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Prostatite: saiba o que está por trás e quais os sintomas

Médico explica a principal causa do problema, os sinais de alerta e como é o tratamento

Por Dr. Henrique Rodrigues, urologista* - Atualizado em 28 fev 2020, 10h45 - Publicado em 7 fev 2020, 15h21

O assunto veio à tona quando, em meados de janeiro, o humorista Carlos Alberto de Nóbrega anunciou que havia sido internado para tratar uma prostatite. O termo se refere à inflamação da próstata, pequena glândula localizada abaixo da bexiga que faz parte do sistema reprodutor masculino. Sua função é produzir parte do líquido espermático, o sêmen.

A forma mais comum de inflamação da glândula é a chamada prostatite bacteriana aguda. Trata-se de uma infecção em geral causada por bactérias que, originalmente, ficam em nossa flora intestinal. Algumas situações predispõem a ocorrência do quadro. É o caso de obstrução provocada pelo próprio crescimento benigno da próstata, uso de cateteres urinários em pacientes que apresentam retenção de urina ou estejam internados e relações sexuais com penetração anal sem a proteção do preservativo.

A prostatite tem início súbito e, muitas vezes, os sintomas iniciais ocorrem pelo corpo todo: febre, calafrios, mal-estar, sensação de fraqueza e dores. Ao mesmo tempo, ou logo depois, aparecem as manifestações específicas do trato urinário, como dor e ardência ao urinar, frequência urinária aumentada, vontade incontrolável de urinar (às vezes nem dá tempo de chegar ao banheiro) e desconforto na região da bexiga.

Com a inflamação, a próstata incha e pode causar dificuldade para a saída da urina da bexiga, já que a uretra, por onde a urina circula para chegar ao meio externo, passa por dentro da próstata. Em homens que já apresentam um aumento do tamanho da próstata (a hiperplasia benigna), é comum ocorrer também retenção de urina.

Podem aparecer ainda náuseas e vômitos. E é preciso dizer que, em alguns pacientes, o quadro pode se agravar e propiciar septicemia, uma infecção generalizada.

O diagnóstico é quase sempre feito por meio da história e da avaliação física do paciente e confirmado por exames de sangue (hemograma e PSA) e de urina.

O tratamento é à base de antibióticos, que devem ser usados entre três a quatro semanas. Como a penetração dos antibióticos na próstata é baixa, o medicamento é sempre mantido por tempo prolongado. A maior parte dos casos pode ser tratada ambulatoriamente, com antibióticos de uso oral. Em pacientes com sinais de gravidade – febre alta ou persistente, pressão baixa… –, é necessário fazer a internação hospitalar e administrar a medicação na veia.

É importante ressaltar que quem sofre com prostatite não tem risco elevado para câncer de próstata. São duas doenças bem diferentes. A prostatite é um problema benigno e, após ser tratada adequadamente, não gera sequelas. Quanto antes o quadro for detectado e controlado, melhor para a qualidade de vida do paciente.

* Dr. Henrique Rodrigues é urologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia e membro da Associação Americana de Urologia e da Associação Europeia de Urologia

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