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Vacina no tratamento do câncer

Algumas vacinas ajudam a prevenir tumores. Outras entram em ação no tratamento. Médico explica como essas tecnologias podem ser aplicadas à oncologia

Por Ramon Andrade de Mello, oncologista* 26 fev 2021, 15h03

O uso das vacinas para combater a Covid-19 tem provocado um debate intenso e, às vezes, desnecessário. Há séculos os imunizantes são empregados para reduzir substancialmente a incidência de doenças como poliomielite, sarampo, tétano, entre outras. O Brasil desenvolveu um programa de vacinação reconhecido mundialmente capaz de atender todas as camadas da população e que representa o melhor custo-benefício em saúde pública.

Desde os chineses no século 10, passando pelo inglês Edward Jenner (1749-1823) e o francês Louis Pasteur (1822-1895), a tecnologia tem permitido desenvolver vacinas cada vez mais seguras e eficientes com a introdução de substâncias biológicas no organismo que têm o objetivo de ativar o sistema imunológico. Com isso, nosso corpo aprende a reconhecer e combater melhor vírus e bactérias. São raros os casos de contraindicação e riscos de enfermidades.

Na oncologia, as vacinas têm protegido a população de infecções por vírus que podem causar câncer. É o caso de algumas cepas do papiloma vírus humano (HPV), associadas ao câncer de colo do útero,  ânus, boca, entre outros. Contra a hepatite B, outra vacina contribui para a prevenção do câncer de fígado.

O desenvolvimento tecnológico já permite vislumbrar um futuro muito breve em que usaremos com mais frequência vacinas para também TRATAR o câncer. As recentes pesquisas utilizando o RNA mensageiro nas vacinas contra a Covid-19 são um dos caminhos possíveis para aplicação no tratamento oncológico. Um dos diferenciais desse método é facilitar a criação de vacinas sob medida para o paciente.

O papel dessas vacinas é fazer com que o sistema imunológico ataque as células tumorais do corpo. A sua produção começa com uma biópsia do tumor do paciente, que terá seu genoma sequenciado. Na próxima etapa, é desenvolvida uma molécula de RNA para codificar as proteínas que respondem pelas mutações das células normais, que posteriormente se tornam cancerosas.

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As vacinas oncológicas podem ser, ainda, combinadas com outras substâncias ou células adjuvantes, que ajudam a estimular a resposta imunológica. Em uma das linhas de pesquisa, por exemplo, o procedimento pode demorar cerca de três meses a partir da biópsia. Os pesquisadores acreditam que as células com memórias especiais presentes no sistema imunológico ajudem a fazer com que a vacina continue respondendo por muito tempo após sua administração.

Uma das primeiras vacinas já disponibilizada no mercado é indicada para os pacientes com câncer de próstata avançado que não responde à hormonioterapia. Outras já vêm sendo testadas para tratamento do câncer de mama, entre outros diagnósticos oncológicos.

O avanço científico na busca da cura para o câncer traz ainda outros tratamentos que podem alcançar significativas respostas positivas. Para cada indivíduo, há uma indicação específica e o oncologista poderá orientar o melhor caminho para o paciente se recuperar.

* Ramon Andrade de Mello é oncologista, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Uninove e da Escola de Medicina da Universidade do Algarve, em Portugal

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