Abril Day: Saúde por apenas 5,99
Imagem Blog

Com a Palavra

Por Blog Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Neste espaço exclusivo, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

O silêncio das mulheres mutiladas

Cresce número de mulheres que ficam com a saúde abalada em função de procedimentos estéticos feitos por pessoas sem capacitação, alerta médica

Por Fernanda Bortolozo, dermatologista*
27 jul 2022, 10h03 •
foto de mulher triste encostada em cortina
Mulheres que sofrem mutilações após procedimentos estéticos ainda penam para receber acolhimento e apoio especializado.  (Foto: Claudia Soraya/ Unsplash/Divulgação)
Continua após publicidade
  • Os procedimentos estéticos são uma conquista da vida moderna que nos permite o conforto de focar não apenas na saúde propriamente dita mas também naquilo que gostaríamos de mudar para aumentar a autoestima. Porém, como esse é um mercado bilionário, há muitos aventureiros colocando em risco a vida das pessoas, especialmente a das mulheres.

    Vejo com preocupação o crescimento do número de pacientes chegando ao consultório com problemas gravíssimos de saúde em decorrência de procedimentos obscuros ou mal feitos. Elas nem sequer sabem o que foi injetado em seu corpo.

    Há quem diga que não passa de uma “reserva de mercado” o fato de o Conselho Federal de Medicina (CFM) e demais entidades martelarem que é preciso procurar um médico habilitado para fazer procedimentos estéticos e dermatológicos. Não se trata disso. A defesa do “ato médico” aqui envolve diretamente a segurança da paciente.

    Existem milhares de mulheres no Brasil que foram mutiladas quando buscavam melhorar sua aparência para se sentirem mais bonitas e confiantes. Muitas acabam se expondo porque acreditam em informações falsas disseminadas na internet. Outras topam fazer o procedimento com não médicos ou com produtos ilegais em função do custo.

    + LEIA TAMBÉM: O que saber antes de fazer uma harmonização facial

    Em comum, todas são alvo fácil desse mercado. Entregaram seu corpo a quem não tinha a menor condição de cuidar delas. Por isso o meu alerta. A saúde dessas mulheres não tem preço. Não vale a pena se arriscar nesse tipo de situação.

    Continua após a publicidade

    Enquanto você lê este artigo, uma mulher está tendo silicone industrial injetado no seu corpo, correndo inúmeros riscos. Sim, é um caso de saúde pública!

    Isso nos leva a outro ponto importante: o preconceito contra as pessoas que passaram por esses “procedimentos” duvidosos e perigosos. Quem deveria acolher essa mulher, preservá-la e tratá-la nega atendimento porque não quer se envolver no “caso”. Tem gente que simplesmente diz que é culpa da paciente.

    O fato é que as redes de saúde pública e privada não estão preparadas para enfrentar o problema. Negar que ele existe não fará com que desapareça; pelo contrário, aumentará o isolamento e a dor de quem vive com ele.

    Continua após a publicidade

    No consultório, acolho cada vez mais mulheres silenciadas, envergonhadas e sem nenhum tipo de apoio. Vejo esses casos, ouço as histórias e me comovo com elas. Nós precisamos discutir esse fenômeno e ir em busca de soluções e de atendimento qualificado. Já não podemos tapar o sol com a peneira.

    * Fernanda Bortolozo é dermatologista e especialista em medicina estética e remodelação de glúteos

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    Sua saúde merece prioridade!
    Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.