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O que é dermatite atópica? Muitos não sabem os sintomas, tratamentos…

Pela falta de conhecimento sobre essa doença de pele comum, que causa muita coceira, os pacientes sofrem preconceito. Mas uma campanha quer mudar isso

Por Maria Tereza Santos - Atualizado em 26 set 2019, 11h11 - Publicado em 25 ago 2018, 13h00

Determinadas doenças de pele ainda são um tabu. Por falta de informação, parte das pessoas acaba acreditando que pode se infectar ao encostar em alguém acometido por essas chateações. É o caso da dermatite atópica, uma alergia não contagiosa que virou tema de campanha da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Segundo a SBD, esse problema crônico atinge 7% da população adulta e 25% das crianças do nosso país. Ele é caracterizado pela ausência da barreira de proteção da pele, o que provoca uma perda de água frequente. Ou seja: a derme dessas pessoas é mais ressecada e fica cheia de lesões avermelhadas. E isso, que fique bem claro, não passa de um indivíduo para o outro.

“A dermatite acompanha a pessoa por toda a vida. Mas isso não significa que ela não vá viver bem. Dá para controlar a doença com medidas simples e medicamentos”, afirma Samuel Mandelbaum, dermatologista da SBD.

Ele explica que a escassez de conhecimento sobre a enfermidade gera preconceito: “A população em geral acha que ela é contagiosa. A família e o próprio paciente não sabem o que é e acabam não tratando também”.

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Se isso impacta a vida social dos adultos, imagine a dos pequenos. “Essas crianças são afastadas de atividades em grupo, não conseguem brincar com outras na escola ou na rua e têm dificuldades para levar uma vida normal. Tornam-se fechadas e reclusas”, aponta o especialista.

Por isso é tão importante entender do que se trata e ir ao dermatologista ao sinal de qualquer sintoma. A seguir, conheça a tal dermatite atópica, das causas ao tratamento:

O que causa as crises?

São vários fatores possíveis, que inclusive variam de pessoa para pessoa. Eles incluem: contato com materiais ásperos, poeira, detergentes, produtos de limpeza em geral, roupas de lã e tecido sintético.

Temperaturas extremas ou mudanças bruscas (quando você sai de um lugar quente e entra em uma sala com ar condicionado, por exemplo), infecções, alguns alimentos e estresse são outros gatilhos para as crises alérgicas.

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Quais são os sintomas?

Além do ressecamento, surgem erupções e crostas e os pacientes sentem muita coceira. “Qualquer pequena irritação já causa um prurido grande. Quanto mais resseca, mais coça. E quanto mais você coça, mais gera irritação. É um círculo vicioso”, explica Mandelbaum.

Se a pessoa não para de cravar as unhas na pele, torna-se mais propensa a infecções. E isso, claro, agrava o quadro.

Apesar de acometer todas as faixas etárias, ela costuma se manifestar de forma diferente dependendo da idade.

Nas crianças, as lesões geralmente aparecem depois dos 6 meses de idade. A dermatite atópica atinge as bochechas, que ficam vermelhas e descascando, e partes dos joelhos e cotovelos.

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No caso dos adultos, os machucados são vermelhos, coçam e soltam líquidos. Eles surgem mais nas dobras do pescoço, cotovelos e joelhos.

Como é feito o tratamento?

São receitados remédios antihistamínicos e, em casos mais graves, corticosteróides, para diminuir a coceira. Boa parte desses medicamentos está disponível na rede pública de saúde.

Em breve, devem chegar ao Brasil os chamados imunobiológicos. “São injeções que devem ser aplicadas a cada uma ou duas semanas para fortalecer a barreira protetora”, relata Mandelbaum. Inicialmente, ele poderá ser utilizado apenas por adultos – e a um custo bastante elevado.

Quais os cuidados básicos?

Algumas atitudes simples ajudam a evitar crises alérgicas, como tomar banhos rápidos, com água morna e sem usar escovas ou buchas. Dar preferência para roupas leves e de algodão e fugir de lugares com temperaturas extremamente baixas ou altas também é uma boa.

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Agora, como já dissemos, cada paciente tem seus próprios estopins para as crises alérgicas. Daí porque é sempre bom manter o canal de comunicação com o médico aberto.

“Muitos fazem tudo certo no tratamento, mas continuam com a pele seca porque não estão bebendo água. A hidratação vem de dentro pra fora. O adulto precisa tomar dois litros por dia”, orienta o Mandelbaum.

Mas isso não significa que você deve abrir mão dos cremes hidratantes. Eles são importantíssimos.

“A recomendação que damos é de tomar banho, usar a toalha e já aplicar rapidamente o produto. Ele não vai fazer o mesmo efeito se você esperar o corpo secar”, conclui.

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Fonte: Samuel Mandelbaum, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

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