Quem fez cirurgia bariátrica pode tomar Mounjaro?
Mesmo sem contraindicações absolutas, tratamento precisa ser feito com acompanhamento médico criterioso
A cirurgia bariátrica é o tratamento mais eficaz para a obesidade grave. O procedimento restringe a capacidade do estômago, fazendo com que o indivíduo reduza a ingestão de alimentos e, consequentemente, absorva menos calorias, resultando no seu emagrecimento.
Mas é possível que, em algumas pessoas, o peso volte depois de um tempo. Nesse caso, surge a dúvida: quem já passou pela bariátrica também pode fazer uso de canetas emagrecedoras como o Mounjaro?
A princípio, não existe nenhuma restrição formal para quem fez a operação. Mas a ausência da contraindicação não significa uma recomendação para todos os casos. Entenda melhor.
Para quem é indicado
A Lilly Brasil, fabricante do Mounjaro no país, não faz nenhuma indicação quanto ao uso do fármaco em pacientes bariátricos. Isso porque a medicação não foi estudada nesse grupo, pois eles não são o seu público-alvo.
O remédio é autorizado pela Anvisa para o controle crônico de peso, e o critério para a sua prescrição passa pela avaliação do índice de massa corporal (IMC). A utilização é recomendada para pessoas adultas com IMC acima de 30 ou acima de 27 com pelo menos uma comorbidade associada, como hipertensão, colesterol elevado e diabetes.
A agência também determina que o produto só seja vendido com retenção de receita pelas farmácias, pois a administração sem indicação e sem monitoramento profissional pode trazer efeitos adversos aos usuários.
Operados bariátricos podem se beneficiar da tirzepatida, mas, para ter certeza disso, é preciso analisar caso a caso com um especialista se realmente existe a necessidade de usá-la.
Quando faz sentido usar Mounjaro depois da bariátrica?
Sob a orientação de um médico, o Mounjaro pode ser usado em pacientes bariátricos para enfrentar o reganho de peso. Por mais eficaz que seja a cirurgia, nada impede que o indivíduo tenha dificuldade em manter o resultado.
Muitos fatores podem influenciar um possível reganho de peso, como a compulsão alimentar ou a resistência insulínica. Nesses casos, a tirzepatida é uma alternativa para reverter o quadro. Porém, o acompanhamento médico multidisciplinar é indispensável, principalmente porque ainda são poucas as pesquisas sobre o tema.
Também é preciso tomar cuidado com o “desmame” do remédio, pois este também pode ter um efeito rebote com reganho de peso. O tratamento com canetas emagrecedoras é contínuo, sem garantia de resultados em caso de interrupção.
Esteja atento às reações adversas
Para os pacientes bariátricos que tiverem indicação de usar Mounjaro, é ainda mais importante manter o acompanhamento médico durante todo o tratamento. Isso porque o procedimento pode deixar o organismo mais sensível e suscetível aos efeitos colaterais da caneta.
Um dos riscos é a perda de massa muscular. A bariátrica e as canetas emagrecedoras já possuem como colateral a perda de massa magra, junto com a gordura.
A redução na absorção de nutrientes (devido à redução do estômago) associada à perda de apetite causada pelo medicamento podem provocar hipoglicemia e desnutrição se o paciente não se policiar para comer um volume mínimo diário e inserir proteínas na sua dieta.
O Mounjaro também pode aumentar as chances de náuseas, vômitos e desidratação, ao retardar o esvaziamento do estômago para diminuir o apetite, o que pode causar esses efeitos colaterais. O problema é que, em um estômago já reduzido, esse risco aumenta.
Por isso, é preciso acompanhar de perto os efeitos do tratamento no corpo durante o período que se usa o remédio, sempre respeitando a orientação médica.






