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Nutrição, um fator crucial para recuperar o paciente internado

A desnutrição aumenta o tempo de internação e até o risco de mortalidade. Para evitar os perigos associados ao quadro, é fundamental flagrá-lo precocemente

Por Dr. Diogo Oliveira Toledo*
Atualizado em 8 jun 2018, 12h45 - Publicado em 8 jun 2018, 12h28

A desnutrição é um dos principais problemas de saúde pública. Ela aumenta em três vezes o tempo de internação, em quatro vezes o risco do desenvolvimento de lesões por pressão (conhecidas antigamente como escaras e úlceras) e ainda eleva consideravelmente o risco de mortalidade. No Brasil, a taxa desse problema varia entre 40 e 60% em adultos hospitalizados. Pior: durante a permanência no hospital, essa condição piora progressivamente.

Ainda assim, apenas 7% dos pacientes são identificados como desnutridos. Se a prevalência no Brasil chega a 60%, onde estariam então os outros 53%? Diante desse cenário, a Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (Braspen) criou a campanha de combate à desnutrição hospitalar. Seu lema é: “Diga não à desnutrição!”

A campanha visa tornar públicas informações sobre a desnutrição hospitalar e os problemas causados por ela. O principal objetivo é apresentar medidas simples que, quando aplicadas em conjunto, melhoram a assistência ao tratamento.

Além disso, queremos ampliar a imagem que vem em mente quando se fala do assunto. Normalmente se pensa apenas na desnutrição infantil, decorrente da má alimentação por fatores sócio-econômicos. No entanto, há uma parcela importante da população adulta que, ao ser internada, pode estar ou se tornar desnutrida. As causas são multifatoriais, mas se relacionam principalmente com a enfermidade de base do paciente, em especial se for uma crônica, como insuficiência cardíaca, doença pulmonar, câncer e doenças inflamatórias intestinais.

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Com a campanha, queremos que familiares e os próprios pacientes se transformem em agentes de cobrança durante o tempo de internação – e até mesmo depois da alta. A identificação precoce da desnutrição, bem como o manejo por meio de ferramentas recomendadas, possibilita estabelecer uma conduta nutricional mais apropriada, o que termina por melhorar o desfecho do tratamento como um todo. Sinais como redução da aceitação alimentar e perda de peso são os principais critérios de alerta no diagnóstico da desnutrição.

Muitas vezes pensamos que, quando estamos internados, nada podemos fazer em relação à desnutrição hospitalar. Porém é preciso sempre se lembrar que a alimentação e os suplementos oferecidos possuem os nutrientes e vitaminas necessários para cada paciente. Entre outras coisas, aceitar as refeições pode ser fator determinante na recuperação e no tempo de internação.

*Dr. Diogo Oliveira Toledo é presidente da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral

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