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Probióticos para a pressão

Cientistas descobrem que essas bactérias do bem, presentes em alguns lácteos, ajudam a combater a hipertensão

Por Maria Sílvia Ferraz (colaboradora) 21 mar 2015, 10h02 | Atualizado em 12 set 2018, 10h05
Augusto Bartolomei / Revista Saúde é Vital
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Bactérias, normalmente, são associadas a doenças. No entanto, 99% delas são inofensivas. Muitas, inclusive, são bem-vindas à saúde – como as chamadas probióticas. Uma vez ingeridas por meio de certos tipos de iogurte e de queijos, sem contar leites fermentados, elas passam a morar na nossa flora intestinal, dando uma força e tanto ao aparelho digestivo. Mas a influência desses micro-organismos em outras áreas do corpo está cada vez mais evidente.

Benefício para coração e cérebro

Pesquisadores da Universidade Griffith, na Austrália, observaram que esses minúsculos seres auxiliam no controle da pressão alta, uma das principais causas de infartos e derrames.

Os cientistas revisaram nove trabalhos envolvendo, ao todo, 543 pessoas. A análise mostra que o consumo regular de alimentos e suplementos abastecidos de bactérias probióticas reduz, em média, 3,6 mmHg a pressão sistólica e 2,4 mmHg a diastólica. Isso significa que, se alguém estivesse na casa dos 13 por 9, poderia migrar para a dos 12 por 8. Uma mudança expressiva, visto que uma pessoa à beira da hipertensão voltaria para uma condição de normalidade.

Efeito em dois meses

Embora os produtos usados nesses experimentos não existam no Brasil, já contamos com similares, que concentram alguns dos micro-organismos bons para a pressão, como Lactobacillus helveticus, Lactobacillus reuteri e Bifidobacterium animalis lactis – basta checar o rótulo. De acordo com a revisão, seriam necessárias pelo menos oito semanas de consumo diário para ter um efeito positivo nas artérias.

Por que funciona?

Qual seria a razão do benefício dos probióticos aos vasos? Há indícios de que essas bactérias liberam substâncias capazes de inibir a produção de angiotensina 2, molécula que estimula a contração das artérias. A pesquisadora Jing Sun, que assina a revisão, faz questão de avisar que a redução da pressão depende do tipo de micro-organismo consumido. “Notamos resultados particularmente positivos com o Lactobacillus helveticus”, diz.

Revelação empolgante, já que se trata de uma bactéria comum, usada em alguns leites fermentados produzidos aqui e na fabricação de diversos queijos, como mussarela e parmesão – só que estes têm muito sal, então não vale, portanto, abarrotar o menu com todos esses itens. O segredo, como sempre, é moderação e regularidade.

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