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Coronavírus é encontrado na pele de crianças com “dedos de Covid”

Descoberta reforça suspeita de que o coronavírus é mesmo a causa de alterações dermatológicas descritas em centenas de pacientes

Por Chloé Pinheiro - Atualizado em 28 ago 2020, 12h42 - Publicado em 20 jul 2020, 15h17

Para além dos pulmões, o novo coronavírus (Sars-CoV-2) já mostrou ser capaz de infectar vasos sanguíneos, coração, rins, olhos… e, pelo visto, a pele. Uma pesquisa publicada no British Journal of Dermatology avaliou sete crianças atendidas no Hospital Infantil Universitario Niño Jesús, em Madrid (Espanha), que apresentaram lesões conhecidas como “dedos de Covid”.

O fenômeno, observado principalmente em jovens, faz que os dedos dos pés fiquem avermelhados e roxos. Felizmente, ele não parece estar relacionado a uma maior gravidade da doença.

Ao submeter amostras colhidas por biópsia a exames, o grupo descobriu que o Sars-CoV-2 estava presente no interior das células epiteliais, que formam a pele, e nas células endoteliais, que revestem os vasos sanguíneos da região.

Os danos no endotélio seriam o mecanismo principal da lesão, porque atrapalhariam a circulação no local. Tanto que, nas análises, os cientistas encontraram diversos graus de vasculite (uma inflamação nos vasos), além de tromboses.

Sintomas na pele da Covid-19

Para os pesquisadores espanhóis, o novo trabalho prova que os “dedos de Covid” são de fato provocados pelo novo coronavírus — e o mesmo pode ser verdade para outras encrencas na cútis.

O tema tem sido alvo de discussões intensas no mundo da dermatologia. Como os relatos na literatura científica estão restritos a uma centena de casos — frente aos milhões de infectados —, há dúvidas se esses problemas na pele entre os pacientes com Sars-CoV-2 são apenas uma coincidência.

Tudo indica, contudo, que há uma relação. Outro estudo, também publicado recentemente no British Journal of Dermatology, avaliou 375 pessoas com suspeita ou confirmação de Covid-19 e chegou a cinco padrões de lesões.

Além dos dedos de Covid, os autores deste trabalho listaram erupções semelhantes ao sarampo, rash cutâneo (mancha avermelhada que pode coçar), necroses e o livedo reticular, uma condição em que a pele fica com uma aparência malhada, como se estivesse coberta por uma teia roxa.

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