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Lee Haney morreu? O que se sabe sobre a saúde do campeão mundial de fisiculturismo

Fisiculturista respondeu a boatos sobre morte dizendo que se sente bem, mas segue em busca de doador para transplante renal; saiba o que aconteceu

Por Layla Shasta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
24 mar 2026, 14h30 • Atualizado em 24 mar 2026, 14h42
Foto Lee Haney em competição de fisiculturismo nos anos 90.
Lee Haney é recordista do fisiculturismo. (Greatest Physiques/Reprodução)
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  • A família de Lee Haney, ex-fisiculturista profissional norte-americano, anunciou, no último domingo (22), que o atleta enfrenta um quadro de insuficiência renal. Recordista da competição Mr. Olympia por oito anos consecutivos, ele agora busca um doador para transplante de rim.

    Apesar do quadro, o atleta disse que está bem. Diante de rumores de que teria morrido, ele fez uma publicação, na manhã desta terça-feira (24), informando que, embora ainda precise do transplante, está “plenamente funcional”.

    “Minha proposta é ser proativo enquanto enfrento este desafio atual […] Não sou necessário no céu por enquanto“, brincou, no post.

    Insuficiência renal

    Na publicação do domingo, feita no Instagram, os filhos da lenda do fisiculturismo compartilharam um relato dele, no qual revela que há 26 anos foi informado por médicos de que, em algum momento, precisaria de um transplante.

    “Graças a fé, nutrição apropriada e exercícios, fui abençoado a adiar isso por muitos anos”, contou no post.

    Agora, o atleta disse que os seus rins “estão falhando“, o que indica que o quadro tenha chegado a um ponto de incapacidade dos rins para filtrar resíduos, eliminar o excesso de líquidos e manter o equilíbrio de eletrólitos no sangue.

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    No post, a família de Haney também diz que está disposta a cobrir os custos de exames do doador e do procedimento em si. Os Estados Unidos não têm um sistema de saúde gratuito como o SUS, que paga por todo transplante de órgãos feito no Brasil. 

    A insuficiência renal é a condição na qual os rins perdem a capacidade de efetuar suas funções básicas. Ela pode ser aguda (IRA), quando ocorre uma súbita e rápida perda da função renal, ou crônica (IRC), quando a perda é lenta, progressiva e irreversível.

    Como o atleta indica que possui um diagnóstico desfavorável há quase 30 anos, é muito provável que o caso dele seja crônico.

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    Essa perda da função dos rins é perigosa especialmente porque leva ao aumento de toxinas e água no organismo, além do que ele é capaz de suportar.

    O tratamento é feito de três formas, a depender do grau do quadro: tratamento conservador, que foca em evitar a progressão da doença com medicamentos e dieta; a diálise, que substitui a função renal, filtrando o sangue; e o transplante, forma mais completa de substituir a função dos rins.

    O transplante costuma ser indicado para pacientes em estágio avançado. Quando bem-sucedido, oferece mais qualidade de vida e autonomia, reduzindo ou eliminando a necessidade de diálise.

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    +Leia também: Salve seus rins: como prevenir e controlar a doença renal crônica

    Fisiculturistas são vulneráveis a problemas renais

    Muitos fisiculturistas são vulneráveis a problemas renais porque, no conjunto, adotam práticas que sobrecarregam diretamente os rins.

    No topo da lista de atividades perigosas está o uso de esteroides anabolizantes. No fisiculturismo de alto nível, o uso dessas substâncias é muito comum e, inclusive, permitido em muitos circuitos. 

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    No caso de Lee, alguns sites especializados destacam que ele nunca falou abertamente sobre o uso dessas substâncias e que familiares, inclusive, já negaram.

    Ainda assim, os anabolizantes são muito comuns neste meio. O problema é que esses compostos não são inofensivos. Entre as muitas mazelas que esse tipo de produto pode causar ao corpo, eles induzem ou agravam lesões nos rins, segundo explica a Sociedade Brasileira de Endocrinologia (Sbem) no e-book #BombaTôFora

    “A utilização destas substâncias pode causar uma insuficiência renal aguda ou crónica, exigindo que a pessoa passe a fazer hemodiálise para filtrar o sangue, em substituição dos rins”, diz a entidade.

    Além dos riscos associados ao uso da droga, os usuários das “bombas” também costumam ter outros hábitos que favorecem o aparecimento de lesões renais.

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    Um deles é a ingestão de proteína em excesso, o que obriga os rins a fazerem um esforço extra de filtragem. E o mesmo vale para outros suplementos, como doses muito exageradas de creatina.

    Outro hábito prejudicial é beber poucos líquidos e, muitas vezes, até usar diuréticos para, graças à desidratação, os músculos parecerem ainda mais salientes.

    A Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) também já publicou conteúdos o tema. Segundo a entidade médica, os esteroides podem ter, ainda, consequências como aumento da pressão arterial e morte celular. A associação lista ainda o abuso de vitaminas D e A, bem como anti-inflamatórios como práticas que arriscam os rins dos atletas de alto nível.

    Além disso, em casos raros, fisiculturistas (assim como outras pessoas) podem apresentar um quadro chamado rabdomiólise.

    Essa é uma condição potencialmente fatal que pode ocorrer após exercício físico excessivo sem repouso. Ela é chamada por muitos de “doença do xixi preto”.

    A rabdomiólise é caracterizada pela desintegração das fibras musculares, liberando componentes tóxicos na corrente sanguínea, o que termina por sobrecarregar os rins, que ficam responsáveis também por filtrar toda a proteína proveniente da massa muscular rompida.

    Portanto, a combinação de anabolizantes, dieta restritiva, suplementação em excesso, desidratação e exercícios além do limite pode colocar os rins e todo o corpo sob pressão constante, explicando por que os atletas podem, por vezes, apresentar problemas graves de saúde, ainda que tenham uma vida ativa.

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