A nova doença que arruína o fígado e gera preocupação global
Condição combina dois dos fatores mais perigosos para a saúde hepática e pode encurtar os anos de vida
NASH, MASLD, MetALD… Há uma sopa de letrinhas, um tanto indigesta, a maltratar o fígado. São siglas criadas a partir dos nomes das doenças em inglês que ganharam holofotes à medida que sua prevalência pelo mundo também cresce. E há inclusive uma “nova” entidade no pedaço, cobrando atenção dos especialistas e da sociedade.
Você já deve ter ouvido que tanto a gordura como o álcool prejudicam o fígado, certo? Pois bem, enquanto já está bem estabelecido que a ingestão frequente de bebida alcoólica pode detonar o órgão, cada vez se somam mais evidências de que a esteatose hepática – o depósito gorduroso na região – também eleva o risco de cirrose e câncer com o passar do tempo.
Os casos dessa condição aumentaram vertiginosamente nos últimos anos, andando de braços dados com a epidemia de obesidade e diabetes. Daí a sigla NASH ter ganhado tanto espaço. Ela se refere à esteato-hepatite não alcoólica, ou seja, a ao acúmulo de gordura no fígado acompanhado de inflamação que não se deve primordialmente ao consumo de cerveja, cachaça e companhia.
Mas os experts começaram a notar que a NASH costuma integrar um pacote de alterações e riscos metabólicos muito mais amplo. A popular “gordura no fígado” não só abre caminho a lesões no órgão – ela inclusive está se tornando uma das principais causas globais de transplante – como colabora para o diabetes tipo 2 e eleva a propensão a doenças cardiovasculares.
Por essas e outras, os hepatologistas passaram a falar em MASLD, sigla do inglês para doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica. Estima-se que esse quadro possa afetar de 16 a 30% da população, a depender da área estudada.
Falamos de um problema de saúde pública, que concorre para a falência hepática e a perda de qualidade e expectativa de vida. Mas há outro elemento que pode se conectar a essa história.
Gordura + álcool = MetALD
Ao avaliarem os hábitos e as alterações hepáticas de seus pacientes, médicos notaram que, em alguns casos, há uma convergência de fatores prejudiciais ao fígado. Isso ocorre quando, além da gordura, o álcool entra na jogada.
Por isso, eles passaram a classificar os indivíduos com MASLD que também consomem bebida alcoólica com regularidade dentro de uma nova categoria: MetALD, sigla para doença hepática metabólica e alcoólica.
Essa condição é marcada pela presença de gordura (e inflamação) no fígado em um homem que também toma de 3 a 6 unidades de álcool diariamente ou uma mulher que toma de 2 a 5 unidades – segundo a OMS, uma taça de vinho ou um copo de cerveja correspondem a 2 unidades de álcool. Ou seja, não é preciso beber demais, mas com regularidade.
Mais recentemente, um grupo de pesquisa americano passou a propor que, fora o critério do consumo na rotina (ainda que não exagerado), a MetALD também levasse em consideração a chamada ingestão excessiva episódica. É o famoso abuso de fim de semana.
No estudo com mais de 8 mil pessoas, a equipe descobriu que 15% das pessoas que só tinham diagnóstico de MASLD também enchiam a lata ocasionalmente, ao menos uma vez por mês. E, nessa população que se enquadra na definição de MetALD, o risco de desenvolver fibrose hepática – situação marcada por lesões e cicatrizes que afetam o trabalho do órgão – triplicava.
Os dados atuais mostram, assim, que, se álcool e gordura já representam perigos de forma isolada, sua união pode ser ainda mais catastrófica para o fígado.
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