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Doação de sangue é imprescindível no combate às doenças hematológicas

No Junho Vermelho de 2022, especialista traz os desafios de doar sangue no Brasil e a relevância desse ato para pessoas com doenças sérias

Por Catherine Moura, CEO da Abrale* 20 jun 2022, 12h05

Dados do Ministério da Saúde apontam que somente 1,8% dos brasileiros doam sangue regularmente. De acordo com orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), esse número deve ficar entre 3% a 5% para atender corretamente a população de um país.

Mas para nós da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) e da Associação Brasileira de Talassemia (Abrasta), esses índices significam pessoas, solidariedade e amor ao próximo. Cada pessoa que se transforma em doador tem a chance de mudar a condição de saúde e impactar positivamente a vida de várias outras que estão em uma jornada por acesso ao melhor tratamento e qualidade de vida.

Muitos pacientes que realizam tratamento para os cânceres do sangue precisarão receber transfusões durante a jornada terapêutica. Nas leucemias agudas, por exemplo, devido ao crescimento irregular das células cancerígenas na medula óssea, a produção celular fica comprometida. Aí torna-se necessário receber sangue para ajudar a restabelecer a quantidade normal de células sanguíneas no corpo.

Alguns tratamentos oncológicos, como quimioterapia e o transplante de medula óssea, também podem provocar a necessidade de uma transfusão.

+Leia também: Na rota da doação de sangue

Já na talassemia maior, um tipo de anemia transmitida de pais para filhos, acontece uma redução na concentração das hemoglobinas (proteínas que carregam oxigênio no sangue). Com isso, o paciente apresenta sintomas como fraqueza, cansaço extremo e até problemas de crescimento ósseo. Para que a produção celular aconteça normalmente, as transfusões de sangue serão parte essencial do tratamento contínuo e deverão ser realizadas a cada 20 dias, em média, por toda a vida.

Sabemos o quanto a pandemia da Covid-19 afetou o número de doações de sangue – e na vida destes pacientes. Mesmo com a diminuição de casos e dos níveis de transmissibilidade do vírus, ainda continua crítica a situação dos estoques nos 108 hemocentros de todo o país.

Além disso, a aproximação do inverno e as baixas temperaturas representam um desafio adicional, pois costumam afastar os doadores regulares e os eventuais. As pessoas em tratamento de câncer e a talassemia e demais doenças hematológicas, entre outras condições emergenciais, não podem esperar!

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Neste mês, já celebramos o Dia Mundial do Doador de Sangue (14/06). No Junho Vermelho, Abrale e Abrasta realizam mais uma iniciativa para estimular a doação de sangue em todo o Brasil.

A campanha “Doe Sangue. Salve Pessoas” conta com 73 postos de coleta parceiros, em 11 Estados (Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo). Em 14 de junho, inclusive foram distribuídos kits especiais aos doadores de sangue que comparecerão nos hemocentros parceiros.

É essencial sensibilizar e informar a população da relevância pública desse tema e mobilizar novos doadores, além de homenagear aqueles que já salvam vidas.

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A cada doação, quatro pacientes são ajudados. Doe agora mesmo! É simples:

  • Ligue no hemocentro ou ponto de coleta mais próximo e agende um melhor horário para evitar aglomerações.
  • Tenha entre 16 e 69 anos. Menores de 18 anos precisam do consentimento dos responsáveis.
  • Pese mais de 50 quilos.
  • Leve documento de identidade original, com foto recente.
  • E, principalmente, evite a infecção pela Covid-19 e outros vírus! Pessoas com suspeita ou confirmação não podem doar temporariamente.

A lista completa dos hemocentros parceiros está disponível em https://www.abrasta.org.br/junhovermelho/

A doação de sangue é, antes de tudo, um ato solidário e um compromisso social. Doe sangue regularmente. A atitude é indolor, rápida e segura – e faz toda a diferença. Tem sempre alguém, todos os dias, dependendo da sua doação para cuidar da saúde e salvar a própria vida!

*Catherine Moura é médica sanitarista e CEO da Abrale

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