas de uso coletivo consideradas institucionais, como as de academias, clubes e condomínios, devem ser alvo da fiscalização da Vigilância Sanitária. No caso da academia de São Paulo, é apontado que o estabelecimento, inclusive, não possuía alvará de funcionamento.

    Além disso, o Conselho Federal de Química (CFQ) determina que toda piscina pública tenha um químico, registrado no conselho, como responsável técnico.

    Continua após a publicidade

    Outra resolução do Conselho, de 2023, criou a categoria de Auxiliar Técnico da Química, exigindo qualificação e registro no CRQ para pessoas que executem atividades auxiliares na área química, incluindo o tratamento de piscinas.

    Já a profissão de piscineiro, o profissional especializado na limpeza desses equipamentos, ainda não é regulamentada. Além disso, cabe destacar que as resoluções do CFQ não têm força de lei.

    Como identificar que há algo de errado na há antes de entrar?

    Segundo Vicchi, um cheiro muito forte de cloro é um indício de que o gás está presente em excesso. “Ao sentir um cheiro forte de cloro, acima do normal, saia imediatamente para um ambiente aberto e ventilado”, orienta. 

    Já entre os sintomas de envenenamento por cloro estão irritação nos olhos, náuseas e tonturas. Em caso de algum desses sinais, é necessário pedir ajuda médica imediatamente.

    Continua após a publicidade

    Quais os cuidados necessários na limpeza de piscinas?

    Segundo Vicchi, o manuseio de qualquer produto químico deve ser feito por pessoas com o mínimo de conhecimento técnico e noção dos riscos envolvidos.

    Além disso, é  importante ter cuidado com a quantificação correta de produtos. “Muitos tratadores aplicam produtos “no olho”, sem realizar sequer um cálculo básico para determinar a dosagem adequada”, comenta Reis.

    Outra regra é o uso correto de equipamentos de proteção individuais (EPIs), como máscara, óculos de proteção e luvas. Já quanto à segurança dos banhistas, Reis reforça que o tratador deve preparar e aplicar produtos químicos apenas quando não houver pessoas utilizando a piscina.

    “A exceção são os sistemas de tratamento automáticos, que podem injetar produtos durante o uso, desde que estejam corretamente calibrados para evitar excessos”, diz.

    Continua após a publicidade

    Lucimara Ito, diretora técnica da Genco Química, marca de produtos para piscinas, também recomenda nunca adicionar água a produtos químicos e não fumar próximo a eles, além de sempre seguir as instruções das embalagens.

    Outra regra é nunca misturar qualquer produto de limpeza com água sanitária. “Além do gás cloro, podem ser geradas substâncias ainda mais tóxicas, como por exemplo as cloraminas”, diz Vicchi.

    Clique aqui para entrar em nosso canal no WhatsApp
    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    Sua saúde merece prioridade!
    Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).