Etip: o que é e como tratar essa complicação de preenchimentos com ácido hialurônico
O edema tardio inflamatório e persistente pode aparecer anos depois de um preenchimento. Entenda o risco e como é feito o tratamento
O preenchimento com ácido hialurônico, mesmo a versão sintética, é um procedimento seguro e com baixo risco de reações alérgicas.
Isso porque esse composto faz parte do corpo humano, estando presente no tecido conjuntivo (que forma a derme da pele), no líquido sinovial que preenche as articulações do corpo e até no humor vítreo, gel que preenche a cavidade de trás do olho.
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Mesmo assim, ele não é totalmente livre de riscos. Técnica, aplicação e produto fazem muita diferença no resultado do paciente. E uma complicação pode ocorrer mesmo se nada der errado.
Uma das que mais tem chamado a atenção atualmente é o edema tardio inflamatório persistente, mais conhecido como Etip, que resulta em nódulos incômodos. O quadro ganhou notoriedade após o relato da médica ginecologista Lilian Correa, que foi acometida por ele:
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Saiba mais sobre como o Etip surge e como tratar:
Etip: o que é
É uma reação adversa tardia ao preenchimento facial com ácido hialurônico (AH).
Caracteriza-se por um inchaço difuso na região onde o produto foi aplicado, deixando a área mais elevada, pesada e espessa. Ao tocar, a pele pode parecer mais firme, mas não há bolinhas, caroço ou nódulo endurecido sob a pele.
Nesse cenário, o ácido hialurônico desencadeia uma reação inflamatória no tecido ao redor. Isso faz com que toda a região retenha líquido e inche por igual, sem que o produto se aglomere em forma de caroços fechados (nódulos) ou bolsas fechadas de infecção/pus (abscessos).
A nomenclatura Etip surgiu em surgiu em 2017, com a publicação do artigo Edema tardio intermitente e persistente ETIP: reação adversa tardia ao preenchedor de ácido hialurônico, que tem autoria de médicas brasileiras.
“A intenção ao propor uma nomenclatura específica não foi criar uma entidade completamente independente do espectro das reações tardias ao ácido hialurônico”, afirma a médica radiologista Fernanda Cavallieri, que possui mais de 10 anos de experiência em Ultrassonografia Dermatológica e é a primeira autora do artigo.
“O objetivo era individualizar um padrão de apresentação dentro desse espectro, facilitando seu reconhecimento clínico, a comunicação entre profissionais e a comparação de casos, além de permitir a construção de evidência científica mais homogênea”, completa a também membro da Comissão Nacional de Ultrassonografia do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR).
O inchaço pode surgir semanas, meses ou até anos depois do preenchimento. Como o próprio nome indica, ele vai e volta: melhora por um período, mas pode reaparecer.
Onde aparece o edema
Em qualquer lugar onde o ácido hialurônico foi aplicado.
No estudo conduzido pelas brasileiras, o Etip apareceu mais abaixo dos olhos (olheiras), nas maçãs do rosto e no chamado “bigode chinês” (suco nasogeniano).
A região pode ficar com aparência de rosto inchado, como ao acordar ou depois de chorar, mas de forma localizada na área que recebeu o preenchimento.
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O que causa o Etip
Reações inflamatórias cotidianas, que podem “atiçar” o sistema de defesa do organismo, como tomar uma vacina, ter uma infecção (gripe, sinusite, infecção urinária, dente infeccionado) ou sofrer um pequeno trauma facial.
Quando o corpo entra nesse estado de “alerta imunológico”, ele pode acabar enxergando o ácido hialurônico como um corpo estranho que precisa ser combatido, e é isso que gera o inchaço.
“Já havíamos identificado a vacinação como um possível gatilho muito antes da pandemia de covid-19“, pontua Cavallieri.
“Com a chegada da covid e, posteriormente, das campanhas de vacinação em larga escala, esse fenômeno passou a ser observado e discutido mundialmente com uma frequência muito maior em uma grande população de pacientes previamente submetidos a preenchimentos. Costumo brincar que foi nesse momento que o Etip foi alçado ao estrelato’”, comenta a especialista.
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Lembrando que não apenas a vacina da covid pode causar essa reação: qualquer imunizante pode. E nem toda pessoa desenvolve a complicação, ela precisa possuir uma tendência individual para isso.
Como tratar
Para além do incomodo estético, o edema não causa nenhum outro dano a saúde.
E não existe um protocolo padrão ouro para tratar o problema. De forma geral, recomenda-se anti-inflamatórios comuns como primeira linha de tratamento para o edema. Se não der resultado, apelar para corticoides vem em seguida.
“Retirar o ácido hialurônico com hialuronidade também é uma opção, principalmente se a pessoa se incomoda com o edema. Mas o tratamento hoje é individualizado, cada profissional conduz de acordo com as necessidades do paciente”, afirma a médica dermatologista Gabriela Munhoz, também autora do estudo sobre Etip.
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