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Com a Palavra Por Blog Neste espaço coordenado pelo jornalista Diogo Sponchiato, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

Jovens devem repensar maus hábitos para evitar o câncer colorretal

Esse tipo de tumor está surgindo com mais frequência em adultos jovens. E o estilo de vida moderno parece influir nesse sentido, como mostra uma médica

Por Dra. Anelisa Coutinho, oncologista* Atualizado em 9 jun 2020, 12h07 - Publicado em 7 Maio 2019, 17h10

O câncer colorretal (CCR), que era comumente associado a pessoas acima de 50 anos, vem afetando cada vez mais adultos de 20 a 39 anos. De acordo com um estudo da American Cancer Society (ACS), a incidência da doença nessa faixa etária vem crescendo entre 1% e 2,4% anualmente desde a década de 1980. Por causa desses dados, a entidade anunciou, no ano passado, novas diretrizes quanto à prevenção da doença, indicando que os exames sejam feitos a partir dos 45 anos, cinco anos antes da recomendação anterior para os indivíduos de médio risco (aqueles assintomáticos e sem fatores de risco).

Porém, as ameaças que contribuem para o aumento do CCR nessa idade não estão relacionados necessariamente a falta de exames preventivos, mas sim a questões comportamentais. É fundamental, por exemplo, cuidar da dieta, já que o consumo de alimentos processados está vinculado a esse tipo de tumor e é frequente entre os jovens.

O excesso de álcool, outro hábito juvenil, também é um fator de risco, assim como tabagismo, sedentarismo, excesso de ganho de peso, baixo consumo de fibras, pouca exposição solar, entre outros.

  • Por ser uma doença multifatorial, não podemos dizer que apenas a rotina e o ambiente estão provocando o câncer colorretal. A enfermidade também é influenciada por fatores genéticos e hereditários, como o histórico familiar em primeiro grau. Porém, esses casos representam apenas entre 5% e 10% do total.

    Alguns sintomas do câncer colorretal são sutis: alterações intestinais (prisão de ventre ou diarreia frequentes), fezes com sangramento e/ou em fita (com formato fino) e dores abdominais. Já a pesquisa de sangue oculto nas fezes é um método útil para rastreamento populacional. Ela funciona como triagem para a colonoscopia, um exame que exige um preparo intestinal mais complexo e tem alto custo.

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    Precisamos lembrar que vivemos em um país no qual 24% da população não realiza nenhum tipo de exame preventivo, como revelou a pesquisa da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) sobre os brasileiros e o câncer, realizada em 2017. Além da falta de informação sobre o assunto, também há grande dificuldade de acesso aos exames de rastreio.

    Fora os mutirões conduzidos pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed) em algumas cidades do Brasil e ações de instituições privadas, não existem muitas iniciativas para garantir que a população em geral seja examinada.

    O CCR é o terceiro câncer mais comum no Brasil, com estimativa de quase 37 mil novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Avaliando a questão de forma mais ampla, é fundamental observar quais são os custos indiretos para a sociedade do aumento de doenças como essa, que geram perda de produtividade, afastam pessoas jovens do mercado de trabalho e impactam a dinâmica familiar.

    Apesar de clichê, a melhor forma de reduzir a incidência de doenças, incluindo o câncer, ainda é cuidando da alimentação e praticando atividade física regularmente. Temos que refletir sobre os nossos hábitos desde cedo e procurar um especialista quando percebermos mudanças no corpo.

    Assim como a maioria dos cânceres, quando diagnosticado precocemente, o CCR tem altas chances de cura.

    *Dra. Anelisa Coutinho é oncologista da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC)

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