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O Fim das Dietas Por Blog Antonio Lancha Jr, professor titular com mestrado, doutorado e livre docência em Nutrição pela USP e autor do livro O Fim das Dietas (Ed. Abril), indica como emagrecer sem cair em promessas furadas.

Álcool engorda, e não só por ser calórico. Como evitar?

Nosso colunista traz mais razões que tornam as bebidas alcoólicas engordativas. E dá dicas sobre o que comer ao tomar cerveja, drinques e afins

Por Antonio Lancha Jr. 7 jan 2021, 18h37

Você já deve saber que o álcool é calórico. Para ter ideia, um grama de carboidrato fornece 4 calorias (kcal) — o mesmo vale para a proteína. A gordura, por sua vez, concentra 9 calorias por grama. Na mesma quantidade, o álcool carrega 7 calorias. Ou seja, ele é mais energético que carboidratos e proteínas, perdendo apenas para a gordura.

Mas a relação entre os drinques e o crescimento da barriga não se limita a essa matemática simples. Frequentemente ouço amigos dizerem que, para não engordarem, maneiram nos alimentos com carboidrato ao abusarem das bebidas alcoólicas. Só que isso simplesmente não faz sentido!

O processamento do álcool pelo corpo é altamente concorrente com o dos carboidratos. Isso significa que, quando bebemos, reduzimos a capacidade de ofertar glicose para o organismo. O fígado processa 90% do álcool utilizando as mesmas substâncias que servem para produzir glicose.

Assim, se a ingestão de bebidas alcoólicas for elevada, o carboidrato não é aproveitado direito e a concentração de glicose no sangue cai. Resultado: hipoglicemia. Como o cérebro “prefere” utilizar esse nutriente como fonte de energia, surge a confusão mental ou até a perda de consciência. Tanto é que, em caso de coma alcoólico, o procedimento consiste em injetar glicose na veia, justamente para conter essa consequência.

Digo tudo isso para reforçar a importância de não abdicar do carboidrato nesses momentos. Ele pode ajudar a manter o corpo ligado — e suas “calorias competem com as do álcool” (as calorias dos carboidratos são mais dificilmente convertidas a gordura que as do álcool).

  • Outro ponto: o álcool favorece a síntese de gordura no fígado e exerce grande influência sobre os mecanismos de controle da ingestão de alimentos. Sim, ele promove fome! Lembro dos mais antigos dizendo que cerveja, cachaça e afins estimulavam o apetite. O que era uma observação empírica hoje foi corroborado pelo conhecimento científico.

    Então, se for para reduzir algum alimento em situações de grande ingestão alcoólica, concentre-se nos ricos em lipídios (gorduras, como dizem por aí). São frituras, queijos, carnes etc. Esses favorecerão, juntamente com o álcool, a deposição de gordura pelo corpo, o que termina em mais pneus aqui e acolá.

    A ciência inclusive revelou um fenômeno curioso e contundente nesse sentido. Quando ingerimos bebidas alcoólicas, diminuímos a oxidação de gordura. Ou seja, a capacidade de queimar gordura corporal cai. Para piorar, essa oxidação resulta em uma redução nos sinais de saciedade, o que também estimula um maior consumo alimentar.

    É claro que, no fim das contas, o melhor a fazer é não abusar do álcool, até porque a saúde vai muito além do emagrecimento. Mas lembre-se: quando for beber, não prive seu corpo de alimentos contendo carboidratos e preste mais atenção naqueles ricos em gordura.

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