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Já ouviu falar no transtorno disfórico pré-menstrual?

Essa TPM mais emotiva e turbinada abala pra valer a saúde da mente e tem até um tratamento diferente

Até a sigla confunde: TDPM. Mas o “D” aí no meio faz toda a diferença. O adjetivo “disfórico” foi inserido por remeter ao mal-estar ou à depressão — é o oposto do estado de euforia. “A paciente fica de tal modo alterada que precisa se afastar do trabalho por dias”, relata a psiquiatra Carmita Abdo, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Para piorar, um levantamento alemão informa que até 8% das mulheres têm o quadro. Na entrevista abaixo, Carmita ajuda a entendê-lo melhor.

SAÚDE: o que diferencia a TPM do TDPM?

Carmita Abdo: a tensão pré-menstrual como conhecemos traz dor de cabeça, inchaço, cansaço. Ela é mais física e seus sintomas são menos graves do que os do transtorno disfórico pré-menstrual. Já o TDPM foi definido como um tipo de depressão cíclica, que surge quase todos os meses no período que antecede a menstruação. Ele se confunde com a TPM por incidir na mesma época e por também decorrer de uma baixa de estrogênio, o hormônio feminino. No entanto, o quadro é mais emocional, cursando com irritabilidade, tristeza, isolamento e muita indisposição. A paciente fica de tal modo alterada que comumente precisa se afastar do trabalho por dias. De 3 a 8% das mulheres sofrem com TDPM. E, claro, algumas delas podem apresentar TPM em paralelo.

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Como é o tratamento?

Ele começa com mudanças saudáveis no estilo de vida, como comer melhor, dormir bem, evitar o estresse dentro do possível. A psicoterapia também auxilia bastante. E, às vezes, é necessário tomar antidepressivos. Se chegar a esse ponto, o importante é tomar o remédio continuamente por alguns meses, a critério do médico. Digo isso porque não raro se trata a TPM utilizando essas mesmas medicações nos 15 dias anteriores à menstruação, como uma atenuante principalmente para os sintomas físicos. Porém, o transtorno disfórico pré-menstrual é um tipo de depressão cíclica e, como tal, não deve ser combatido por um tempo tão curto. Isso somente maquia o problema e chega a cronificar o caso, tornando a mulher deprimida o mês inteiro.

O TDPM não seria uma forma de medicalizar emoções normais antes da menstruação?

Não estamos propondo que toda mulher, ou mesmo toda mulher com TPM recorrente, possui o transtorno. Estamos dizendo que uma parcela vai desenvolver sintomas emocionais intensos antes da menstruação por uma baixa de estrogênio. E que, se essa paciente não é bem diagnosticada e tratada, acabará tomando drogas paliativas, muitas vezes sem orientação profissional, para a vida toda. Isso, sim, seria medicalizar a vida.

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