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Dormir pouco (também) afeta os ossos

A privação do sono pode aumentar o risco de osteoporose e fraturas graves

Por Vand Vieira Atualizado em 7 out 2019, 18h47 - Publicado em 5 abr 2017, 19h08

Assim como a pele, o esqueleto está sempre se renovando. Ou seja, trechos desgastados são absorvidos e cedem espaço para uma matéria prima novinha em folha. Ocorre que, de acordo com um grupo de cientistas ligados à Endocrine Society, nos Estados Unidos, dormir menos do que o necessário — em média, oito horas diárias — bagunça esse processo e abre as portas para a osteoporose.

Chegar a essa conclusão não foi nada foi fácil. Logo de cara, dez homens foram submetidos a uma mudança drástica de hábitos: durante três semanas, eles só podiam pregar os olhos por até seis horas. E, para piorar, eram obrigados a ir para cama sempre quatro horas depois do horário da noite anterior! A ideia era desregular o relógio biológico desses voluntários de maneira semelhante à que acontece com quem trabalha por turnos ou vive em uma eterna ponte aérea entre países com fusos horários diferentes.

Tendo em mãos os resultados dos exames de sangue feitos nessa turma antes e depois de tamanho sofrimento, os experts notaram que todos apresentaram redução nos níveis de P1NP, um importante indicador da reciclagem dos ossos. Logo, o esqueleto continuou a envelhecer e a ser absorvido normalmente, mas o ritmo de sua reposição despencou. Daí a osteoporose e as consequentes fraturas tendem a dar as caras.

Outra descoberta surpreendente é que os mais jovens seriam os mais prejudicados nessa história. Veja: os participantes na faixa etária de 20 a 27 anos tiveram um declínio de 27% na taxa de P1NP, enquanto aqueles que passaram da quinta década de vida observaram uma queda de 18%.

Apesar do estudo ser um dos destaques do 99º encontro da Endocrine Society’s, que acontecerá no fim desta semana, seus autores ressaltam que novos trabalhos precisam ser realizados para confirmar a relação. Agora, com um número maior de voluntários, incluindo mulheres.

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