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Volta às aulas presenciais: saúde e vacinas da criança devem estar em dia

A escola precisa seguir os protocolos de segurança à risca, mas os pais também têm responsabilidades dentro de casa

Por Fabiana Schiavon 3 nov 2021, 19h12

Em muitos locais do Brasil, as aulas presenciais voltaram a ser obrigatórias. Nessa retomada, o mantra máscaras, distanciamento e higienização das mãos se mantém. E, enquanto a imunização infantil contra a Covid-19 não chega por aqui, é preciso ter bastante cautela também em casa.

“A escola tem o seu papel, mas é essencial tomar cuidado do portão para fora. É importante ficar atento a sintomas, visitar sempre o pediatra e colocar a vacinação de outras doenças em dia, porque os números de imunização infantil têm caído”, alerta Victor Horácio de Souza Costa Júnior, infectologista pediátrico e professor na Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

Com a baixa cobertura vacinal, doenças já controladas (como o sarampo, a coqueluche e outras) podem se aproveitar da volta do convívio social para se disseminarem de novo.

Além da atualização da carteirinha de vacinação, é muito importante que ninguém com sintomas gripais, mesmo que leves, entre na escola. Isso vale para estudantes, professores e todos os outros funcionários. Afinal, doenças respiratórias virais se manifestam de forma parecida e aquilo que lembra uma gripe ou um resfriado pode ser, na verdade, a Covid-19. Não mandar a criança doente à aula é, portanto, uma atitude que protege outros colegas e seus familiares.

Para reduzir o risco de contrair infecções, é fundamental ainda manter a imunidade em dia. Ou seja, vale ficar de olho nos hábitos da criançada, incluindo aí alimentação, prática de exercícios e qualidade do sono.

Do portão para dentro, as escolas devem seguir os protocolos determinados em cada cidade. Já aos pais cabe a tarefa de monitorar se as regras estão sendo cumpridas.

“Acompanho escolas já abertas há um tempo, e os cuidados estão funcionando. Em alguns casos, o afastamento tem sido reduzido para um metro, mas ainda é melhor evitar atividades que promovam o contato. Janelas e portas precisam ser mantidas abertas”, descreve o médico Joel Bressa da Cunha, presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

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Todas essas regras são para evitar que crianças fiquem doentes e que também atuem como transmissoras. “Se uma turma for demasiadamente exposta, ela pode contribuir para a formação de variantes, que não afetam só uma comunidade, mas todo o mundo”, alerta o imunologista Gustavo Cabral, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP).

Tudo isso também serve para os adolescentes. Eles já estão sendo vacinados e podem se sentir mais tranquilos, mas é sempre válido lembrar que ainda podem ser infectados e servir de transmissores. Nessa etapa da vida em que a socialização é intensa, máscaras se tornam ainda mais decisivas.

Esquema híbrido ainda é essencial

Especialistas concordam que é preciso retomar a vida para atenuar os prejuízos pedagógico, social e emocional trazidos pelo fechamento das escolas. As instituições, no entanto, devem manter a opção do ensino a distância para quem corre riscos extras ao sair de casa.

“Crianças e pais que têm questões clínicas importantes na família ainda se beneficiam do sistema híbrido, que deve ficar mais um tempo disponível para essas situações”, pontua Costa Junior.

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Máscaras, recreio e lazer

Pode parecer impossível manter um grupo de crianças mascaradas e tomando distância umas das outras. Mas especialistas defendem que elas estão em fase de aprendizado e tendem a absorver regras melhor do que os adultos. “As crianças têm surpreendido em relação às máscaras”, avalia o médico da SBP.

Mas é claro que alguns deslizes acontecem, ainda mais quando se trata da molecada menor: nem sempre a máscara está do jeitinho certo, a mão vai constantemente ao rosto… Por isso, é importante investir nos outros recursos, como vigiar a saúde da criança, caprichar na higienização das mãos e manter o distanciamento que for possível.

A SBP ainda recomenda que meninos e meninas menores de 2 anos não sejam obrigados a utilizar máscaras. Já para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o acessório não deveria ser exigido antes dos 5 anos. Porém, no contexto de volta às aulas, a OMS reforça o seguinte: se houver necessidade do uso de proteção abaixo dessa idade, que seja sempre sob a supervisão de um adulto.

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Na hora do lanche, quando as máscaras são deixadas de lado, não dá para bobear. “A distância nesse caso precisa ser a padrão, de um metro e meio, e deve-se evitar falar alto, gritar ou movimentar-se para sentar perto do coleguinha”, ensina Cunha.

Os professores e a direção da escola podem usar a criatividade para desenvolver uma dinâmica que facilite o distanciamento, evitando toques e abraços.

Algumas escolas menores conseguem, por exemplo, fazer diversos intervalos com grupos diferentes, para que as crianças que já estão em contato em uma sala não se misturem a outras classes.

Para estruturas com muitos alunos, uma boa ideia é revezar quem vai lanchar dentro da sala de aula e na área externa.

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Transporte

No mundo adulto, a hora da alimentação e do transporte são as mais arriscadas em termos de contaminação – e o mesmo ocorre no universo escolar. “As famílias que conseguem ir de carro já evitam contato, mas quem depende do transporte público precisa ser criativo para tentar embarcar em horários menos cheios, além de usar uma boa máscara e higienizar as mãos com mais rigor”, avalia Cabral.

O transporte escolar também deve ter cautela redobrada com a limpeza e carregar um número menor de crianças do que o de costume. “Cada município e tipo de veículo têm uma indicação, mas o ideal é que seja possível ter um certo distanciamento, e que o condutor exija o uso das máscaras durante toda a viagem”, afirma Cunha, da SBP.

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