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Pele na menopausa: o que muda e como cuidar, segundo dermatologistas

É possível atenuar ressecamento, sensibilidade e até rugas sem precisar esconder (ou negar) essa etapa da vida

Por Ingrid Luisa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 nov 2026, 10h53
Espelho dourado com rosto feminino dividido ao meio, um lado jovem e outro envelhecido, cercado por flores. Abaixo, um espelho de mão reflete um sorriso e um pote de creme facial.
A pele também muda com a queda dos hormônios (Ilustração: Priscila Barbosa/Veja Saúde)
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Pele na menopausa: o que muda e como cuidar, segundo dermatologistas Priorizar nos meus resultados Google

Naomi Watts tinha 33 anos quando Cidade dos Sonhos, clássico de 2001 dirigido por David Lynch, a colocou entre os rostos mais conhecidos de Hollywood.

Dona de uma pele que as câmeras pareciam amar, no ano seguinte ela entrou para a lista das 50 pessoas mais bonitas do mundo da revista americana People.

Desde então, dividida entre sets, flashes e tapetes vermelhos, a atriz fez da maquiagem parte da rotina e de seu ofício, ajudando a construir, personagem após personagem, outros rostos sobre o seu. Mas foi justamente diante do espelho de um camarim, anos mais tarde, que ela percebeu que algo estava mudando.

Durante as gravações de Gypsy, série de 2017, a pele de Watts, então com 48 anos, começou a dar sinais nunca antes vistos. Ficava vermelha, sensível, coçava. A maquiagem, necessária para enfrentar horas de gravações, passou de aliada a inimiga: quanto mais produtos entravam em cena, mais reações havia.

A atriz trocou fórmulas, procurou alergistas, tentou descobrir o que estava acontecendo. Mas o problema não passava. Foi aí que uma conversa aparentemente banal no camarim mudou tudo: a profissional que cuidava de sua maquiagem, e tinha a mesma idade que ela, também sentia essas mudanças.

Watts finalmente começou a ligar aqueles sintomas às oscilações hormonais da perimenopausa.

A celebridade revelou essa história no livro Tudo o Que Queria Que Tivessem Me Falado sobre a Menopausa (Sextante). E é curioso acompanhar a transformação de uma pessoa sempre cobrada pela aparência que um belo dia se deu conta de que sua pele também entrava numa nova fase.

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Mas ela não está sozinha nessa. Por muitos anos, falar de menopausa era falar de ondas de calor, alterações de humor e até perigos ao coração. Tudo isso importa muito, claro. Porém, a pele, o maior órgão do corpo, também sente as mudanças hormonais.

Nesta reportagem, você vai entender:

  • A relação entre a pele e os hormônios
  • Como a menopausa afeta a pele?
  • Os cuidados essenciais nessa fase
  • Retinol, vitamina C e niacinamida: o que usar?
  • Procedimentos estéticos na menopausa

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A relação entre a pele e os hormônios

Esse fenômeno só foi descoberto com a evolução da ciência, quando pesquisadores identificaram receptores de estrogênio em células como os queratinócitos, que ajudam a formar a barreira de proteção da pele; nos fibroblastos, que produzem colágeno e elastina, responsáveis pela sustentação dos tecidos; e nas glândulas sebáceas, que geram oleosidade.

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Ou seja, a cútis também depende de um dos hormônios centrais que despenca nesse momento da vida.

Como exemplifica o caso de Watts, atualmente a menopausa chega quando muitas mulheres estão no auge da carreira, tentando equilibrar vida social, relacionamento, maternidade, tarefas domésticas, entre vários outros pratinhos.

E, nesse contexto, a autoestima e a satisfação com a aparência não são futilidades. “Os 50 não são os novos 30”, diz a médica Flavia Addor, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). “Não precisamos perseguir uma volta aos 30, uma vez que a experiência de vida aos 50 é uma conquista, mas podemos chegar lá mais felizes com a nossa pele e com nós mesmas.”

E isso começa por entender o que muda nesse nobre tecido e quais suas novas necessidades.

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Como a menopausa afeta a pele?

Na verdade, cuidar da pele durante a peri e a menopausa é uma questão de saúde acima de tudo.

“Hoje a gente discute muito a pele como um órgão de defesa”, aponta a dermatologista Marcelle Nogueira, doutora pela Universidade de São Paulo (USP) que estuda o processo de envelhecimento desse tecido.

“Quando sua barreira está íntegra, ela protege o organismo de vírus, bactérias, fungos. Mas, ao perder essa função na menopausa, temos impactos relacionados até à nossa imunidade”, acrescenta a também coordenadora do Departamento de Geriatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Só que essas transformações não ficam restritas ao que acontece por dentro. Elas também se tornam visíveis no espelho e podem mexer com a autoimagem justamente em uma fase marcada por tantas outras mudanças.

Para entender por quê, vale lembrar que o envelhecimento cutâneo resulta basicamente de três componentes: o intrínseco, muito ligado à passagem do tempo e à genética; o extrínseco, relacionado a fatores como a exposição à radiação ultravioleta, à poluição, ao tabagismo e ao estilo de vida; e, nas mulheres, o hormonal, no qual a queda do estrogênio ganha protagonismo.

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“Devido ao fotoenvelhecimento, notamos alterações de pigmentação na pele, as manchas, os vasos sanguíneos ficam mais aparentes, a textura, mais irregular, e surgem rugas nas áreas expostas ao sol”, resume a dermatologista Bianca Viscomi, primeira autora de uma revisão científica sobre as mudanças da pele na menopausa.

“Já quando falamos de envelhecimento pela perda hormonal, resultado da queda do colágeno e da redução da espessura da derme, aparece uma pele mais fina, seca, sensível e flácida”, completa.

Na vida real, essas diferentes vias não acontecem isoladamente, mas se encontram, se sobrepõem e podem potencializar umas as outras.

Especialmente após os 35 anos, há uma perda média de 1% da quantidade total de colágeno na pele por ano. Com a menopausa, os estudos mais recentes indicam que esse patamar dobra. “A mulher experimenta uma aceleração do envelhecimento, principalmente na pele do rosto e das extremidades do corpo, como mãos e pés”, afirma Addor. Sim, de cima a baixo!

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Os cuidados essenciais nessa fase

Mas quais cuidados diários podem realmente ajudar nesse novo cenário?

Bom, a começar pelo básico: a limpeza. Nada de sabonetes com ativos fortes, o ideal é sempre optar por uma higiene mais gentil, já que a barreira cutânea tende a estar mais fragilizada. Opções com óleo, seja em balm ou sérum, são boas para fortalecer a camada lipídica.

Na proteção solar, a regra segue sendo não abrir mão nem nos dias nublados. Isso porque a radiação UV sempre será um dos principais motores do envelhecimento. Protetores de amplo espectro, com FPS 30 ou mais, ajudam a evitar que manchas, rugas e perda de elasticidade avancem ainda mais.

E aqui vale a máxima: o melhor filtro é aquele que você consegue usar todos os dias e reaplicar quando necessário.

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A hidratação também ganha destaque. Com a queda hormonal, a pele tende a reter menos água, ficando mais seca, fina e irritadiça.

Mas há um paradoxo: como o estrogênio zera e a quantidade de testosterona se mantém a mesma, altera-se o balanço de hormônios, e características “masculinas” prevalecem. Isso pode resultar em aumento de oleosidade e surgimento de acne.

“Essa é uma contradição característica da pele na menopausa, que acaba mais sensível e sujeita a acne”, pontua Viscomi.

Por isso, priorizar fórmulas que combinem ingredientes umectantes, como glicerina e ácido hialurônico, capazes de atrair e reter água, a componentes que reforçam a barreira cutânea, caso das ceramidas, é o ideal.

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Infográfico O Caminho do Cuidado com quatro etapas sobre prevenção e tratamento da pele: Skincare, Cosméticos e Ativos, Procedimentos e Cirurgia Plástica. Cada etapa detalha o que faz diferença e o que não faz
(Editoria de arte/Veja Saúde/Veja Saúde)

Retinol, vitamina C e niacinamida: o que usar?

Mais do que deixar a pele macia ao toque, hidratar ajuda a preservar uma estrutura que está naturalmente ficando mais vulnerável.

E, para o tratamento de acne, assim como de outras condições, deve-se fazer análises individualizadas na consulta com o dermatologista.

Retinoides estão entre os ativos mais consagrados para estimular a renovação celular, atuar sobre sinais do fotoenvelhecimento e até combater espinhas, mas podem piorar a sensibilidade da pele, por exemplo. Já antioxidantes, como a vitamina C, ajudam a barrar os danos provocados pelos raios UV e pelo estresse oxidativo, mas também não são tolerados por todas as mulheres. A niacinamida é uma aliada especialmente interessante nessa fase, por contribuir para a barreira cutânea e ser, em geral, bem-aceita por qualquer tipo de pele.

Ilustração de uma necessaire aberta, listando ativos para cuidados com a pele. Frascos de Ácido Hialurônico, Glicerina, Ceramidas, Retinoides, Niacinamida e Antioxidantes, com descrições de seus benefícios. Flores e folhas decoram o fundo rosa claro
(Ilustração: Priscila Barbosa/Veja Saúde)

No fim, há diversas opções de ativos, mas não é preciso transformar a nécessaire em uma prateleira de laboratório: com a pele mais reativa, introduzir poucos produtos, lentamente, e contar com orientação dermatológica para tratamentos mais potentes costuma ser o melhor caminho.

“Ter um bom médico é o que vai permitir ajustar o dia a dia de cuidados”, sintetiza Addor.

Até porque uma avaliação clínica completa — muito além da pele — faz a diferença. “Por exemplo: mulheres que tomam estatinas para baixar o colesterol, algo mais comum a partir dos 50 anos, costumam ter a pele ainda mais ressecada”, cita a dermatologista. “É importante perguntar sobre o estado de saúde em geral e levar em consideração esses aspectos na hora de prescrever uma rotina personalizada para a paciente”, ressalta a especialista.

Lista de produtos de cuidados com a pele divididos em Hidratação, Limpeza e Tratamento, com nomes e descrições de cada item, como Mantecorp Epidrat Calm B5, Eucerin Hyaluron Filler e Vichy Neovadiol Redensificador
Essas são apenas algumas opções. Consulte um dermatologista para aliar bons produtos ao seu skincare! ()

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Procedimentos estéticos na menopausa

E quando os cuidados diários não são suficientes para deixar a mulher satisfeita com o que vê no espelho?

É aí que os procedimentos estéticos podem ser recrutados. Toxina botulínica, bioestimuladores de colágeno, preenchedores e diferentes tecnologias também são aliados na menopausa.

“Mas, antes de indicar qualquer tratamento, é importante entender a queixa principal e realizar uma avaliação detalhada: qual a espessura da pele, grau de flacidez, fototipo, tolerância e expectativas”, resume o dermatologista Renato Soriani, especialista em tecnologias aplicadas a essa especialidade médica.

“Na perimenopausa, a pele ainda responde bem e o foco pode ser preservar as estruturas. Na pós-menopausa mais tardia, a pele é fina e responde mais devagar, então costumo preparar melhor o tecido, ser mais conservador na energia e associar tratamentos regenerativos”, ilustra.

“Não existe um protocolo único por fase, o que existe é recomendação individual”, frisa Soriani.

Tampouco inventaram um procedimento capaz de resolver todas as demandas. Cada recurso atua em uma frente: tecnologias como laser e radiofrequência podem melhorar textura, viço, poros, linhas finas, firmeza e quadros de flacidez leve a moderada; preenchedores e bioestimuladores ajudam a recuperar suporte ou volume; enquanto o Botox age sobre as rugas provocadas pelo movimento dos músculos para reequilibrar o balanço de forças do rosto.

E tem casos que podem até se beneficiar do bisturi. Quando a flacidez é acentuada, a cirurgia plástica passa a ser a alternativa capaz de entregar resultados mais expressivos. Cabe a cada uma decidir.

Para as mulheres mais vaidosas, cabe lembrar que o cuidado precisa começar antes de a menopausa bater à porta. “Quanto mais cedo a gente começar a cultivar uma poupança de colágeno, melhor estará a pele ao chegar aos 50”, crava Addor.

Mas nunca é tarde para se engajar por uma pele mais saudável e bonita. Até porque não se trata de recuperar o rosto de décadas atrás, mas aprender que há uma nova beleza acompanhando quem você é hoje.

Mulher negra com tranças e flores no cabelo, aplicando creme na testa. Mãos com luvas verdes injetam e marcam o rosto com linhas pontilhadas para procedimentos estéticos
(Ilustração: Priscila Barbosa/Veja Saúde)
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