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Prejuízos causados por ‘chip da beleza’ estão chegando aos consultórios

Acne, queda de cabelo, voz engrossada e aumento do clitóris são algumas das consequências do uso do implante de hormônios – e algumas são irreversíveis

Por Fabiana Schiavon 16 nov 2021, 19h05

Os resultados danosos do chamado “chip da beleza”, que foi muito propagado por celebridades, estão chegando aos consultórios médicos. Apesar de ter recebido o apelido de “chip”, cabe ressaltar que falamos de um implante de hormônios que promete aumentar a libido, fortalecer músculos, amenizar a celulite e impedir o fluxo da menstruação, reduzindo os  sintomas da TPM.

Preocupada, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) divulgou uma nota na qual contraindica a utilização desse recurso para qualquer tipo de finalidade, seja estética ou terapêutica. Inclusive, os especialistas já alertaram a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre os efeitos colaterais que andam observando em quem apostou nessa moda.

“Pele com acne e oleosidade, queda de cabelo, crescimento de pelos, aumento do clitóris são algumas das reclamações. Uma delas, que é irreversível, é a voz engrossada”, afirma o endocrinologista Cesar Boguszewski, presidente da Sbem. E as consequências não param por aí.

O que tem nesses implantes

O conteúdo principal deles é a gestrinona, um hormônio masculino semelhante à testosterona. Ele costuma ser indicado em situações específicas, como a endometriose ou transtorno do desejo sexual hipoativo (DSH), quando há queda na libido.

“Mesmo assim, esses tratamentos ocorrem com medicamento via oral. Não há nenhum estudo que comprove a eficácia dessas terapias por meio de implantes”, alerta o médico.

Se não houver razão para recorrer à gestrinona, seu uso só tende a fazer mal à mulherada.

“O sexo feminino tem um metabolismo diferente, e o processo da menopausa age como protetor contra algumas doenças. Com o implante, o organismo muda para um perfil androgênico [mais masculino] e, aí, essas mulheres começam a ter risco de colesterol aumentado, doenças cardiovasculares, entre outros problemas”, alerta Boguszewski.

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Como se não bastasse, esses implantes só são feitos em farmácias de manipulação e profissionais de saúde podem misturar outros hormônios e substâncias na solicitação.

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“Quando a pessoa nos procura para tratar os prejuízos, é difícil saber ao certo o que ela colocou no corpo”, descreve o endocrinologista. Dependendo da mistura e das doses administradas, o tal chip pode, por exemplo, mexer com os níveis de insulina e afetar ou sobrecarregar alguns órgãos.

Até é possível retirar alguns tipos de implantes, mas o médico conta que as mulheres só percebem os efeitos colaterais quando é tarde demais. “Ele vai liberando as substâncias aos poucos e, no começo, a sensação é de bem-estar. A mulher perde peso, sente-se mais forte e bonita, sem imaginar que o problema que virá a longo prazo”, conta o presidente da Sbem.

Substância é proibida

Entidades médicas já fizeram diversos alertas sobre os implantes de hormônios. Sem sucesso para brecar a utilização desenfreada desse produto, a Sbem protocolou um pedido formal para que a Anvisa endureça as regras de venda da substância.

Não existe permissão para o uso de gestrinona no Brasil, e a Anvisa precisa tomar providências porque a situação já saiu do controle”, frisa Boguszewski.

Na nota divulgada, a Sbem informa que a gestrinona tem ação anabolizante e está na lista de medicamentos considerados como doping da Wada (World Anti-Doping Agency).

Por essas e outras, os médicos pedem que a Anvisa coloque a substância na lista chamada de C5. Com essa medida, a venda só poderá ser feita com apresentação da Receita de Controle Especial (RCE) em duas vias. Esse documento deve conter o CPF do médico e o número CID da doença (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde).

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