Brainrot: o que é, quais são as causas, sintomas e como tratar
É possível impedir que seu cérebro derreta em meio a enxurrada de conteúdos de má qualidade das redes sociais
Em 2024, o dicionário Oxford escolher como palavra do ano o termo “brainrot“, algo como “podridão cerebral” em português.
Mas será que é possível “deteriorar” ou “apodrecer” seu cérebro? Entenda a seguir:
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O que é?
“Brain rot” é uma expressão informal que descreve o desgaste mental e a perda de capacidade de concentração que afeta boa parte da população.
“Eu creio que os usuários de internet e pessoas próximas vão percebendo isso no cotidiano, nas suas vidas e nas relações pessoais”, afirma o médico psiquiatra Alexandre Valverde, colunista de Veja Saúde.
O que causa?
Basicamente o consumo excessivo de conteúdos digitais, principalmente os difundidos em redes sociais como o TikTok, que são em sua maioria de baixa qualidade, rápidos e repetitivos.
O problema não é fisiológico: não há nenhuma pesquisa que revele uma deterioração do sistema nervoso ou das conexões neuronais se você fica muito exposto a conteúdo de má qualidade.
Mas o excesso de conteúdos superficiais e pouco desafiadores disponibilizados de forma infinita nas redes economiza energia cerebral e dá prazer imediato ao seu centro de comando.
“Com smartphones você pode oferecer isso para o seu cérebro a qualquer momento em qualquer lugar, e aí ele se adapta a esse comportamento mais fácil e mais prazeroso“, esclarece o neurocientista Fernando Gomes, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Em resumo, isso deixa o cérebro de muita gente mais preguiçoso e pedindo por estímulos fáceis frequentemente.
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Quais são os sintomas do brainrot?
Não ter mais paciência para ler livros longos, assistir filmes extensos ou ouvir e refletir sobre músicas complexas são os primeiros indícios. Você quer apenas conteúdos curtos, rápidos e prazerosos.
“Isso mostra que tudo precisa estar já ultraprocessado. Não só os alimentos, mas os conteúdos também. Então acho que essa expressão brain rot aponta para isso, para esse fenômeno que também está acontecendo em relação à cultura e à informação, não só em relação à nossa dieta”, opina o psiquiatra.
Gomes explica que, como há uma entrega muito ligeira de dopamina em grande quantidade, o cérebro clama o tempo todo por isso. O que, junto a uma predisposição genética, pode até levar a um quadro de ansiedade.
“Antes, era normal esperar um dia por uma resposta. Hoje, a devolutiva tem que ser pra ontem, ninguém pode demorar minutos para retornar. Além da ansiedade, se o indivíduo tem uma predisposição para um outro transtorno mental, como, por exemplo, a depressão, isso estimula seu desenvolvimento“, opina o neurocientista.
Ou seja, o excesso de redes e informações bobas acaba sendo um cenário favorável para que o indivíduo fique vulnerável a abalos na saúde mental. Além disso, Valverde acrescenta que, se a pessoa está habituada a conteúdos de má qualidade, fake news e material raso, é apenas isso que ela tende a oferecer como repertório individual:
“Ela vai ter um pensamento também superficial, pouco estruturado, com baixa complexidade. Se o indivíduo não se desafia, não se coloca a possibilidade de pensar de uma maneira mais complexa, profunda, ele fica buscando atalhos de pensamento, simplificações que deixam claro um empobrecimento cerebral perceptível para outras pessoas”, desenvolve o psiquiatra.
Como tratar?
Brainrot não é uma doença ou um transtorno psiquiátrico. Mas, como exposto, ele pode facilitar essas condições e levar o indivíduo ao baixo desenvolvimento intelectual.
A resposta está em fazer mais esforço, não tem jeito. Reduzir o tempo de telas, estudar (com livros!) coisas do seu interesse e colocar seu cérebro para funcionar mais são algumas dicas.
Segundo Gomes, não é fácil, mas precisamos colocar a tecnologia no lugar dela.
“Temos que desligar o celular. Ficar distante dele e aprender a utilizá-lo para o que ele realmente serve“, aconselha o neurocientista.
“Por exemplo: uma faca serve pra cortar um alimento, mas, se mal utilizada, pode matar uma outra pessoa. A internet mudou nossas vidas e trouxe muita coisa boa, mas precisamos entender que seu mau uso impacta diretamente o cérebro”, completa.







