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Filhos de mães que trabalham também viram adultos felizes

Estudo tranquiliza as mulheres que desejam voltar ao mercado de trabalho, mas têm medo de que isso impacte no bem-estar das crianças

Por Thaís Manarini Atualizado em 21 jul 2018, 10h59 - Publicado em 21 jul 2018, 10h58

Não é raro encontrar mulheres que abandonaram carreiras bem-sucedidas e empolgantes após a maternidade por causa do medo de a ausência durante o dia afetar negativamente o bem-estar mental das crianças. E, entre as mães que voltaram ao mercado de trabalho, há uma boa parcela que, no fundo, sente um pouquinho de culpa por essa escolha, como se os pequenos saíssem prejudicados de alguma forma. Pois a pesquisadora Kathleen McGinn, da Escola de Negócios da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, tem um recado para essas mulheres: o trabalho não abala a felicidade dos filhos, não.

“As pessoas ainda acreditam que, quando as mães estão empregadas, isso é prejudicial para os filhos”, disse Kathleen, em comunicado divulgado pelo site da universidade. “Mas descobrimos que o emprego materno não afeta a felicidade das crianças na idade adulta”, completou.

Para ela, a decisão de trabalhar ou não precisa ser pautada por questões pessoais e financeiras. Ou seja, a mulher não deve se basear no fato de supostamente prejudicar seus filhos. “Porque não está”, reforçou a pesquisadora.

Para chegar a essa conclusão, ela e colegas de outras instituições analisaram dois grandes levantamentos. No total, eles contaram com informações de 100 mil homens e mulheres de 29 países.

Para além da felicidade

No trabalho, ainda ficou evidente que as filhas de mães que trabalhavam fora tendem a, quando adultas, se darem melhor nas próprias carreiras, ocupando cargos de supervisão e ganhando maiores salários. Isso em comparação às que contaram com a constante presença materna em casa na infância.

Os homens que foram criados por mães com um serviço fora de casa também foram influenciados, mas não no âmbito profissional. A pesquisa mostrou que eles gastam, em média, 50 minutos por semana cuidando de membros da família. Além disso, esses rapazes possuem atitudes de gênero significativamente mais igualitárias. Em outras palavras, não acreditam no conceito de que há papéis mais apropriados para o sexo masculino ou feminino.

“Somos ensinadas a acreditar que as mães devem ficar em casa com as crianças. Então, quando você se separa delas todos os dias para o trabalho, isso pode ser doloroso”, comentou Kathleen. “Mas, à medida que percebemos que nossos filhos não estão sofrendo, espero que a culpa vá embora”, concluiu a pesquisadora.

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