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Prêmio SAÚDE elege os trabalhos mais inspiradores da nutrição

Os vencedores de uma das principais premiações da saúde brasileira foram anunciados com pompa e cerimônia. Veja como eles vão mudar sua alimentação

Depois de meses de espera, finalmente descobrimos os vencedores do Prêmio SAÚDE 2017. Focado exclusivamente em nutrição e alimentação, a cerimônia de entrega dos prêmios da 11ª edição aconteceu ontem (28 de novembro), em São Paulo.  E foi um show de ciência, alimentação saudável e esperança de melhorias na nutrição brasileira.

“O Prêmio SAÚDE reconhece, divulga e aplaude quem pensa e trabalha por um Brasil mais saudável”, destacou Diogo Sponchiato, redator-chefe da revista SAÚDE. “O mote é destacar trabalhos que fazem a diferença. Tem muito sangue, suor e calorias consumidos aqui”, arrematou.

Jurados respeitadísimos elegeram, entre várias pesquisas e campanhas de prevenção, os 15 trabalhos finalistas desta edição, que vieram de Norte a Sul do país. Eles foram distribuídos em cinco categorias: Campanha de Educação e Prevenção, Tecnologia de Alimentos, Estudo Clínico, Trabalho Experimental e Nutrição Esportiva.

Ao longo do evento, cerca de 200 convidados renomados puderam conhecer esses finalistas e viram, em primeira mão, o anúncio dos grandes vencedores. E agora é a hora de você saber quais foram os principais trabalhos da nutrição brasileira em 2017:

Categoria Campanha de Educação e Prevenção

Ganhador: Pirâmide alimentar contra a epilepsia

Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 50 milhões de pessoas sofrem dessa desordem neurológica que provoca convulsões. Para um grupo de 20% a 30% das crianças com o distúrbio, os remédios antiepiléticos não funcionam – elas sofrem da chamada epilepsia refratária. Em casos assim, a dieta cetogênica, que substitui carboidratos por proteínas e gorduras, tem sido amplamente utilizada como coadjuvante para reduzir os episódios.

Para criar uma representação gráfica desse cardápio capaz de ajudar crianças e adolescentes com esse tipo resistente da doença, pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Säo Paulo (USP) desenvolveram uma pirâmide alimentar específica, dividida em cinco grupos alimentares. Ao facilitar o entendimento e a aplicação dessa terapia nutricional, a pirâmide cetogênica torna-se uma valiosa ferramenta de treinamento de profissionais de saúde, cuidadores e familiares e estimula a adesão do paciente ao tratamento.

Nome completo do trabalho: Pirâmide alimentar cetogênica como estratégia educacional para profissionais de saúde e cuidadores de pacientes com epilepsia refratária
Autores: Mariana Baldini Prudencio, Nágila Raquel Teixeira Damasceno, Maria Camila Pruper de Freitas e Flávia De Conti Cartolano
Instituição: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP)

Categoria Tecnologia de Alimentos

Queijo para enxergar melhor

A luteína é um pigmento presente na retina humana. Com propriedades antioxidantes, contribui para evitar doenças oculares como a catarata e a degeneração – uma condição grave, irreversível e responsável por cegueira em pessoas com mais de 65 anos. Tão fundamental para a saúde, a luteína não é produzida pelo organismo e deve ser obtida via alimentação.

De acordo com trabalho desenvolvido pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), o queijo prato, um dos mais consumidos no Brasil, pode ser um grande aliado na estratégia de ampliar a presença desse importante carotenoide no cardápio. A equipe criou uma versão do produto substituindo o tradicional corante de urucum por um feito com luteína. Graças à cor amarelada, a substância não alterou o tom característico do alimento.

Também no critério sabor, o queijo recebeu notas semelhantes ao fabricado no processo tradicional. O trabalho, realizado ao longo de três anos, abre uma perspectiva de uso da luteína na prevenção de problemas graves de visão, que avançam com o crescimento da expectativa de vida dos brasileiros.

Nome completo: Queijo Prato fabricado com um corante que pode prevenir doenças oculares
Autora: Denise Sobral, Renata Golin Bueno Costa, Junio César Jacinto de Paula, Vanessa Aglaê Martins Teodoro, Gisela Magalhães Machado, Elisângela Michele Miguel e Claudio Furtado Soares
Instituição: Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – Epamig Cândido Tostes

Categoria Estudo Clínico

Cuidando da alimentação de pessoas em hemodiálise

A doença renal crônica é um problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Estima-se que, por aqui, o número de pessoas em diálise chegue a mais de 100 mil. Para esses indivíduos, o cuidado com a dieta é indispensável, uma vez que o rim, limitado em suas funções, já não consegue filtrar substâncias como fósforo, potássio e sódio – e o excesso desses minerais no sangue acarreta complicações.

Por outro lado, uma restrição alimentar exagerada pode resultar em outro perigo, a desnutrição. Diante do desafio de motivar esses pacientes a compor o cardápio mais adequado, profissionais da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, montaram um programa para ajudá-los a fazer o delicado ajuste de nutrientes.

Os participantes receberam um plano alimentar individualizado e se reuniram em oficinas e palestras nas quais especialistas ensinaram como reduzir a presença de substâncias com potencial para prejudicar o funcionamento renal. A mudança de comportamento à mesa se refletiu em melhoras comprovadas por exames de sangue. A intervenção foi capaz de impactar a tomada de decisão, incentivar o autocuidado e aprimorar a qualidade de vida dos voluntários.

Nome completo: Efeito de uma intervenção nutricional baseada no modelo transteórico sobre os marcadores metabólicos e consumo alimentar de indivíduos em hemodiálise
Autores: Priscila Vaz de Melo Ribeiro, Helen Hermana Miranda Hermsdorff, Karla Pereira Balbino, Andreza de Paula Santos Epifânio, Mônica de Paula Jorge, Luciane Domingos Marota da Silva, Márcia Garcia Gouveia e Ana Vládia Bandeira Moreira
Instituição: Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Categoria Trabalho Experimental

Açaí para proteger o cérebro

Vem crescendo o número de pessoas com desordens como o transtorno bipolar, em que se alternam momentos de euforia com crises depressivas, impactando o trabalho e a vida social de seus portadores. O uso prolongado dos medicamentos como lítio, capazes de controlar a oscilação de humor, pode resultar em disfunção renal, diabetes e hipertireoidismo.

Os autores deste experimento feito na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foram buscar no açaí uma alternativa para ajudar a conter as manifestações de doenças psiquiátricas. Na investigação, avaliaram o efeito do fruto nos neurônios, mais especificamente seu poder de corrigir uma disfunção nas células associada ao transtorno bipolar e à esquizofrenia.

O pressuposto é que, por causa desse desarranjo, as células sofreriam com a maior geração de radicais livres. O açaí, famoso por sua capacidade energética, tem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias – daí a hipótese de ter papel benéfico nesse processo. A simulação com o extrato do fruto realizada em laboratório conseguiu reverter os efeitos nocivos nas células – trazendo uma esperança para aliviar os sintomas dos distúrbios psiquiátricos e abrindo perspectivas para novos medicamentos.

Nome completo: Efeito neuroprotetor in vitro do açai (Euterpe oleracea, Mart.): potencial uso como suplementos nutricional no manejo de doenças psiquiátricas
Autores: Alencar Kolinski Machado, Euler Esteves Ribeiro, Aline Boligon, Ana Cristina Andreazza, Francine Carla Cadoná, Tatiane Morgana da Silva, Marcelo Soares Fernandes, Fernanda Barbisan, Verônica Farina Azzolin, Grazziele Castagna Weiss, Audrei de Oliveira Alves e Ivana Beatrice Mânica da Cruz
Instituições: Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), Centro Universitário Franciscano (Unifra) e Universidade de Toronto, Canadá

Categoria Nutrição Esportiva

Consumo de cafeína afeta o desempenho esportivo

De acordo com os autores deste estudo, chega ao fim uma antiga e disseminada crença: a de que indivíduos que consomem regularmente alimentos ricos em cafeína, como café, refrigerantes e chocolate, não conseguiriam tirar proveito da suplementação do estimulante. Por essa razão, os atletas de elite eram orientados a cortar da alimentação qualquer item com a substância pelo menos quatro dias antes de receberem a dose suplementar de cafeína para turbinar o desempenho em provas.

O trabalho feito na Faculdade de Medicina e na Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP) reuniu ciclistas, que fizeram testes em bicicletas ergométricas. Eles foram avaliados levando em conta a presença de cafeína em seu dia a dia. Uma hora antes de começar a pedalar, eram divididos em três grupos: o primeiro recebia cápsulas com o estimulante; o segundo, placebo (cápsulas falsas); e o terceiro, nenhum complemento.

As análises mostraram que a ingestão habitual de cafeína não afeta o papel da suplementação. Ao contrário, a supressão abrupta do ingrediente pode trazer incômodos aos atletas, como dor de cabeça e ansiedade. Os achados servem para repensar uma prática comum entre nutricionistas, treinadores e atletas.

Nome completo: O consumo habitual de cafeína não influencia o efeito ergogênico da suplementação aguda de cafeína sobre o desempenho: o fim de um mito
Autores: Lívia de Souza Gonçalves, Vitor de Salles Painelli, Guilherme Yamaguchi, Luana Farias de Oliveira, Bryan Saunders, Rafael Pires da Silva, Erika Maciel, Guilherme Giannini Artioli, Hamilton Roshcel e Bruno Gualano
Instituições: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e Escola de Educação Física e Esporte da USP