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Vírus Nipah: por que o chamado ‘novo vírus da Índia’ não é novo — e como se espalhou pela Ásia

Surtos da doença são registrados desde 1999; conheça o histórico do vírus

Por Layla Shasta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jan 2026, 13h00 • Atualizado em 30 jan 2026, 13h41
Vírus Nipah tem morcegos como principais hospedeiros.
Vírus Nipah tem morcegos como principais hospedeiros. (Freepik/Reprodução)
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  • Um surto do vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental, no leste da Índia, aumentou as preocupações em vários países do Sudeste Asiático, levando-os a reforçar a triagem de saúde em aeroportos e outros pontos de entrada. 

    Desde então, o alerta tem se espalhado pelo mundo, mas, apesar da preocupação recente, o vírus Nipah está longe de ser novo. Segundo autoridades internacionais de saúde, sabe-se que o patógeno provoca surtos esporádicos em partes da Ásia desde o fim dos anos 1990.

    O episódio atual chama atenção por ser o primeiro registro da doença especificamente em Bengala Ocidental desde 2007, mas quase todos os anos surgem pessoas infectadas na Índia há mais de duas décadas.

    Até o momento, o Ministério da Saúde da Índia divulgou a confirmação de, ao menos, dois casos, ambos entre profissionais de saúde, notificados em dezembro do ano passado. De acordo com nota publicada nesta quarta-feira (27), 196 pessoas que tiveram contato com os infectados foram monitoradas e testaram negativo para o vírus.

    O que é o Nipah vírus?

    O vírus Nipah (NiV) é uma doença infecciosa transmitida de animais para humanos. Seu principal hospedeiro natural são os morcegos do gênero Pteropus, conhecidos como morcegos-da-fruta. Esses animais podem eliminar o NiV pela saliva, urina e fezes.

    Além dos morcegos, o Nipah já foi identificado em porcos — peças-chave dos primeiros surtos — e também, mais raramente, em outros animais domésticos, como cães, gatos, cabras, ovelhas e cavalos.

    Em humanos, a infecção costuma começar com febre e sintomas respiratórios, semelhantes aos de uma gripe. Em alguns casos, evolui para pneumonia.

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    O maior perigo, porém, surge quando o vírus consegue chegar ao sistema nervoso. Nesse cenário, a principal complicação é a encefalite grave, uma inflamação no cérebro com alta taxa de letalidade ou sequelas.

    +Leia também: Índia confirma casos de vírus Nipah em Calcutá: o que é a doença e quais os riscos

    Quando o Nipah surgiu?

    O Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de porcos na Malásia, que também chegou a atingir Singapura. Naquele episódio, o vírus passou dos morcegos para os suínos e, destes, para os humanos.

    Centenas de pessoas adoeceram após contato direto com os porcos infectados, o que também levou ao abate em massa dos animais como medida de contenção. Desde então, não houve novos surtos humanos na Malásia.

    Poucos anos depois, em 2001, a doença voltou a aparecer, desta vez em Bangladesh. A partir daí, os registros se tornaram quase anuais no país. Estima-se que, entre 2001 e 2024, tenham sido confirmados 343 casos e 245 mortes na região.

    Foi nesse mesmo ano que os casos também passaram a surgir na Índia. Os primeiros registros ocorreram no estado de Bengala Ocidental (o mesmo que enfrenta o surto agora), no leste do país, onde a doença foi identificada periodicamente até meados de 2007.

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    Depois disso, os casos notificados ocorreram principalmente no estado de Querala. Entre 2018 e 2025, os episódios foram quase anuais nessa localidade.

    +Leia também: Nipah e os outros vírus mais letais conhecidos pela ciência

    Casos esporádicos também seguiram sendo relatados nas Filipinas e em Singapura. Além disso, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), outras regiões podem estar em risco, já que há evidências do vírus em morcegos de países como Camboja, Indonésia, Tailândia, Madagascar e até Gana. Ainda assim, os surtos humanos seguem restritos ao Sul e Sudeste Asiático.

    Vale reforçar, ainda, que não há documentação da presença do vírus em animais da região das Américas ou Europa, e que os morcegos do gênero Pteropus não existem em nosso continente.

    Como o vírus “pula” para as pessoas

    As formas de transmissão variaram ao longo do tempo e conforme o contexto local. 

    No primeiro surto, na Malásia, a infecção ocorreu principalmente pelo contato direto e desprotegido com porcos doentes ou com seus tecidos e secreções. 

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    Já em Bangladesh e na Índia, a principal hipótese é o consumo de frutas ou bebidas contaminadas pela saliva dos morcegos, como o suco de tâmara cru, muito popular nessas regiões. Os animais costumam lamber e mordiscar os frutos ou urinar sobre eles, facilitando a transmissão.

    A infecção passada de pessoa para pessoa também já foi motivo para surtos, embora ela exija um contato próximo com secreções, diferentemente do contexto do coronavírus, que é transmitido pelo ar.

    Em alguns episódios, familiares, cuidadores e profissionais de saúde foram infectados ao lidar de perto com pacientes, especialmente em ambientes hospitalares. Por exemplo, em 2001, na cidade indiana de Siliguri, cerca de 75% dos casos ocorreram entre funcionários ou visitantes de um hospital.

    Onde o vírus Nipah circula?

    Resumindo, os surtos humanos do vírus Nipah foram identificados apenas no Sul e Sudeste Asiático, sobretudo em áreas rurais ou semiurbanas. Os países com registros confirmados incluem:

    • Bangladesh, com casos quase anuais desde 2001
    • Índia, especialmente nos estados de Kerala e Bengala Ocidental
    • Malásia
    • Filipinas
    • Singapura 
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    Além disso, embora anticorpos contra o vírus tenham sido detectados em morcegos de outras regiões do mundo, não há registro de surtos humanos fora dessa faixa geográfica.

    Vírus pode chegar ao Brasil?

    Como mostramos aqui, as chances são consideradas baixas, mas não nulas. Portanto, vale considerar que uma série de fatores pode explicar o que está acontecendo na Índia e por que o cenário é bem diferente do nosso.

    Em primeiro lugar, os morcegos-da-fruta, principal transmissor do vírus, são uma espécie que não existe nas Américas. Assim, a via de entrada mais provável para a doença no Brasil seria por meio de pessoas infectadas durante viagens internacionais.

    “O vírus pode ser transmitido entre pessoas, inclusive em ambientes de saúde, reiterando a necessidade da vigilância contínua para o diagnóstico precoce com contenção rápida do foco”, destacou a ex-presidente da Sociedade Brasileira de Virologia Helena Lage, em reportagem de VEJA SAÚDE.

    Por isso, ela alerta: “existe a possibilidade, embora o risco atual seja considerado baixo“.

    Ainda assim, a virologista tranquiliza, já que as quase 200 pessoas que tiveram contato com infetados em Calcutá foram testadas e tiveram resultados negativos para a doença. “Isso sugere que, ao menos por enquanto, não há evidências de disseminação ampla“, avalia.

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    Além disso, atualmente, não há relatos de circulação do vírus ou mesmo de pessoas infectadas no território nacional.

    Por isso, do ponto de vista da saúde pública, o momento é de risco limitado, mas exige preparo contínuo, vigilância qualificada e capacidade de resposta rápida.

    Tudo sobre o Nipah, vírus que preocupa autoridades indianas

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