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TPM: cada mulher tem a sua

Existe mais de um tipo de síndrome pré-menstrual. SAÚDE ajuda as mulheres a descobrirem qual é o seu para navegarem nesse maremoto hormonal sem sobressaltos

A tensão pré-menstrual, mais conhecida pela célebre sigla TPM, geralmente é designada como um conjunto de sintomas chatinhos que atrapalha a vida da mulherada alguns dias antes de a menstruação ocorrer – tristeza, irritação e vontade louca de comer doces são alguns deles.

E, para amenizá-los, as integrantes da ala feminina costumam recorrer a métodos parecidos. O que nem todo mundo sabe é que são contabilizados mais de 150 sintomas e, por isso, há mais de um tipo de TPM. Na verdade, são quatro, definidos assim: A, C, D e H. “O tratamento é diferente para cada um”, informa o ginecologista Eliezer Berenstein, especialista no assunto que atende na capital paulista.

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Como o sobe e desce de hormônios não é uma matemática exata, os incômodos que aparecem em um mês podem dar lugar a outros no ciclo seguinte. “Mas, no geral, eles tendem a se repetir”, observa a ginecologista Mara Diegoli, coordenadora do ambulatório de TPM do Hospital das Clínicas de São Paulo. Por isso, identificar quais são os predominantes e, a partir daí, a síndrome que acomete a mulher com maior frequência é crucial para tornar essa fase mais tranquila.

Tipo A, de ansiedade

Tensa até o último fio de cabelo, a mulher tem reações explosivas

“A pessoa que sofre dessa TPM tem a sensação de que o mundo está contra ela”, resume o ginecologista Eliezer Berenstein. Por isso, uma fechada no trânsito ou o atraso do marido podem desencadear surtos monumentais. Tudo culpa da baixa quantidade de estrogênio, que propicia a calma, e maior liberação de adrenalina e cortisol, dupla que aciona o estresse. “Se a mudança na alimentação e exercícios não ajudarem, o uso de medicamentos ansiolíticos alivia a ansiedade“, informa a ginecologista Celene Longo, professora da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul.

Parceiros à mesa
Fibras
Estão no pão integral, nas sementes e nas frutas. E ajudam o intestino a pegar no tranco, eliminando toxinas e substâncias nocivas que pioram a irritação.

Vitamina C
Encontrada na laranja, na acerola e no limão, afasta o estresse emocional e a fadiga.

Vitamina B6
Está associada à produção de serotonina, neurotransmissor por trás da sensação de bem-estar. Salmão, frango, soja, lentilha e atum são excelentes fontes.

Beta-sitosterol
Presente no abacate, atenua a ação do cortisol, o hormônio do nervosismo.

Evite!
“Passe longe dos alimentos estimulantes, como café, chá preto e mate, além de refrigerantes cola. Eles costumam exacerbar a irritabilidade”, adverte a nutricionista clínica Edina Sakamoto, de Campinas, no interior paulista.

Na academia
Segundo Adriana Piacsek, diretora técnica da assessoria esportiva TPM (Treinamento para Mulheres), em São Paulo, a ioga é uma ótima pedida. “Como inclui alongamento e técnicas de respiração, reduz a tensão muscular e o mau humor”, diz.

Tipo C, de compulsão

A marca registrada aqui é o desejo incontrolável por doces, mais especificamente o chocolate 

De acordo com a ginecologista Mara Diegoli, quem cede à compulsão e se empanturra com a guloseima durante a TPM corre o risco de ver o ponteiro da balança subir. Para evitar o transtorno, é fundamental ter autocontrole e elaborar estratégias a fim de reduzir a quantidade consumida. “Uma dica é polvilhar uma banana assada com canela e cacau em pó e uma colher de sopa de farelo de aveia”, recomenda a nutricionista clínica Edina Sakamoto. Já para se livrar da dor de cabeça, outro sintoma comum no tipo C, o jeito é recorrer a analgésicos.

Parceiros à mesa
Zinco e cromo
São essenciais para regular os níves de glicose no sangue. O zinco é encontrado no frango, no feijão e na semente de abóbora. O cromo marca presença em cereais integrais e no levedo de cerveja.

Magnésio
Modula a secreção do hormônio insulina, que encaminha o açúcar para dentro das células. Assim, diminui a fissura por doces. Vegetais verde-escuros, aveia, figo e ameixas carregam o nutriente.

Carboidratos complexos
Como liberam a glicose lentamente, o organismo demora mais a clamar por açúcar. Eles aparecem em todos os alimentos integrais.

Frutose
Trata-se do açúcar das frutas. Seu consumo pode aplacar a vontade de ir direto ao doce.

Cacau
Um pequeno tablete de chocolate com mais de 50% de cacau está liberado para matar a ânsia pela guloseima.

Evite!
Nem pense em ficar mais de três horas sem comer. É que a baixa concentração de glicose prejudica a produção de serotonina, a precursora da boa disposição. Aí, a compulsão dá as caras.

Na academia
Para encher o corpo de endorfina, que proporciona calmaria e estabiliza a glicemia, faça exercícios aeróbicos. Entram nessa lista corrida, natação e pedalada.

Tipo D, de depressão

A tristeza toma conta, deixando os dias bastante desanimadores

Chorosa, introspectiva e com as emoções à flor da pele: é assim que amulher com TPM D fica enquanto a menstruação não aparece. Segundo a nutricionista Catarina Stocco, diretora do Centro Avançado de Educação em Saúde CKS, em Curitiba, no Paraná, a combinação entre aumento da progesterona e redução de estrogênio e dopamina está por trás dos sintomas. “Quando estratégias básicas, como modificações na dieta e prática de exercícios, não conseguem silenciá-los, doses mais leves de antidepressivos podem ser benéficas”, opina a ginecologista Celene Longo.

Parceiros à mesa
Tirosina
O aminoácido participa da produção de dopamina e adrenalina, duo que estimula a alegria. Peixes, carnes magras, aves sem pele e nozes são bons reservatórios.

Bebidas estimulantes
Café, chá verde e mate dão um gás aos ânimos.

Gorduras boas
Disponíveis em castanhas, salmão, azeite, óleo de girassol e linhaça, elas combatem desordens depressivas.

Vitamina B2
É precursora da serotonina, célebre por favorecer estados bem-humorados. Está no levedo de cerveja, óleos de peixes, ovos e leguminosas.

Evite!
“Não fique muito tempo em ambientes de tensão. Sempre que possível, faça um intervalo durante o expediente e procure se distrair”, sugere a ginecologista Mara Diegoli.

Na academia
Atividades aeróbicas, como corrida, bicicleta e natação, são ótimas opções. “Elas elevam os níveis de serotonina, que atenua sintomas depressivos e deixa a mulher mais disposta”, conta Adriana Piacsek, da assessoria esportiva TPM.

Tipo H, de retenção hídrica

O excesso de água concentrada no corpo culmina em inchaço e desconforto

“Nessa TPM, além de a produção de um hormônio antidiurético ser deficiente, ocorre maior liberação de prolactina, o hormônio que aparece aumentado na amamentação”, explica o ginecologista Eliezer Berenstein. Por causa disso, os sintomas mais flagrantes são o acúmulo de líquido, o consequente inchaço pelo corpo – principalmente nos seios -, dor e ganho de peso. A ginecologista Mara Diegoli muitas vezes recomenda o uso de diuréticos e anti-inflamatórios para atenuar as queixas. “Mas apenas no período pré-menstrual”, alerta.

Parceiros à mesa
Vitamina B6
Aumenta os níveis de componentes diuréticos nos rins, facilitando a eliminação de líquidos. Está no frango, na soja, na lentilha e no atum.

Vitamina E
Óleos de trigo, soja e girassol, espinafre, azeite e amêndoas são ricos no nutriente, conhecido por amenizar a chateação dos seios inchados.

Vitamina C
Também dá força no alívio da dor. Legumes, verduras e frutas como laranja e limão estão entre suas fontes.

Gorduras boas
Combatem o inchaço, a retenção hídrica e têm efeito anti-inflamatório, além de melhorar o humor. Para tirar proveito, coloque castanhas, nozes, amêndoas, azeite e óleos de girassol, abóbora e linhaça no cardápio.

Alimentos e chás diuréticos
São aliados quando o objetivo é desinflar. Alguns representantes: melancia, melão, abacaxi, aspargo, pepino, agrião e chás de dente-de-leão, cavalinha, erva-doce, hibisco e camomila.

Evite!
O maior inimigo de quem retém líquidos é, sem dúvida, o sal. “Em seu lugar, use ervas como alecrim, orégano ou manjericão”, recomenda a nutricionista Catarina Stocco.

Na academia
“Hidroginástica e natação são excelentes atividades para reduzir a sensação de peso e desconforto”, afirma Adriana Piacsek, da assessoria esportiva TPM.

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