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Síndrome do coração partido existe mesmo? Como ela funciona?

Situações muito estressantes podem provocar enfraquecimento temporário do coração e até matar

Por Maurício Brum 15 Maio 2026, 17h30
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Alterações da cardiomiopatia de Takotsubo são temporárias (Freepik/Freepik)
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Você provavelmente já ouviu (ou vivenciou de perto) a seguinte história: um casal muito idoso que, após passar décadas lado a lado, acaba falecendo com pouco tempo de diferença um para o outro. Às vezes, tudo se passa em poucos dias – ou até horas. Nessas situações, é comum que se diga que a segunda pessoa acabou morrendo vitimada pelo “coração partido”.

Não é só uma maneira poética de descrever uma situação duplamente triste: a tal síndrome do coração partido é realmente estudada pela medicina, e tem até um nome técnico: ela também é conhecida como cardiomiopatia de Takotsubo. Mais comum em idosos, o problema não precisa ser fatal, desde que identificado a tempo para realizar o tratamento adequado.

Entenda melhor como o “coração partido” acontece na prática e o que pode ser feito para reduzir os perigos que ele representa.

O que exatamente é a síndrome do coração partido?

Essa síndrome é caracterizada por um enfraquecimento súbito do músculo cardíaco, que pode ocorrer nas horas, dias e semanas seguintes após um acontecimento especialmente estressante. Diferentes partes do coração podem ser afetadas por essa alteração, mas a maioria dos casos ocorrem na região apical, a metade inferior do órgão.

Não se sabe exatamente a mecânica por trás da cardiomiopatia de Takotsubo, mas se acredita que essas alterações temporárias estejam relacionadas à grande liberação de hormônios ocasionada em momentos de crise. Um excesso de adrenalina, em particular, parece ter impacto relevante para o surgimento do problema.

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Qualquer situação estressante pode servir de gatilho para a síndrome do coração partido, não apenas a morte de alguém próximo, que é a situação mais famosa. O problema já foi documentado inclusive em pessoas que acabaram de passar por uma discussão acalorada ou estão se recuperando de uma cirurgia, por exemplo.

Embora qualquer pessoa possa ser acometida pelo quadro, estima-se que cerca de 80% dos casos ocorram em mulheres de mais de 50 anos. Uma das hipóteses para esse risco ampliado é que o desequilíbrio hormonal que leva à cardiomiopatia de Takotsubo acaba se acentuando ainda mais com as perdas de estrogênio da menopausa.

Qual a diferença para um ataque cardíaco normal?

A diferença fundamental para um ataque cardíaco típico é que, na síndrome do coração partido, não há um bloqueio das artérias. O fluxo de sangue nesses vasos sanguíneos até pode se reduzir, mas isso ocorre devido ao enfraquecimento do próprio músculo.

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No entanto, essa distinção só se faz evidente em exames. Em relação aos sintomas, é muito comum confundir os dois quadros, que trazem sinais de alerta semelhantes, como dor no peito, falta de ar, arritmia e possível perda de consciência.

Como identificar e tratar

Como visto acima, os sintomas dessa síndrome são facilmente confundidos com um ataque cardíaco “clássico”. Procure um serviço de saúde sempre que sentir sintomas de que algo vai mal no coração, independentemente de ter certeza sobre o quadro específico.

No hospital, exames como o eletrocardiograma e o ecocardiograma, entre outros, podem ajudar a identificar corretamente o que está acontecendo. O tratamento vai depender das características específicas do quadro, mas costuma envolver medicamentos para aliviar o esforço cardíaco.

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Idealmente, para evitar agravamentos sem chance de atenção médica imediata, o paciente deve permanecer internado sob observação até as alterações regredirem. Isso, porém, pode levar cerca de um mês.

Como os problemas não são causados por um bloqueio das artérias, como no ataque cardíaco, a síndrome não é resolvida com cirurgia.

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