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Com a Palavra Por Blog Neste espaço coordenado pelo jornalista Diogo Sponchiato, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

Por que você deve dar mais atenção à recuperação muscular no seu treino

Ignorar o descanso e a recuperação da musculatura pode comprometer resultado dos exercícios e gerar problemas

Por Lucas Rech, especialista em biomecânica* 31 jan 2021, 12h46

Quem frequentou ou frequenta locais que contam com a orientação de profissionais de educação física já deve ter escutado frases do tipo: “Você não deve treinar todos os dias os mesmos músculos, pois eles precisam se recuperar. Caso contrário, não vai ter resultados”. Alguns dizem que são necessárias 48 horas de recuperação, outros indicam de três a cinco dias. Enfim, a orientação pode mudar de acordo com o profissional e o biotipo físico do aluno.

Mas será que é isso, ou só isso, que vai definir o tempo de recuperação muscular de uma pessoa? Será que alguém que está há anos fazendo exercícios na academia, mas sem chegar ao resultado esperado, não vem se recuperando 100% dos treinos anteriores? Se não está vendo resultados, com certeza o corpo não está lidando bem com a situação.

O que nem todo mundo sabe é que fatores como o próprio funcionamento do organismo, a mobilidade, a postura e a estabilidade da coluna e das articulações influenciam a recuperação adequada dos músculos. Todo resultado de melhoras físicas vai depender da nossa capacidade de recuperação, que é o que vai proporcionar a adaptação do corpo, inclusive para ganhar massa magra.

Vamos imaginar que um carro tenha a capacidade de se recuperar como o corpo humano. Se esse carro passar por uma estrada esburacada e cheia de obstáculos e estiver com seu funcionamento em 100%, a tendência é absorver melhor o impacto e não gerar problemas para a a lataria — a musculatura, no nosso caso.

  • O nosso corpo, ao passar por situações ou atividades que lesam os músculos, como uma corrida, tende a reforçar a área desgastada durante o repouso, deixando-a mais forte para absorver o impacto dos exercícios. Retornando ao exemplo do carro, se o mesmo tivesse um cérebro, ele encheria os pneus, checaria a suspensão, colocaria mais molas no amortecedor e reforçaria o chassi para enfrentar os novos trajetos.

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    De volta ao corpo humano, se não nos prepararmos e darmos o devido descanso no dia a dia, a tendência é acumular lesões. Até a hora de sentir o baque. Quanto mais exercícios fazemos, mais precisamos também descansar os músculos.

    Uma das formas de avaliar nossa capacidade de recuperação é observar quanto tempo o resultado da malhação dura quando reduzimos a frequência de exercícios. Se uma pessoa faz um ano de musculação e o corpo está em melhora progressiva, um ano após ela parar a atividade deveria perder X de seus ganhos iniciais. Se fizer um ano a mais de exercícios, deveria perder meio X dos seus ganhos, e assim por diante.

    Hoje em dia vemos que muitas pessoas não focam nas qualidades funcionais do treino e na sua capacidade de recuperação frente aos estímulos físicos. Daí que a regressão é cada vez mais rápida ao parar ou reduzir a cota de exercícios. Quem não respeita o corpo e a necessidade de repouso também se machuca mais facilmente.

    Recebo vários pacientes em minha clínica com lesões decorrentes de exercícios praticados de forma equivocada. Às vezes o problema nem está na execução correta do movimento, mas em deixar de respeitar o tempo de recuperação dos músculos. Que tal ficar mais atento a isso para ter um melhor aproveitamento dos exercícios?

    * Lucas Rech é quiropraxista, especialista em biomecânica pela PUC-RS e fundador da Casa da Coluna, no Rio de Janeiro

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