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Doenças alérgicas: um problema de todos nós!

Especialista aponta o crescimento alarmante de alergias e os projetos de lei que podem evitar mortes por causa dessa enfermidade

Por Fábio Chigres Kuschnir, da Asbai*
Atualizado em 23 abr 2024, 09h31 - Publicado em 22 abr 2024, 18h39

As alergias afetam a vida de mais de 2 bilhões de pessoas no mundo, e com o desmedido aumento ocorrido nos últimos 30 anos, espera-se que, até 2050, cerca de 50% da população sofra de alguma doença alérgica. Dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) mostram que até 30% do nosso povo possua alguma alergia.

Embora exista uma predisposição familiar para o desenvolvimento das alergias, não existe uma explicação única para o fato do mundo estar tornando-se mais alérgico. Mas a ciência tem algumas teorias, como a “hipótese da higiene”, do epidemiologista inglês David Strachan.

Outro fator importante é a poluição ambiental, com destaques para a fumaça de cigarro e materiais particulados provenientes do tráfego urbano e as queimadas nas áreas rurais.

A vida urbana, com seu estresse, ansiedade e confinamento em ambientes fechados, também é um provável fator envolvido. Assim como a presença em nosso cotidiano dos mais diversos produtos químicos industriais, como alimentos ultraprocessados, microplásticos, nanopartículas metálicas, muitos dos quais não sabemos os efeitos a longo prazo.

Assim, as alergias respiratórias (asma, rinite…), as da pele (como a dermatite atópica) e as alimentares – assim como a perigosa anafilaxia – se tornaram um grande problema de saúde pública.

+Leia também: Asma, rinite, dermatite e urticária estão entre as alergias mais comuns

Um dos aspectos mais preocupantes é o aumento exponencial das alergias alimentares. Os alimentos mais envolvidos nestas reações são também os mais comuns, como o leite de vaca e o ovo de galinha nas crianças, e crustáceos e peixes em adolescentes e adultos.

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Entretanto, a alergia a outros alimentos como frutas (banana, mamão) e castanhas (caju, do Brasil, avelã, amêndoa) provenientes principalmente do consumo de leites vegetais também vem apresentando aumentos significativos.

No rastro do aumento da alergia alimentar no Brasil, temos assistido também saltos na incidência da anafilaxia. Essa é uma reação alérgica grave, de início súbito e onde pode haver queda de pressão (choque anafilático) e edema de glote (que impede a passagem de ar para os pulmões). O quadro pode ser fatal.

Dados recentes do Registro Brasileiro de Anafilaxia (RBA), criado pela a ASBAI, mostraram que os alimentos foram as causas mais comuns de anafilaxia, representando quase 44% do total de casos registrados.

Atualmente, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 1945/21 que obriga médicos, clínicas, hospitais e centros de saúde de todo o país a notificarem o Ministério da Saúde sobre ocorrências de choque anafilático.

Outro dado alarmante apontado pelo RBA-ASBAI é que menos de 60% dos pacientes com anafilaxia tratados em setores de emergências receberam adrenalina por via intramuscular. Esse é um medicamento imprescindível no tratamento do choque anafilático e edema de glote, e que precisa ser administrada o mais rapidamente possível após o início do quadro.

Infelizmente, os brasileiros com anafilaxia ainda não dispõem das canetas autoinjetáveis de adrenalina, que permite o tratamento dessa grave reação por pessoas sem treinamento na área da saúde. Hoje, esses pacientes são obrigados a importar dispositivos a preços elevados, enfrentando dificuldades burocráticas para aquisição dos mesmos.

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A ASBAI está envolvida e vem apoiando o projeto de lei 85/2024 que “Dispõe sobre fornecimento gratuito da caneta de adrenalina autoinjetável pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O impressionante aumento das alergias é um alerta para todos nós. Não há mais tempo a perder: devemos agir hoje para reduzir a exposição à poluição e promover ambientes mais limpos e estilo de vida saudável

*Fábio Chigres Kuschnir é presidente da Associação Brasileira de Alergia Imunologia (ASBAI)

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