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Como se forma o mofo na comida e o que ocorre ao ingeri-lo?

Saiba de onde vêm os micro-organismos que invadem os alimentos, quais os riscos associados a eles e como prevenir o contágio

Por Goretti Tenorio 16 jul 2026, 14h58
Duas metades de mamão papaia com sementes pretas, uma delas com uma colher de metal. Um círculo amplia uma área do mamão, mostrando moléculas azuis e laranjas em movimento, sobre um fundo rosa
Saiba o que acontece de você ingerir alimentos mofados (Foto: Yulia Reznikov/Getty Images | Ilustração: Rodrigo Damati/Veja Saúde)
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Como se forma o mofo na comida e o que ocorre ao ingeri-lo? Priorizar nos meus resultados Google

Já encontrou mofo em um alimento e ficou na dúvida se pode comer ou ficou pensando o que aconteceu para ele chegar a esse estado? Entenda abaixo como os fungos invadem e tomam conta da comida — e saiba como evitar encrencas.

1. Como tudo começa

Também chamado de bolor, o mofo é uma colônia de fungos que se desenvolve quando esporos microscópicos se depositam em frutas, pães, bolos, carnes, legumes…

Essas estruturas de reprodução e dispersão são leves e transportadas pelo ar, roupas, sapatos, animais e insetos.

Ao pousarem na superfície dos alimentos, encontram umidade, oxigênio e nutrientes, ou seja, um ambiente propício para germinar. 

2. A propagação

O esporo cria hifas, pequenos filamentos que se infiltram no alimento, encontrando mais facilidade naquele meio úmido e macio. Consumindo nutrientes como açúcares, carboidratos e proteínas, o fungo cresce.

A camada aveludada, felpuda — esbranquiçada, esverdeada ou azulada — é a parte visível da colônia. Essa concentração colorida é repleta de novos esporos com potencial de se espalhar pelo ar, reiniciando o ciclo de desenvolvimento do mofo

3. O que acontece quando inalamos

Cheirar uma comida embolorada não é prudente. Isso porque os esporos penetram pelas narinas e, diante desses invasores, a reação do sistema imune irrita nariz e garganta, provocando tosse e coriza.

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Outro perigo é o agravamento de doenças respiratórias como asma e rinite.

Em indivíduos com a imunidade abalada, a aspiração pode ainda desencadear aspergilose, infecção pulmonar séria. 

4. E se ingerirmos?

Embora o mofo nos alimentos seja muitas vezes inofensivo para pessoas saudáveis, a depender da espécie do fungo, a ingestão libera toxinas, moléculas que prejudicam o trato digestivo.

A exposição contínua a essas substâncias pode desencadear intoxicação, com sintomas como náusea, vômito, cólica abdominal e diarreia. Isso sem contar que alguns tipos dessas moléculas, como a aflatoxina, podem elevar o risco de câncer. 

Infográfico sobre fungos e seus efeitos. Duas metades de mamão com sementes expostas, uma com colônia de fungos. Ilustrações mostram esporos, hifas absorvendo nutrientes, irritação nasal com coriza e sistema digestório com náusea, vômito, toxinas, cólica e diarreia. Balão de texto informa: 120 mil espécies de fungo são formalmente descritas
Infográfico sobre como o mofo surge em alimentos e impacta a nossa saúde (Foto: Yulia Reznikov/Getty Images | Ilustração: Rodrigo Damati/Veja Saúde)
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O cozimento elimina o mofo?

O calor do preparo, seja com fervura, seja na fritura, no forno ou no micro-ondas, não garante segurança.

Cozinhar o alimento em temperaturas acima de 60°C por um período contínuo pode até destruir os esporos, impedindo o crescimento dos fungos. No entanto, as micotoxinas já geradas resistem, persistindo os perigos. 

Pode comer a parte livre do bolor?

O recomendado é descartar o alimento inteiro, lembrando que as hifas avançam, e, mesmo invisíveis, não significa que não tenham se espalhado.

Vale destacar que o mofo dos queijos azuis, como gorgonzola e roquefort, faz parte do processo de fabricação, com linhagens controladas de fungo que não produzem toxinas, sendo, por isso, seguro para consumo. 

Para reduzir o risco de contaminação

Os fungos estão em toda parte, mas alguns cuidados minimizam a propagação 

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Planejamento

Evite estocar grandes quantidades de ingredientes frescos e fique atento ao prazo de validade dos produtos, priorizando o consumo dos que estiverem perto do vencimento

Armazenamento

Guarde os alimentos em locais secos. Especialmente aqueles com alto teor de água devem ser cobertos para impedir a entrada de esporos e a proliferação de fungos

Separação

Além de lavar adequadamente frutas e legumes, vale separar os diferentes tipos, uma vez que alguns amadurecem mais rapidamente, alterando a estrutura dos demais. 

Refrigeração

Baixas temperaturas ajudam a expandir a vida útil da comida. Mas é importante manter o interior da geladeira limpo, verificando e eliminando sinais de bolor. 

Desinfecção

Manter limpos e desinfetados utensílios e equipamentos de preparo, assim como bancadas, panos de prato e esponjas, reduz o acúmulo e a disseminação de mofo.

*Fonte: Liliane Oliveira Rocha, farmacêutica e professora do Departamento de Ciência de Alimentos e Nutrição da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

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