Assine VEJA SAÚDE por R$2,00/semana
Continua após publicidade

Covid e bronquiolite aumentam quadros respiratórios graves em crianças

Sars-Cov-2, vírus que causa Covid, e o VSR, responsável pela bronquiolite, estão se espalhando com a chegada do frio e o relaxamento das medidas preventivas

Por Chloé Pinheiro
Atualizado em 23 jun 2022, 19h03 - Publicado em 7 jun 2022, 12h20

Nas últimas semanas, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e outros estados registraram aumento de internações e óbitos por doenças respiratórias nas crianças. A alta se deve em especial a dois patógenos: o vírus sincicial respiratório (VSR), da bronquiolite, e o Sars-CoV-2, por trás da Covid-19. 

Alguns hospitais chegaram a atingir a ocupação máxima de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) pediátrica. E, sim, é normal que mais vírus respiratórios circulem com a chegada do outono e do inverno, mas a alta procura rompe um padrão de dois anos de diminuição desse tipo de infecção nos pequenos. 

“Temos um vírus respiratório a mais na história, o coronavírus. Por causa do esforço feito para contê-lo nos últimos anos, outros vírus acabaram circulando menos”, comenta o infectologista Renato Kfouri, presidente do departamento de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Aí, com a flexibilização das medidas preventivas, o cenário voltou ao seu padrão habitual. “Porém, como praticamente não vimos crianças doentes nos últimos anos, essa retomada de casos talvez tenha assustado algumas pessoas”, pondera a pediatra Kelly Oliveira, colunista da Veja Saúde. 

Compartilhe essa matéria via:

De acordo com o último boletim Infogripe da Fundação Oswaldo Cruz, dos 7,1 mil casos ocorridos entre 22 e 28 de maio de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) – uma complicação de infecções do tipo -, 2,5 mil aconteceram em crianças entre 0 e 4 anos de idade. 

Nessa faixa etária, o problema maior é realmente o VSR, embora a incidência de infecções por coronavírus também tenha crescido, seguindo a tendência dos adultos. Já entre os 5 e os 11 anos, a Covid-19 continua como a principal preocupação. 

Bronquiolite, o problema dos bebês 

A bronquiolite é uma doença inflamatória que atinge o bronquíolo, uma estrutura do pulmão. Ela pode ser causada por vários vírus, mas o mais comum é o VSR, com o qual quase todas as crianças têm contato nos primeiros anos de vida, sem grandes complicações.

Os primeiros sintomas são semelhantes aos de um resfriado comum: tosse, coriza e febre. “Mas a doença também é marcada por muco no pulmão e secreções nas vias aéreas, que levam à dificuldade para respirar”, explica Kelly. Daí pode surgir um chiado ou sibilo no peito e edema [inchaço] nas vias aéreas. 

Continua após a publicidade

+ Leia também: Composto no intestino pode ser aliado na prevenção da bronquiolite

Em alguns casos, a bronquiolite leva a complicações perigosas, como pneumonia, atelectasia [fechamento de uma área do pulmão] e até morte. Bebês menores de 2 anos são os mais acometidos pela bronquiolite. Recém-nascidos, prematuros, cardiopatas e portadores de doenças pulmonares crônicas estão em maior risco. 

O tratamento da bronquiolite é feito com anti-inflamatórios e broncodilatadores receitados pelo médico. Pode ser necessário internar a criança para fornecer oxigênio e monitorar o quadro de perto. 

E é bom lembrar que o público mais vulnerável de hoje nasceu na pandemia. “Eles estão virgens de exposição viral, e as primeiras infecções são sempre as que têm mais risco de se agravarem por causa da imaturidade do sistema imune”, completa Kfouri. 

Continua após a publicidade

+Leia também: Acetilcisteína: o que é, para que serve e como funciona esse remédio

O coronavírus nas crianças 

Apesar de ser uma doença principalmente respiratória, a Covid-19 pode ter manifestações diferentes no público infantil. “É um espectro amplo de sintomas: diarreia, febre, alterações de pele…”, enumera Kelly. Essas consequências, cabe ressaltar, nem sempre vêm acompanhadas de tosse e dificuldade para respirar.

Se antes as crianças pareciam mais protegidas do Sars-CoV-2, o aumento de internações e mortes pela doença em 2022 atestou que ela pode, sim, ser grave nesse público. Entre as complicações, destacam-se as miocardites, a síndrome do pós-Covid e a MIS-C (uma inflamação sistêmica severa), além da própria síndrome respiratória aguda grave.  

E isso provavelmente não tem a ver com a Ômicron. “As variantes não têm preferência por idade. O que acontece é que as ondas atingem as populações menos protegidas”, destaca Kfouri. Nesse sentido, o Brasil está deixando a desejar. 

Continua após a publicidade

+ Leia também: Covid: como funcionam as vacinas de RNA que serão usadas nas crianças

Ora, a cobertura vacinal infantil contra a Covid-19 está apenas em 60% para as duas doses. Menos de 35% das crianças completaram o esquema vacinal. A desinformação e a ausência de campanhas de conscientização são alguns dos fatores que explicam a baixa adesão. 

Quando procurar o hospital? 

Em geral, os sinais de gravidade são febre persistente, que não baixa mesmo com o uso de antitérmicos ou dura mais de três dias, e dificuldade para respirar. O desconforto fica evidente com a criança ofegante, fazendo inspirações mais curtas e rápidas ou movimentando com rapidez o nariz. 

+ Leia também: Para que serve a prednisona?

Continua após a publicidade

Entretanto, nos menores a piora pode ser sutil, com dificuldades na amamentação e maior irritabilidade. Se a criança apresenta prostração, está mais apática do que o usual e “molinha”, procure orientação médica.  

É hora de reforçar medidas preventivas

O uso de máscaras segue importante, em especial nos locais fechados e com alta circulação de pessoas. Isso vale tanto para crianças maiores de 2 anos (inclusive nas escolas), quanto para os adultos que convivem com elas.  

Se alguém adoece em casa, o ideal é evitar o contato com os outros membros da família – assim como crianças com sintomas gripais não deveriam ir à escola. 

No caso do VSR, integrantes do grupo de risco podem receber o palivizumabe, uma imunoglobulina que fornece anticorpos prontos para barrar a infecção. Contra a Covid-19, maiores de 5 anos podem tomar a vacina, que é segura e eficaz. Aliás, é possível que o imunizante seja liberado para os mais novos ainda em 2022. 

Continua após a publicidade

Lembrando que os casos de gripe ainda não começaram a subir – o que ocorre mais perto do inverno. A campanha de vacinação do influenza começou em março, mas o imunizante está sobrando nos postos de saúde.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

A saúde está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por VEJA SAÚDE.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou

Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 12,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.