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Dosagem da creatinina: um exame essencial para avaliar a saúde dos rins

No Dia Mundial do Rim, médico explica como esse teste simples ajuda a identificar a doença renal crônica e outros problemas antes de sintomas aparecerem

Se em pleno Dia Mundial do Rim você não sabe como anda a saúde desse órgão tão importante, saiba que suas funções podem ser avaliadas com a dosagem de creatinina no sangue, um exame laboratorial extremamente simples e confiável. Com a ajuda do teste, muitas vezes a doença renal crônica pode ser detectada bem antes do surgimento de qualquer sintoma. Hoje, esse é o principal alerta que nós, da comunidade médica, devemos fazer.

Até porque, infelizmente, grande parte das pessoas recebe o diagnóstico da doença renal crônica numa fase tão avançada que nada mais pode ser feito para salvar os rins. Nesses casos, é preciso iniciar uma diálise de urgência para o paciente não correr risco de morrer.

Por que investigar a creatinina

Uma das principais tarefas dos rins é filtrar o sangue, eliminando as substâncias tóxicas de nosso organismo. Sem a filtração renal, a manutenção da vida seria inviável em pouco tempo.

À medida que os rins começam a perder função, os níveis de creatinina no sangue vão se elevando. Isso ocorre porque essa molécula é constantemente produzida pelas células musculares e, ao mesmo tempo, eliminada exclusivamente pelos rins. Em condições normais, portanto, os níveis de creatinina no sangue permanecem sempre baixos.

Mas, no caso de doença renal, a substância continuará circulando pelo corpo. Por isso, a sua dosagem é extremamente útil no diagnóstico de um problema no órgão.

Vale ressaltar, no entanto, que não há um limite fixo de valor considerado normal. Isso porque os níveis da creatinina no sangue não dependem apenas de sua filtração pelos rins, mas também da quantidade produzida pelas células musculares. Pessoas com mais massa muscular apresentam valores mais altos de creatinina do que indivíduos menos musculosos – ainda que tenham a mesma função renal.

De um modo geral, homens e pessoas mais jovens apresentam creatinina mais elevada do que as mulheres e os idosos, que perdem massa muscular à medida que envelhecem.

Dá para dizer que homens com creatinina acima de 1,6 mg/dl e mulheres com valores acima de 1,3 mg/dl geralmente têm função renal reduzida, independentemente da idade — logo, são níveis que indicam a presença da doença. Porém, nas pessoas mais idosas, o limite da normalidade da creatinina pode ser ainda mais baixo do que esses. Resultados anormais devem ser confirmados por nova dosagem.

O diagnóstico definitivo de doença renal crônica é dado quando a alteração persiste por mais de três meses. A dosagem da creatinina de rotina é recomendada principalmente para as pessoas com maior risco de doença renal crônica, como diabéticos, hipertensos, idosos e indivíduos com histórico familiar do problema.

O diagnóstico precoce da doença renal crônica é fundamental para que medidas clínicas possam ser tomadas a tempo de prevenir ou retardar a sua progressão. Quanto mais avançado o quadro, mais complicado de tratar.

*Jorge Strogoff é médico nefrologista, professor da Universidade Federal Fluminense e consultor científico da Fresenius Medical Care