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Apesar do Zika, médicos apoiam Olimpíadas no Rio

Sociedade Brasileira de Infectologia emite um documento em que apoia os Jogos em solo carioca

Diante das altas taxas de infecção pelo vírus Zika no nosso país — e de suas consequências, em especial para bebês de gestantes acometidas —, uma série de atletas manifestou preocupação com a realização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Mas a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) acaba de se manifestar favoravelmente à realização das Olimpíadas.

Segundo um documento assinado por Sergio Cimerman, presidente da organização, e Antonio Carlos Bandeira, coordenador do Comitê de Arboviroses, repelentes e outros métodos preventivos comumente utilizados são suficientes para proteger as delegações e o público. “Sabe-se que a atividade vetorial [do Zika] é significativamente menor nos meses que incluem o da realização dos Jogos”, completa o comunicado.

O texto da SBI ainda elogia a atuação dos cientistas brasileiros, que trouxeram informações valiosas para contornar o Zika e suas repercussões. Confira a íntegra desse posicionamento abaixo:

Desde a introdução do vírus Zika (ZIKV) no Brasil, documentada a partir do ano de 2015, e sua rápida disseminação pelo continente americano, toda a comunidade científica, os órgãos de governo ligados à área da Saúde, e os profissionais de saúde do Brasil vêm fazendo um gigantesco esforço no sentido de elucidar as diversas lacunas de conhecimento acerca do perfil epidemiológico de transmissão do agente, das manifestações clínicas e laboratoriais da doença, e as consequências, até então desconhecidas, nos fetos de gestantes infectadas pelo ZIKV. 

Esse trabalho que ainda e cada vez mais mobiliza médicos infectologistas por todo o Brasil, permitiu que hoje houvesse um significativo acúmulo e consolidação de conhecimento inexistente por mais de 60 anos desde a descoberta do ZIKV, em 1947. 

Desde o ano de 2015, tanto a comunidade médico-científica brasileira quanto as diversas esferas de governo vêm realizando um grande e notório trabalho de divulgação de informações transparentes e conscientização responsável em relação ao ZIKV, com recomendações relacionadas ao controle ambiental do vetor, e à medida que os conhecimentos sobre a infecção placentária, transmissão vertical e os riscos de microcefalia e outras malformações congênitas foram melhor compreendidos, as ações de assistência e vigilância foram sendo significativamente aprimoradas por todo o Brasil, inclusive na cidade do Rio de Janeiro. 

O comportamento de um processo epidêmico pode ser previsto e em relação ao ZIKV a experiência nos estados do Nordeste do Brasil mostrou que essa arbovirose apresentou elevada transmissão no início do ano de 2015, com rápido decaimento nas taxas de incidência subsequentes. No Rio de Janeiro, a epidemia se iniciou de forma paralela aos estados do Nordeste, com identificação da circulação do ZIKV tão próxima ao isolamento realizado na Bahia, com comportamento semelhante ao observado na região nordeste. 

Baseado no longo período de experiência em relação à dengue sabe-se que a atividade vetorial é significativamente menor nos meses que incluem o da realização dos Jogos, e as medidas de prevenção da transmissão para várias arboviroses (dengue, Chikungunya e ZIKV) são conhecidas e incluem proteção individual por meio de repelentes e ações de controle vetorial nos locais onde deverão ocorrer os Jogos Olímpicos. 

Diante do exposto, consideramos pela realização dos Jogos Olímpicos na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, com a observância às medidas de proteção individual por parte dos atletas e participantes, e das ações de vigilância e controle por parte das autoridades sanitárias. 

São Paulo, 10 de junho de 2016. 

Sergio Cimerman
Presidente Sociedade Brasileira de Infectologia 

Antonio Carlos Bandeira 
Coordenador do Comitê de Arboviroses Sociedade Brasileira de Infectologia