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Amplitude térmica: mudança brusca de temperatura faz mal à saúde

Fenômeno pode levar à queda da imunidade e ao aparecimento de sintomas respiratórios, principalmente em pessoas mais vulneráveis como crianças e idosos

Por Lucas Rocha
Atualizado em 30 ago 2023, 15h44 - Publicado em 30 ago 2023, 14h57

Recentemente, cidades como São Paulo e Rio de Janeiro viveram altas temperaturas, seguidas por dias de frio mais intenso. Para esta semana, que começou com um clima mais ameno, a previsão é de que os termômetros voltem a subir.

O fenômeno conhecido como amplitude térmica indica a diferença entre a temperatura mínima e máxima registradas em determinado local em um período de tempo. Quando os valores são muito distantes, diz-se que há uma alta amplitude térmica. Essas variações podem comprometer a saúde, especialmente quando acontecem no mesmo dia.

O bom funcionamento do corpo humano depende de diversos mecanismos associados ao equilíbrio. Um deles diz respeito à nossa temperatura corporal.

Quando somos submetidos a mudanças bruscas, o organismo intensifica um processo chamado termorregulação, com o objetivo de manter essa harmonia interna.

O trabalho extra, somado às características climáticas, pode levar à queda da imunidade e ao surgimento de sintomas respiratórios, principalmente em pessoas mais vulneráveis como crianças, idosos e pacientes com doenças crônicas e inflamatórias.

+ Leia também: Com mundo mais quente, aumenta o impacto das mudanças climáticas na saúde

Defesas abaladas

O sistema imunológico nos defende contra diferentes micro-organismos que causam infecções, como vírus e bactérias, além de estar atento às células que prejudicam o corpo humano, como aquelas relacionadas ao câncer.

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Oscilações térmicas exageradas também fazem com que o sistema imune tenha que agir para manter o equilíbrio.

Esse “gasto” leva a uma queda na imunidade, como explica a médica infectologista Raquel Muarrek, da Rede D’Or.

“As pessoas podem apresentar quadros clínicos, principalmente respiratórios. E o fato de ficarmos mais em ambientes fechados nessa época do ano favorece esse risco, pela baixa circulação do ar”, diz a médica.

Nesse contexto, é comum o aumento de casos de sinusite, gripes e resfriados, além do agravamento de condições como rinite alérgica, asma, bronquite e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

+ Leia também: Como consumir mais vegetais no inverno

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Especialistas recomendam evitar ao máximo a exposição ao choque térmico (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil/Divulgação)

Porta de entrada para infecções

Além do impacto sistêmico, a alternância climática repentina provoca abalos locais.

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Vejamos o nariz. O órgão é capaz de se adaptar a condições climáticas diversas, como o calor de um deserto ou o frio de uma região montanhosa, por exemplo. No entanto, nos tempos atuais, a situação muda.

“Dias de muita oscilação, em que temos a combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade do ar, fuligem e poluição atrapalham muito nosso sistema respiratório, porque o nariz fica mais ressecado”, afirma o médico otorrinolaringologista Mohamad Saada, da Clínica Respirar.

O catarro, também chamado de muco ou secreção, é uma das formas de proteção do organismo (entenda mais aqui). Com a situação, ele muda de consistência e pode perder parte da sua eficácia.

“Com isso, ficamos mais suscetíveis a quadros virais, alérgicos e até bacterianos”, pontua Saada.

+ Leia também: Onda de frio: a alimentação ajuda a afastar infecções respiratórias?

Rinite ou sinusite: entenda as diferenças

Sinusite e rinite estão entre os incômodos mais frequentes associados à amplitude térmica. Elas são parecidas, contudo, afetam estruturas diferentes do trato respiratório.

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A sinusite é uma inflamação dos seios nasais, cavidades internas localizadas próximas ao nariz. O problema, que pode ser causado por infecções virais ou bacterianas, provoca dor de cabeça e na região da face, congestão nasal e febre.

O cuidado inclui a administração de medicamentos, de acordo com a origem do quadro, com destaque para antibióticos, no caso de agentes bacterianos.

No estado de São Paulo, houve um aumento de mais de 90% dos atendimentos por sinusite entre janeiro e junho. O levantamento da Secretaria de Estado de Saúde considerou unidades públicas de saúde e equipamentos privados vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Nesse período, foram registradas 698 internações e notificados 51.154 atendimentos ambulatoriais. Considerando o mesmo período de 2022, foram 615 hospitalizações e 26.124 atendimentos.

No caso da rinite, a inflamação atinge a mucosa do nariz. Os sinais mais comuns são coceira no nariz, na garganta, no céu da boca e nos olhos. A região também pode apresentar sintomas como ardência e vermelhidão. As crises tendem a ser acompanhadas por espirros em sequência e obstrução nasal.

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As causas são basicamente as mesmas — incluem infecções virais, bacterianas e reação alérgica. O tratamento inclui o uso de medicamentos e higienização nasal com soro fisiológico, como explica o otorrinolaringologista Marcel Menon, professor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

A lavagem diária do nariz, aliás, é indicada também para prevenir esses quadros.

“Com baixo volume de líquidos, ela pode ser feita com spray mirando a parte lateral do órgão. A única recomendação é não apertar o jato no septo, a parede que divide o lado esquerdo e direito do nariz, pois há risco de sangramento. Já o processo com alto volume deve ser aplicado com baixa pressão, sem apertar o aplicador com muita força”, explica Menon.

Como reage o coração

De acordo com o Instituto Nacional de Cardiologia, a redução brusca das temperaturas durante o inverno aumenta em 30% os riscos de problemas cardiovasculares.

Isso acontece devido ao esforço extra do coração para regular a temperatura corporal e manter o equilíbrio. Com a contração dos vasos sanguíneos, há um aumento da pressão, que ajuda a evitar a perda de calor excessiva.

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Embora seja um mecanismo natural, a chamada vasoconstrição pode levar a encrencas como infarto, dor no peito e, em casos graves, a morte súbita.

Lembrando que o calor excessivo também é perigoso para quem já tem a saúde abalada.

Como se proteger

Com o objetivo de reduzir os riscos, a infectologista Raquel Muarrek recomenda evitar ao máximo a exposição ao choque térmico.

Para isso, vale sair de casa preparado para o “efeito cebola”, ou seja, com agasalhos e peças de roupa que podem ser retiradas ao longo do dia, de acordo com o aumento da temperatura. O cuidado também é válido ao entrar e sair de locais que utilizam ar condicionado.

É bom também dar uma mão ao sistema imune com seus principais aliados: bom sono, alimentação saudável e prática regular de exercícios físicos.

A formação da imunidade depende de uma série de reações bioquímicas associadas a nutrientes como vitaminas e minerais. Quanto mais coloridas forem as refeições ao longo do dia, maiores são as chances de fortalecimento das nossas defesas.

Alimentos como verduras, frutas e legumes costumam ser boas fontes de fibras e outras substâncias benéficas. Já os itens de origem animal fornecem proteínas e grande parte das vitaminas e minerais.

Igualmente importante é manter o acompanhamento médico em dia, especialmente quando já há a presença de alguma doença crônica, como a diabetes e a hipertensão.

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