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Câncer metastático: uma vida com mais qualidade

Tratamentos modernos mudam a forma de encarar tumores avançados que surgem no intestino

Por Renata D'Alpino Peixoto, oncologista* 1 ago 2022, 14h42 | Atualizado em 4 jun 2026, 23h28
Desenho de corpo transparente com intestino em destaque
Tumores do intestino que se espalham para outros órgãos têm, hoje, mais tratamentos que os controlam. (Ilustração: Lucas Kazakevicius/SAÚDE é Vital)
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As mortes da produtora e empresária Patrícia Perissinotto Kisser (esposa de Andreas Kisser, da banda de heavy metal Sepultura), da apresentadora inglesa Deborah James e do ator Chadwick Boseman (que interpretou o Pantera Negra) reacenderam o debate sobre o tratamento do câncer em estágios avançados, que pode ajudar ganhar mais tempo e qualidade de vida. Essas três pessoas possuíam tumores de cólon, que tem origem na mucosa que reveste o intestino. 

No de Deborah James, sua luta de seis anos contra o câncer foi mostrada através das redes sociais e de um podcast (“You, Me and The Big C”, na rede BBC). Ela morreu em junho deste ano, após comover fãs com o anúncio em maio de que havia interrompido o tratamento ativo contra o câncer, e passaria a receber cuidados paliativos em casa. 

O câncer colorretal (que nasce no intestino grosso) corresponde ao segundo mais frequente em homens e mulheres no Brasil, perdendo apenas para próstata e mama, respectivamente.

Em pessoas jovens (Patrícia Kisser tinha 52 anos, Chadwick Boseman, 43, Debora James, 40), a detecção precoce aumenta a probabilidade de cura. Mas, infelizmente, aproximadamente 30% dos casos são diagnosticados já com doença metastática – ou seja, quando o tumor se espalhou. Só um adendo aqui: mesmo quando flagrado em estágios precoces, o câncer ainda pode “voltar” e se tornar metastático.

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Embora alguns pacientes com metástases possam ser curados, a maioria é tratada com intuito de aumentar o tempo e a qualidade de vida. Hoje, eles podem viver anos com a doença – mas, para tanto, necessitam de tratamento crônico. Tal tratamento pode envolver, dependendo do caso, quimioterapia endovenosa e oral, anticorpos monoclonais, terapias alvo-moleculares, imunoterapia, radioterapia, terapias ablativas, tratamentos intra-arteriais e cirurgia. Tudo depende do volume de doença no corpo, da idade e da condição de saúde, da avaliação genética do tumor e, claro, da disponibilidade das tecnologias. 

Neste cenário, é comum que a pessoa receba diversas etapas de tratamento – afinal, as células tumorais vão adquirindo resistência a um determinado medicamento, fazendo com que o oncologista precise trocar a estratégia. E, quanto mais estratégias existirem, maior o benefício para o paciente.

+Leia também: População negra sofre com acesso desigual ao tratamento do câncer

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Infelizmente, o Brasil é relativamente lento na incorporação de novos medicamentos e tecnologias, especialmente no cenário em que pacientes já falharam a esquemas anteriores. Apesar disso, recentemente conseguimos incluir novas drogas no rol da ANS (disponíveis para quem possui seguro de saúde). 

Existem cada vez mais opções no tratamento – nem sempre curativo – do câncer colorretal. Diante disso, é nosso dever lutarmos para que o Brasil possa aprovar e tornar disponível a todos o que há de melhor.

*Renata D’Alpino Peixoto é oncologista clínica especialista em tumores gastrointestinais e neuroendócrinos. 

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