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Fibromialgia: onde estamos e para onde escolhemos ir

No mês de conscientização sobre essa condição marcada por dores, médico nos convida a conhecê-la melhor e conta o que está ao nosso alcance para tratá-la

Por Marcos Renato de Assis, reumatologista* 25 fev 2022, 17h09

A fibromialgia é uma síndrome que se caracteriza por dor crônica difusa ou migratória pelo corpo, acompanhada de um conjunto de distúrbios funcionais. A conversa com o médico e o exame físico são a base para o diagnóstico e a avaliação de sua gravidade − não há exames subsidiários específicos até o momento.

O problema não tem causa definida, mas depende de fatores físicos, emocionais, genéticos, hormonais, infecciosos, traumáticos, entre outros.

Frente a uma variedade de estímulos, experiências e lesões, o sistema nervoso pode formar e reorganizar conexões entre os neurônios, no cérebro e na medula espinhal, alterando os mecanismos de estímulo ou supressão da dor.

É isso que está por trás da chamada nociplástica, um mecanismo que, explicando de modo simplificado, eleva a percepção das dores sem que haja danos nos tecidos ou ativação dos receptores no local. 

A avaliação médica compreensiva é fundamental, enquanto os exames complementares servem para diferenciar o quadro de outras enfermidades ou para investigar doenças coexistentes, que atuam como desencadeantes, agravantes ou perpetuantes da dor.

+ Leia também: A fisioterapia no controle das dores da fibromialgia

Sabemos que a coleta e a interpretação dos dados dos pacientes podem ser desafiadoras nesse contexto, mas deixar de diagnosticar a fibromialgia ou atribuir qualquer queixa a um mero rótulo são falhas com várias consequências negativas. Daí a importância de consultar um profissional com a devida formação na ciência das dores.

Um vasto repertório de queixas costuma ser relatado por quem convive com a fibromialgia. Elenco algumas delas:

  • Indisposição
  • Sono não restaurador
  • Ansiedade e depressão
  • Constipação e diarreia
  • Intolerância a ruídos altos, baixas temperaturas e luz ou cheiro intenso
  • Dificuldade de concentração e memória
  • Desequilíbrio físico
  • Bexiga irritável
  • Bruxismo

Diante disso, os pacientes comumente passam por vários médicos e exames, cultivando medos e frustrações. O receio de que uma doença grave venha trazer sequelas ou ameaça à vida também se vê com frequência, por isso é importante esclarecer prontamente que a fibromialgia não oferece esses riscos.

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A identificação do contexto familiar, social e laboral, bem como das demandas, expectativas e conflitos que a pessoa vivencia, é crucial para planejar o tratamento.

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Sintomas que se arrastam por anos, perdas e rejeições provocam crenças distorcidas e comportamentos que reduzem a capacidade de enfrentamento da condição.

Vários “tratamentos mágicos” proliferam sem evidência científica, causando atrasos, gastos e decepções.

Quanto mais precoce for o diagnóstico, seguido de uma abordagem ampla e individualizada, maiores as chances de diminuir ou interromper o sofrimento. Isso mostra a relevância da parceria entre o paciente, seu médico e outros profissionais da saúde envolvidos.

O tratamento não farmacológico é indispensável; sem ele, o progresso é limitado e fugaz. Os exercícios físicos são eficientes contra diversas queixas e devem ser orientados conforme a aptidão física, com progressão suave e segurança, tornando-se um hábito. Atividades de lazer, higiene do sono, apoio da rede sociofamiliar e suporte psicológico também fazem diferença.

+ Leia também: Vem aí um colchão ideal para quem tem fibromialgia

Poucos medicamentos são aprovados especificamente (em bula) para fibromialgia, mas várias drogas – entre antidepressivos, anticonvulsivantes, relaxantes musculares, analgésicos e outros – podem ser estrategicamente associadas para enfrentar o quadro.

Certamente, há demandas não atendidas na fibromialgia, como medidas mais objetivas da gravidade dos casos e medicações mais efetivas. Mas precisamos fazer bom uso das soluções e alternativas já disponíveis e distinguir os papéis de cada uma delas nessa empreitada.

A sociedade como um todo deve romper os preconceitos diante das pessoas com qualquer tipo de dor crônica e expandir sua capacidade de acolhimento. Valorizar a assistência à saúde de qualidade passa por reconhecer os recursos humanos e investir neles. 

Os pacientes, por sua vez, devem se empenhar no autoconhecimento e nas mudanças no estilo de vida. E os profissionais precisam enxergar o convite oferecido pela fibromialgia para serem mais inteiros e humanos ao lidar com o sofrimento do outro. Dessa maneira todos sairemos melhores.

* Marcos Renato de Assis é reumatologista, doutor em reabilitação pela Unifesp e membro da Sociedade Paulista de Reumatologia (SPR)

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