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Com a Palavra Por Blog Neste espaço coordenado pelo jornalista Diogo Sponchiato, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

Doenças e acidentes de trabalho: você está atento a isso?

O impacto de problemas de saúde relacionados ao trabalho é enorme. Um fisioterapeuta conta o que funcionários e donos de empresa devem fazer para evitá-los

Por Dr. Marcio Rogério Renzo, fisioterapeuta* Atualizado em 7 abr 2021, 16h05 - Publicado em 7 abr 2021, 16h03

A saúde ocupacional deveria ser uma preocupação constante para o empresário e para o trabalhador. No dia 7 de abril, é comemorado o Dia Mundial da Saúde e, no 28, o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho. Partindo dessas duas importantes datas, o mês em que estamos foi escolhido para conscientizar as pessoas quanto aos riscos ocupacionais. É o Abril Verde.

Os números de doenças ou acidentes relacionados ao trabalho é assustador. A cada minuto, uma pessoa se machuca no Brasil durante o serviço. A Previdência Social registrou, em 2018, 576 951 acidentes de trabalho. E esse dado inclui apenas funcionários com registro formal. Se considerarmos os trabalhadores informais e autônomos, o número pode ser até sete vezes maior, chegando aos 4 milhões por ano.

As despesas com esses problemas são astronômicas. Segundo um estudo do professor José Pastore, da Universidade de São Paulo, elas atingem os 70 bilhões de reais ao ano. Oficialmente, a Previdência Social desembolsou, só em 2018, cerca de 12 bilhões de reais.

  • Como a fisioterapia ajuda a empresa?

    O fisioterapeuta do trabalho e/ou ergonomista visa melhorar a saúde e qualidade de vida do colaborador dentro e fora do ambiente do trabalho. Um colaborador feliz faz uma empresa lucrativa.

    O aumento da produtividade, a redução no número de afastamentos, a melhora no ambiente de trabalho é imediatamente percebida. Além disso, há uma melhora da imagem da companhia perante à sociedade

    Portanto, não será um gasto que a empresa terá ao implantar uma política de cultura de saúde, e sim um investimento, com retorno garantido!

    Dentre as atividades que o fisioterapeuta desenvolve no ambiente empresarial, temos:

    • Programas de terapia laboral, individual e em grupo
    • Análise de ambientes para prevenir desconfortos e queixas relacionadas ao trabalho (juntamente com os profissionais de saúde ocupacional)
    • Promoção de palestras de conscientização
    • Aplicação de ginástica laboral
    • Acompanhamento do tratamento de doenças ocupacionais
    • Apoio em problemas judiciais ligadas à DORT/LER (Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho/Lesão por Esforço Repetitivo).

    Eu gostaria de destacar a ergonomia, que visa adaptar o ambiente de trabalho a quem o utiliza, de forma a melhorar seu rendimento e minimizar os riscos de acidentes ou doenças ocupacionais. Esse estudo observa três vertentes: a ambiental, a organizacional e os aspectos técnicos.

    No ambiente, aferimos a temperatura, a iluminação, intensidade dos ruídos e a qualidade do ar.

    No lado organizacional, é analisado o ritmo de trabalho, a quantidade e duração das pausas e a divisão de tarefas.

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    Já os aspectos técnicos envolvem mobiliário, máquinas e equipamentos.

    Outra atividade que pode ser implementada pela fisioterapia é a ginástica laboral. Ela desenvolve exercícios físicos voltados à atividade laboral que o colaborador executa no próprio posto de trabalho, prevenindo e preparando a musculatura.

    Quais os benefícios para o trabalhador?

    São muitos: ganho de eficiência nas atividades, redução na sensação de cansaço, prevenção ou tratamento adequado de doenças ocupacionais, melhora na saúde e qualidade de vida…

    Psicologicamente, os ganhos também são grandes. Pensar na saúde do colaborador ajuda a evitar depressão, ansiedade e estresse, além de aprimorar a concentração e o foco (o que inclusive diminui o risco de acidentes).

    Mas como eu consigo perceber se corro risco de desenvolver alguma doença ocupacional? Fique atento principalmente a sintomas como dores musculares, de cabeça ou nos olhos e alterações de sono. Eles indicam que algo está fora do lugar.

    Outros sinais suspeitos, principalmente para os trabalhadores em home-office, são queda de produtividade, cansaço excessivo e alteração de humor. No trabalho em casa, os colaboradores perdem a referência de tempo e das pausas necessárias. No mais, deixam de interagir socialmente, o que pode prejudicar seu rendimento.

    Dicas durante o expediente

    Se você está trabalhando em home-office (ou mesmo no escritório), siga os passos abaixo:

    1. Faça pausas de dez minutos a cada hora trabalhada
    2. Durante a pausa, caminhe pelos cômodos, mas evite mexer em aparelhos eletrônicos. E olhe para o horizonte: isso ajuda a relaxar os olhos e evitará dores de cabeça.
    3. Alongue o pescoço, puxando contra cada ombro, contra o peito e para trás. Segure por 5 segundos de cada lado. Ao final, gire o pescoço para a direita e depois para a esquerda.
    4. Alongue os braços esticados, puxando as mãos para cima e para trás e para baixo e para trás.
    5. Puxe os braços esticados, levando o cotovelo contra o peito.
    6. Dobre os braços, pegue o cotovelo e com a mão tente pegar o meio das suas costas, empurrando o cotovelo no sentido da sua cabeça.
    7. Com as pernas esticadas, tente tocar o solo com as mãos, sem dobrar as pernas. Sustente a posição por 5 segundos.
    8. Com as pernas abertas na distância dos ombros, rode o corpo da cintura para cima, para direita e para a esquerda, olhando para trás. Segure por 5 segundos de cada lado.
    9. Em pé, apoie-se no batente de uma porta, dobre sua perna e pegue a ponta do pé. Então, puxe-a contra o seu bumbum. Segure por 5 segundos de cada lado.
    10. Ainda apoiado no batente da porta, coloque a ponta do pé no batente o mais alto possível, mantendo o calcanhar no chão. Com a perna esticada, leve seu corpo contra o batente da porta. Você sentirá puxar a panturrilha. Segure por 5 segundos de cada lado.

    Lembre-se: não há necessidade de fazer todos esses exercícios em cada intervalo. Você pode distribuí-los ao longo das pausas. Mas, quanto mais exercícios, menor o risco de algum problema muscular.

    E, sempre que precisar, consulte um fisioterapeuta de sua confiança! Estamos aqui para ajudar.

    *Marcio Rogério Renzo é fisioterapeuta, capitão do Corpo de Bombeiros e dono do perfil @marcior.renzo no Instagram

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