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Você pode (ou melhor, deve) se preparar para um envelhecimento saudável. A geriatra Maisa Kairalla, da Universidade Federal de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, ensina como
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Idosos conectados: mais que inclusão, um direito

Colunista defende o acesso à internet e aos recursos digitais como um meio de os mais maduros se cuidarem e se integrarem à sociedade

Por Maisa Kairalla
Atualizado em 2 dez 2021, 15h15 - Publicado em 1 out 2021, 09h58

Você consegue se lembrar da última vez em que ficou um dia inteiro 100% desconectado? Aposto que é até difícil de imaginar ficar 24 horas sem manter nenhum contato com a internet. Afinal, ela está em praticamente tudo em nossas vidas.

Para se ter ideia, de acordo com um estudo de 2019, nove em cada dez brasileiros com acesso à internet utilizam plataformas de streaming. Segundo dados da Kantar IBOPE Media, com a pandemia, que obrigou quase todo mundo a ficar mais tempo em casa, o tempo médio gasto assistindo a conteúdos por streaming foi de aproximadamente 1h49 por dia.

O uso de aplicativos também já não causa nenhum estranhamento ao brasileiro. Por meio deles, é possível pedir comida, pagar contas, fazer compras e até arranjar um namoro. Funcionalidades não faltam, e a internet passa a fazer parte de inúmeras esferas da vida cotidiana, desde a locomoção até os cuidados com a saúde (estamos, afinal, na era da telemedicina).

É fato que já não conseguimos mais viver desconectados, mas, paradoxalmente, essa não é uma realidade para todo mundo. Apenas no Brasil, cerca de 40 milhões de pessoas não têm acesso à internet, o que equivale a um a cada cinco brasileiros.

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Apesar de os idosos estarem mais familiarizados com a rede, apenas uma pequena parcela faz efetivamente uso dela. A pesquisa Idosos no Brasil: Vivências, Desafios e Expectativas na Terceira Idade, realizada pelo Sesc e a Fundação Perseu Abramo no primeiro trimestre de 2020 com 2 369 pessoas acima dos 60 anos, concluiu que 72% dos entrevistados nunca utilizaram um aplicativo, por exemplo.

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Isso configura uma espécie de exclusão, que se repete em outras partes do mundo. Idade, gênero e condição social se revelam, assim, fatores determinantes para o isolamento digital. Não é por menos que a Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu para este ano em celebração ao Dia do Idoso o tema “Equidade Digital para Todas as Idades”.

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A desigualdade no acesso à internet e às tecnologias da informação constitui uma forma de exclusão social, pois priva parte da população de recursos essenciais para a comunicação, o conhecimento, o trabalho e o lazer. Se queremos um mundo mais inclusivo, precisamos propiciar maior alfabetização digital e investir em maior acesso a esses recursos.

Não basta saber apenas fazer uma videochamada – como foi o caso de tantos avós, que aprenderam a realizar ligações por vídeo durante a pandemia. É preciso saber utilizar sites e aplicativos, bem como aprender a se proteger de perigos como golpes, ciberataques e fake news.

A inclusão digital dos idosos se faz mais que necessária, seja para gerar riqueza, reintegrando-os ao mercado de trabalho, seja para melhorar a qualidade de vida de parcela expressiva da nossa sociedade. A internet deve ser um direito, não um privilégio destinado a alguns grupos.

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