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O silêncio das mulheres mutiladas

Cresce número de mulheres que ficam com a saúde abalada em função de procedimentos estéticos feitos por pessoas sem capacitação, alerta médica

Por Fernanda Bortolozo, dermatologista* 27 jul 2022, 10h03 | Atualizado em 4 jun 2026, 23h28
foto de mulher triste encostada em cortina
Mulheres que sofrem mutilações após procedimentos estéticos ainda penam para receber acolhimento e apoio especializado.  (Foto: Claudia Soraya/ Unsplash/Divulgação)
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Os procedimentos estéticos são uma conquista da vida moderna que nos permite o conforto de focar não apenas na saúde propriamente dita mas também naquilo que gostaríamos de mudar para aumentar a autoestima. Porém, como esse é um mercado bilionário, há muitos aventureiros colocando em risco a vida das pessoas, especialmente a das mulheres.

Vejo com preocupação o crescimento do número de pacientes chegando ao consultório com problemas gravíssimos de saúde em decorrência de procedimentos obscuros ou mal feitos. Elas nem sequer sabem o que foi injetado em seu corpo.

Há quem diga que não passa de uma “reserva de mercado” o fato de o Conselho Federal de Medicina (CFM) e demais entidades martelarem que é preciso procurar um médico habilitado para fazer procedimentos estéticos e dermatológicos. Não se trata disso. A defesa do “ato médico” aqui envolve diretamente a segurança da paciente.

Existem milhares de mulheres no Brasil que foram mutiladas quando buscavam melhorar sua aparência para se sentirem mais bonitas e confiantes. Muitas acabam se expondo porque acreditam em informações falsas disseminadas na internet. Outras topam fazer o procedimento com não médicos ou com produtos ilegais em função do custo.

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Em comum, todas são alvo fácil desse mercado. Entregaram seu corpo a quem não tinha a menor condição de cuidar delas. Por isso o meu alerta. A saúde dessas mulheres não tem preço. Não vale a pena se arriscar nesse tipo de situação.

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Enquanto você lê este artigo, uma mulher está tendo silicone industrial injetado no seu corpo, correndo inúmeros riscos. Sim, é um caso de saúde pública!

Isso nos leva a outro ponto importante: o preconceito contra as pessoas que passaram por esses “procedimentos” duvidosos e perigosos. Quem deveria acolher essa mulher, preservá-la e tratá-la nega atendimento porque não quer se envolver no “caso”. Tem gente que simplesmente diz que é culpa da paciente.

O fato é que as redes de saúde pública e privada não estão preparadas para enfrentar o problema. Negar que ele existe não fará com que desapareça; pelo contrário, aumentará o isolamento e a dor de quem vive com ele.

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No consultório, acolho cada vez mais mulheres silenciadas, envergonhadas e sem nenhum tipo de apoio. Vejo esses casos, ouço as histórias e me comovo com elas. Nós precisamos discutir esse fenômeno e ir em busca de soluções e de atendimento qualificado. Já não podemos tapar o sol com a peneira.

* Fernanda Bortolozo é dermatologista e especialista em medicina estética e remodelação de glúteos

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