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Toda dieta saudável, não importa o nutriente que foque, protege o coração

Independentemente de valorizar carboidrato, proteína ou gordura, uma alimentação saudável reduz o risco de problemas cardiovasculares, segundo pesquisa

Por Chloé Pinheiro 6 set 2019, 17h53

Qual a melhor dieta para perder peso e prevenir ou controlar doenças? Eis um dos principais debates atuais da saúde. Pois um novo estudo, conduzido pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, indica que se concentrar em gordura, proteína ou carboidrato não faz diferença quando o cardápio como um todo é saudável (pelo menos do ponto de vista do coração).

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores compararam os efeitos de três dietas populares e balanceadas, mas que privilegiam um ou outro desses macronutrientes:

• Uma valorizava os carboidratos, de maneira semelhante à DASH.
• Outra trocava 10% das calorias provenientes de carboidratos por proteínas.
• A última também substituía 10% das calorias vindas de carboidratos, mas com fontes de gordura insaturada (considerada benéfica quando ingerida em moderação). Abacates, peixes e oleaginosas possuem essa substância.

Todos os esquemas tinham baixos níveis de gordura saturada, maneiravam no sódio e incluíam entre quatro e seis porções de vegetais ao dia. Eles então foram distribuídos a 150 participantes com idade média de 53,6 anos e níveis elevados de pressão alta. Contudo, nenhum tomava medicamentos para hipertensão ou colesterol alto. Os voluntários passaram por um período de seis semanas em cada dieta, com intervalos entre duas e quatro semanas entre elas.

O efeito na saúde foi medido com exames de sangue, que verificavam marcadores relacionados ao risco de uma pane cardíaca antes do experimento e durante os períodos de “descanso” entre um plano alimentar e outro.

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No fim das contas, a simples adesão a um menu mais equilibrado acarretou resultados positivos nos testes sanguíneos, independentemente do macronutriente privilegiado. Os especialistas observaram menores concentrações de moléculas por trás da insuficiência cardíaca, por exemplo.

Para os autores, o trabalho é importante por dois motivos. Primeiro porque mostra que o perigo ao coração pode ser amenizado em pouco tempo com ajustes no cardápio. Ora, seis semanas não é um período tão longo assim. Só um detalhe: se após esse mês e meio você voltar a comer de maneira desregulada, provavelmente o risco cardiovascular voltará a subir.

Outro ponto importante é que, pelo bem do peito, talvez seja melhor focar na qualidade da dieta do que em um ou outro macronutriente. “Uma alimentação rica em vegetais, carnes magras e fibras e com menos carnes vermelhas, bebidas açucaradas e doces não só diminui fatores de risco cardiovascular como pode reduzir danos diretos ao coração”, comentou, em comunicado para a imprensa, Stephen Juraschek, médico e um dos autores da investigação.

A descoberta reforça ainda que é possível flexibilizar a composição do prato de quem está em maior risco de acordo com as preferências individuais. Até porque os regimes avaliados, embora focassem um pouco mais em um ou outro nutriente, não propunham cortes radicais de carboidratos, gorduras ou proteínas.

Os achados foram publicados recentemente no International Journal of Cardiology, um periódico científico reconhecido internacionalmente.

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